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Presidente do Sistema FIERGS vê tarifaço do governo norte-americano com preocupação e indica diálogo como solução

O presidente do Sistema FIERGS em entrevista exclusiva concedida à Folha Patrulhense, disse ter recebido a decisão do presidente norte-americano Donald Trump impondo novas tarifas sobre os produtos brasileiros “com muita preocupação. Os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações do Rio Grande do Sul, atrás apenas da China e à frente da Argentina.”
Na opinião de Claudio Bier isso demonstra a importância estratégica desse mercado para a indústria gaúcha. “Qualquer medida que restrinja esse comércio reduz a competitividade das nossas empresas, compromete investimentos e pode afetar empregos e renda. Levantamento da FIERGS mostra que 48,2% das exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos serão diretamente atingidas pela nova tarifa.”
REALIDADE POR TRÁS DOS NÚMEROS
Explica o presidente da FIERGS que quando somadas às tarifas setoriais já existentes, cerca de 85% das exportações gaúchas para aquele mercado passam a enfrentar algum tipo de sobretaxa. “Mas o que mais preocupa é a realidade por trás desses números. Em muitos casos, não estamos falando de grandes conglomerados capazes de redirecionar suas vendas para outros mercados de uma hora para outra. Estamos falando de pequenas e médias indústrias que levaram anos para conquistar clientes nos Estados Unidos e que, hoje, têm naquele mercado o destino de grande parte da sua produção. Para muitas dessas empresas, essa tarifa não representa apenas uma perda de competitividade.”
RISCO PARA O NEGÓCIO
Destaca Bier que ela coloca em risco a continuidade do próprio negócio, com reflexos sobre investimentos, empregos e renda. “Por isso, defendemos que prevaleçam o diálogo, a previsibilidade e o bom senso. A indústria precisa de regras claras e de mercados abertos para continuar investindo, produzindo e gerando oportunidades para o Rio Grande do Sul. Quando uma indústria perde mercado, não perde apenas a empresa. Perdem os trabalhadores, os fornecedores, os municípios e toda a economia gaúcha. É isso que estamos empenhados em evitar.”
DIPLOMACIA
O presidente do Sistema FIERGS afirma que para se contornar essa situação o caminho é o diálogo. “Questões comerciais dessa dimensão precisam ser tratadas pela via diplomática e pela negociação entre os governos. Defendemos que o governo brasileiro mantenha e intensifique as conversas com as autoridades norte-americanas, buscando ampliar a lista de exceções e, sempre que possível, rever as medidas anunciadas.”
Porém Claudio Bier aponta um caminho, que pode ser mais prático: “Existe uma frente igualmente importante que é a negociação das próprias empresas com seus clientes nos Estados Unidos, salientando que muitas indústrias gaúchas construíram, ao longo de anos, relações de confiança com importadores norte-americanos. “Nesse momento, será fundamental preservar esse relacionamento e buscar soluções negociadas que permitam manter os contratos, seja por meio da revisão de preços, do compartilhamento dos custos adicionais ou de outros entendimentos comerciais. Também é importante que sejam adotadas medidas de apoio aos setores mais afetados, como linhas de crédito e instrumentos que ajudem as empresas a atravessar esse período sem interromper investimentos, produção e empregos.”
De outra parte destaca o empresário: “Ao mesmo tempo, precisamos continuar ampliando a presença da indústria gaúcha em outros mercados internacionais. Mas é importante dizer com clareza que conquistar um cliente no exterior leva anos. Perder um cliente pode acontecer em poucos dias. Por isso, preservar os mercados já conquistados é tão importante quanto abrir novos. A FIERGS continuará acompanhando esse tema de perto, em diálogo com a CNI, com o governo e com os setores industriais atingidos, sempre defendendo os interesses de quem produz no Rio Grande do Sul.”
PRODUTOS MAIS ATINGIDOS
Os impactos – explica Bier – atingem o setor de máquinas e equipamentos, máquinas e materiais elétricos, calçados, móveis, produtos de madeira, produtos metalúrgicos, tabaco e outros bens da indústria de transformação. “São setores importantes para a economia gaúcha e, em muitos casos, fortemente ligados a pequenas e médias empresas e à geração de empregos em diferentes regiões do Estado. Por isso, não podemos olhar apenas para o valor das exportações atingidas. Precisamos olhar para as empresas, para os trabalhadores e para os municípios que dependem dessa atividade. Nosso trabalho agora é apoiar os setores mais expostos e buscar, por meio do diálogo, uma solução que reduza os prejuízos para quem produz. Um prejuízo que repercute em todo o Rio Grande do Sul”, conclui o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Affonso Amoretti Bier.
A foto mostra o presidente da Fiergs Claudio Bier quando foi demonstrar o seu apoio, se congratulando com os diretores da Santo Antônio Alimentos, Sergio Souza de Jesus, e um de seus filhos, Rafael, no ato inaugural de sua loja localizada próximo ao acesso à freeway.

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