Conforme o produtor rural Marco Aurélio Tavares, que planta arroz em extensa área na localidade de Barrocadas, a situação está complicada. “Estamos com apenas 6% da colheita do arroz concluída. Sabidamente todo maquinário utilizado é com Diesel. A própria Federarroz e Farsul emitiram Comunicados sobre a gravidade da situação. Além dos preços deprimidos no cereal, provável redução na produtividade das lavouras, as vendas de fertilizantes foram suspensas e a uréia, principalmente, somos dependentes do Golfo. O pior que pagar caro pelo insumo é não tê-lo. Para ter uma ideia, fechei o litro do Diesel para a primeira parte da colheita a R$ 5,3… falam acima de R$ 7,00. A defasagem do diesel em relação ao mercado internacional é de 60%. O impacto será profundo. Mais um problema para o campo e para o consumidor.”
Marco Aurélio salienta na entrevista concedida à FOLHA PATRULHENSE: “Esse gargalo ocorre exatamente no pico de consumo do combustível que é a safra: operação de máquinas agrícolas, transporte do grão, escoamento para portos e centro do país. O custo da safra passada ficou acima de R$ 80 e hoje, a comercialização está entre R$ 55 a R$ 60 reais, abaixo, inclusive do Preço Mínimo, afirmando que isso decorre do aumento de área e produção em 2025 e queda no mercado internacional e “estímulos” do governo para aumentar a oferta para baratear o produto”.
Destaca o produtor que tudo isso é provocado pelas importações do Paraguai, que representam 70% do volume importado e que chegam aos grandes centros de consumo SP, RJ, MG com muito mais competitividade (menos impostos) e custo mais baixo.
Entende Marco Aurélio ser necessário alterar a lei 10925 que permite a entrada do arroz Esbramado e beneficiado do Mercosul, sem o gravame do PIS/COFINS (9,5%), que apenas incide sobre o arroz em casca e acaba prejudicando todos os elos da cadeia e não só o produtor. “Isso é gravíssimo”, frisa o produtor.
Por fim, ele fala que a produtividade média no RS na safra passada foi de 9 mil kg/ha. “Para a atual, com redução em torno de 30% no uso de fertilizantes, herbicidas, e uso de sementes salvas (redução na venda de 30%) e fatores climáticos estima-se uma redução em torno de 10%.”