Pais acusam justiça de demora em caso de morte de adolescente na freeway

O processo instaurado para apurar as causas da morte da adolescente Bárbara Andrielli Mendes de Moraes, que tinha 15 anos quando morreu de forma trágica na noite de 3 de março de 2019 na freeway em Santo Antônio da Patrulha quando foi atingida por uma BMW X5 dirigida por um médico, segue os trâmites normais.
A afirmação foi feita à reportagem da FOLHA PATRULHENSE pelo Juiz dr. Felipe Roberto Palopoli, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Santo Antônio da Patrulha.
O repórter Vitor Rosa, da Rádio Gaúcha e Zero Hora, ouviu os pais de Bárbara, testemunhas ouvidas no processo que disseram a ele, não entenderem a lentidão do caso junto ao judiciário. Ambos disseram ao jornalista que não receberam a intimação e se deslocaram para o fórum após saber da audiência por outras pessoas.
FASES DO PROCESSO
De acordo com o Magistrado, os processos do júri (para crimes dolosos contra a vida) seguem um procedimento bifásico, tendo, portanto, um trâmite mais demorado que o dos demais processos criminais. O processo em questão está na primeira etapa, que visa buscar elementos para a pronúncia do acusado, que consiste na sua admissão para julgamento perante o Tribunal do Júri. Mais especificamente, o feito encontra-se na fase de instrução dessa primeira etapa, com a tomada de depoimentos. Durante a primeira audiência, ocorrida na quarta-feira passada, foram ouvidas as três vítimas e cinco testemunhas do acidente em que morreu a adolescente. No entanto, por um problema técnico do sistema de vídeo, duas testemunhas não puderam ser ouvidas.
Outras quatro testemunhas não compareceram, porque não foram encontradas para o recebimento da intimação, mas agora o Ministério Público irá trabalhar para localizá-las. Assim, elas e mais as duas que não puderam ser ouvidas na primeira fase, agora o serão.
ACUSADO SERÁ OUVIDO POR ÚLTIMO
O acusado será ouvido somente ao final da fase instrutória, sendo direito seu falar somente após a tomada de todos os demais depoimentos, o que poderá ocorrer já na próxima audiência.
Na época do acidente, segundo denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul relatada pelo jornal Zero Hora, Leandro Toledo de Oliveira dirigia “bêbado e em alta velocidade”.
CURSO NORMAL
O Juiz afirma que o processo segue o curso natural e talvez esteja um pouco mais lento em razão da complexidade do caso, bem como do grande volume existente na 1ª Vara, da qual é o titular, a pandemia que impossibilitou a realização de audiências presenciais no ano 2020 e ao ataque cibernético feito por hackers ao Tribunal de Justiça. Mesmo assim, afirma o dr. Felipe, a Justiça não ficou parada com todos os trâmites sendo cumpridos.
Zero Hora, ouviu os advogados Matheus Gonçalves dos Santos Trindade e Karina Mombellim, que defendem Leandro Toledo de Oliveira. São deles, estas afirmações: “As provas testemunhais colhidas na audiência corroboram com a tese defensiva de que o caso não se trata de homicídio por dolo eventual, mas sim de um trágico acidente de trânsito que infelizmente resultou na morte de uma das vítimas. A defesa continuará trabalhando no caso e buscará o correto enquadramento jurídico de eventual conduta”.
MINISTÉRIO PÚBLICO
O Promotor de Justiça, dr. Camilo Santana disse que a primeira audiência transcorreu com normalidade. As testemunhas indicadas pelo Ministério Público confirmaram que o réu esteve em uma confraternização horas antes do fato. Ademais, testemunhas que participaram do atendimento ao réu após o acidente também confirmaram que ele apresentava sinais de embriaguez. Todos esses elementos confirmaram a acusação posta pelo Ministério Público na denúncia. Agora, aguarda-se a continuidade do processo em que outros pontos serão esclarecidos.

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