A escritora gravataiense Viviane Peixoto foi escolhida para ser a homenageada da Feira do Livro que integra a programação da Fenacan 2026, em Santo Antônio da Patrulha, marcada para ocorrer entre os dias 5 e 9 de agosto. A distinção, segundo ela, representa uma honra e também uma grande responsabilidade.
Advogada de formação, Viviane destaca que sua trajetória profissional sempre esteve ligada às histórias de vida e à defesa de direitos, especialmente de mulheres em situação de vulnerabilidade. Paralelamente, desenvolveu um trabalho voltado à cultura e à preservação da memória coletiva.
“Esse reconhecimento representa não apenas uma conquista pessoal, mas a valorização de um trabalho dedicado à cultura, à memória e à identidade”, afirma.
Atualmente presidente da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, a escritora é idealizadora da coleção Colcha de Memórias. O primeiro volume reúne histórias de mulheres artistas de diferentes áreas, enquanto o segundo aborda a trajetória de brasileiras que vivem nos Açores. As obras nasceram do desejo de registrar experiências femininas que muitas vezes permanecem ausentes dos registros oficiais, embora tenham contribuído significativamente para a construção cultural das comunidades.
Importância das feiras do livro
Em uma época marcada pela expansão das plataformas digitais, Viviane acredita que as feiras do livro continuam desempenhando papel fundamental na formação cultural da sociedade.
Para ela, a literatura vai além do acesso à informação, promovendo reflexão, sensibilidade e diálogo entre gerações. As feiras também funcionam como espaços de encontro entre autores e leitores, fortalecendo a produção cultural local e incentivando o hábito da leitura.
Segundo a escritora, a coleção Colcha de Memórias encontrou nesses eventos oportunidades para discutir temas como memória, cultura e protagonismo feminino, evidenciando o interesse do público por histórias reais e inspiradoras.
Laços culturais com os Açores
Viviane também destaca o fortalecimento contínuo das relações entre o Rio Grande do Sul e os Açores por meio de ações culturais, educacionais e institucionais.
A Casa dos Açores do Rio Grande do Sul integra uma rede internacional dedicada à preservação da herança açoriana e à manutenção dos vínculos históricos entre os descendentes e o arquipélago português.
“Nossa missão é promover e valorizar a herança açoriana presente no Estado, especialmente nos municípios que receberam influência direta da imigração açoriana”, explica.
Entre os exemplos citados está Santo Antônio da Patrulha, município que mantém estreita parceria com a entidade e com o Governo Regional dos Açores. Recentemente, foi firmado um termo de cooperação para a implantação de um Centro Cultural Açoriano, tornando a cidade uma das dez inicialmente contempladas pelo projeto.
A iniciativa busca preservar a memória, valorizar a identidade açoriana e fortalecer os laços culturais entre o Rio Grande do Sul e o arquipélago.
Juventude mantém interesse pela literatura
Na avaliação da escritora, os jovens continuam interessados em contar histórias, embora utilizem linguagens e plataformas diferentes das gerações anteriores.
Ela observa o surgimento constante de novos talentos literários e artísticos, especialmente quando encontram espaços de incentivo e valorização. Nesse contexto, ressalta a importância dos editais públicos de cultura, que ampliam oportunidades e viabilizam projetos voltados à preservação da memória e da identidade cultural.
Viviane afirma que a experiência com o projeto Colcha de Memórias demonstra o interesse dos jovens por relatos autênticos e histórias que dialogam com suas vivências. Para ela, o investimento na cultura produz resultados concretos, fortalece o sentimento de pertencimento e cria oportunidades para que novas vozes sejam ouvidas.
“A literatura continua sendo uma poderosa ferramenta de transformação, pertencimento e construção da cidadania cultural”, ressalta.
Convite à comunidade
Ao agradecer o espaço dedicado à cultura, Viviane aproveitou para convidar a comunidade patrulhense e regional a participar da Feira do Livro da Fenacan.
Ela também manifestou o desejo de estar presente em atividades preparatórias ao evento, como saraus, rodas de conversa e encontros voltados à temática da memória, promovendo um intercâmbio com a comunidade local.
Segundo a escritora, o projeto Colcha de Memórias nasceu justamente para registrar e preservar histórias de mulheres de diferentes origens e trajetórias. A obra reúne relatos de artistas, educadoras, escritoras, jornalistas, profissionais de diversas áreas e mulheres imigrantes, formando uma narrativa coletiva sobre identidade, desafios, conquistas e legado.
Viviane acredita que Santo Antônio da Patrulha, por sua forte herança cultural e profundas raízes açorianas, possui inúmeras histórias que merecem ser preservadas e compartilhadas. “Será uma grande alegria dialogar com a comunidade, conhecer suas memórias e contribuir para que a literatura e a cultura continuem sendo instrumentos de encontro, reflexão e valorização das pessoas e de suas trajetórias”, conclui.
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