Search
Close this search box.

Marco Aurélio Marques Tavares é o produtor homenageado este ano

O orizicultor Marco Aurélio Marques Tavares, é o produtor homenageado na edição deste ano do Baile do Arroz.

Sobre o fato de ter sido o escolhido para este evento que congregará a classe arrozeira, em entrevista exclusiva à Folha Patrulha, Marco Aurélio afirma ter se sentido “muito honrado com esta homenagem e feliz por ter contribuído para a criação da Associação dos Arrozeiros e por tê-la presidido por três mandatos. Juntamente com outras lideranças, iniciamos um processo de qualificação, profissionalização e mobilização dos arrozeiros, que permitiu colocar o município em destaque entre as maiores produtividades do Litoral Norte, além de conquistar representatividade regional e estadual.”

A CULTURA DO ARROZ

A respeito da cultura do arroz gaúcho, responsável por 70 por cento do abastecimento do mercado brasileiro, o conhecido produtor afirma: “Estamos passando novamente por uma crise de mercado, depois de alguns anos de viabilidade da atividade.”

Salienta o orizicultor que “pela segunda safra consecutiva, os custos de produção superam os preços de comercialização, exigindo ainda mais cuidado na gestão da atividade e agravando a situação dos produtores que adotam a monocultura. Isso ocorre apesar das elevadas produtividades obtidas safra após safra, demonstrando que a eficiência ‘dentro da porteira” continua elevada.”

IMPORTAÇÃO DO ARROZ PREJUDICA MERCADO NACIONAL
No entendimento de Marques Tavares a importação de arroz proveniente de outros países prejudica muito o produtor brasileiro. “Boa parte do arroz produzido na nossa região é considerada de altíssima qualidade e, graças à logística favorável, é comercializada nos grandes centros consumidores. No entanto, enfrenta uma concorrência predatória e desleal do arroz importado do Mercosul, principalmente do Paraguai, que apresenta maior competitividade em função de custos e logística. Considero esse um dos maiores gargalos do setor, e medidas de mitigação são indispensáveis, mas ainda não recebem a prioridade necessária.”

A SAÍDA
Marco Aurélio concorda que o consórcio arroz e soja é a saída mais viável. E explica: “O cultivo da soja, juntamente com a integração lavoura-pecuária (ILP), implantada nos últimos 10 a 15 anos, permitiu reduzir os riscos da atividade, ampliar o leque de produtos para comercialização e melhorar o fluxo de caixa. Além disso, contribuiu para reduzir custos operacionais e aumentar a produtividade da orizicultura. Considero essa diversificação essencial para a sobrevivência do arrozeiro.”

PREÇO COMEÇA A SE RECUPERAR
Uma afirmação muito importante feita por Marco Aurélio Tavares é que os preços ainda estão abaixo dos custos de produção. “Mas, nos últimos 30 dias, apresentaram recuperação em razão do bom desempenho das exportações, que reduziram os excedentes e a oferta no mercado interno. Outro fator importante é o Weather Market (mercado climático), que já influencia o cenário no Rio Grande do Sul e no mundo, com reflexos sobre todas as commodities. Esse cenário poderá impactar o plantio das lavouras de verão e resultar em redução da produção nas próximas safras.”

MALES QUE VÊM PARA O BEM…
Enquanto há reclamações contra o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump à importação de produtos brasileiros por aquele país, o conhecido produtor gaúcho explica que o setor arrozeiro e a soja não deverão ser afetados diretamente, enquanto o setor de carnes poderá sofrer impactos parciais. “Por outro lado, uma eventual redução da área plantada de arroz nos Estados Unidos poderá abrir oportunidades para ampliar as exportações do arroz gaúcho, principalmente para os mercados da América Central.”

CAUTELA
Por fim Marco Aurélio Tavares afirma que diante de um cenário bastante complexo para o agronegócio na próxima safra, o produtor deverá agir com ainda mais cautela na tomada de decisões sobre a área a ser plantada, tanto de arroz quanto de soja, racionalizando custos e investimentos e dando cada vez mais ênfase à gestão do negócio para manter a viabilidade econômica e reduzir riscos.
“É importante lembrar que o arrozeiro é um agente de mercado: a oferta é determinante na formação do preço do produto”, conclui o produtor a ser homenageado na noite deste sábado (01 de agosto), na 68ªº edição do Baile do Arroz a acontecer no Clube Recreativo Patrulhense.

COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Publicidade