Um projeto que une capacitação profissional, inclusão e oportunidade acaba de dar um importante passo em Santo Antônio da Patrulha. Idealizado pelo setor de Recursos Humanos da DaColônia, em parceria com a APAE do município, o Elo Social formou sua primeira turma e efetivou jovens com deficiência intelectual na empresa.
Durante 16 meses, os participantes passaram por capacitação técnica, desenvolvimento de habilidades, preparação para o ambiente profissional e vivência prática. Ao final do processo, foram contratados pela indústria de alimentos, iniciando uma nova etapa de suas trajetórias profissionais.
A iniciativa foi apresentada à direção da DaColônia por Pedro Fuches, profissional ligado ao setor de Recursos Humanos, a partir de experiências anteriores com projetos de inclusão. Segundo ele, a proposta foi inspirada em iniciativas desenvolvidas pela APAE de São Paulo e em parcerias mantidas pela organização onde atuou anteriormente.
“Chegando à DaColônia, trouxe essa proposta para a direção, que acolheu a ideia com bastante ênfase, para que também trouxéssemos para Santo Antônio o mesmo conceito”, explica Fuches.
CAPACITAÇÃO PARA RECONHECER POTENCIALIDADES
Um dos princípios do Elo Social é identificar as habilidades de cada participante e direcioná-los para atividades nas quais possam desenvolver seu potencial.
“Quando começamos a desenvolvê-los e conhecê-los melhor, entendemos onde podem ser incluídos dentro da organização. Todos têm habilidades e potenciais. O primeiro momento é conhecê-los e, depois, direcioná-los para as atividades”, afirma Fuches.
Para ele, a experiência demonstra que a inclusão vai além da abertura de vagas. Trata-se de preparar os participantes para assumir responsabilidades e contribuir efetivamente com a empresa.
REFLEXOS TAMBÉM NAS FAMÍLIAS
Os resultados do projeto, segundo Fuches, ultrapassam o ambiente profissional e chegam às famílias dos jovens.
“Muitas vezes, a família também não enxerga o futuro desses jovens. No momento em que eles começam a apresentar resultados dentro da empresa, levam essa transformação para dentro de casa”, observa.
A experiência profissional também contribui para o desenvolvimento de responsabilidade, comprometimento e autonomia. Para famílias de baixa renda, a remuneração conquistada pelos próprios jovens representa ainda uma importante contribuição.
NO MERCADO DE TRABALHO
Um dos diferenciais da iniciativa é que os participantes já ingressaram na empresa como colaboradores desde o início do projeto. Em 3 de agosto, foram efetivados, passando a atuar em período integral, com acesso aos mesmos benefícios oferecidos aos demais funcionários da indústria.
A diretora administrativa da APAE, Monia Santos, salienta que projetos desse tipo são fundamentais para abrir portas para o mercado de trabalho, aliando capacitação técnica, desenvolvimento de habilidades e experiência profissional. As atividades iniciaram em 26 de março de 2025, com carga diária de quatro horas, totalizando cerca de 1.400 horas, com foco em comunicação, autonomia, responsabilidade, organização, convivência e adaptação ao ambiente corporativo.
“NÃO ESTAMOS PRATICANDO ESMOLA”
O diretor e um dos fundadores da DaColônia, Ênio Melo, destaca a satisfação da empresa com os resultados alcançados pelo projeto. Para ele, a iniciativa pode servir de exemplo para outras empresas.
“É muito importante para nós esse trabalho, esse projeto, essa iniciativa. A ideia partiu de um gerente nosso e nós embarcamos nessa iniciativa. Graças a Deus, hoje pudemos concluir uma etapa desse trabalho, com muito resultado”, afirma.
Melo ressalta que a satisfação da empresa está também em participar da transformação proporcionada aos jovens.
“A alegria para nós é imensa. Esperamos, com isso, dar exemplo para outras empresas para que possam fazer algo parecido. Achamos que é de suma importância para todos”, acrescenta.
Questionado sobre a capacidade dos novos profissionais, o diretor foi enfático ao destacar que a contratação é baseada nas competências demonstradas durante o projeto.
“Com certeza. Não estamos praticando esmola nenhuma. Estamos contratando porque eles têm capacidade e vão nos ajudar muito. Já nos ajudaram durante esse período e vão nos ajudar ainda mais”, afirmou.
A formação da primeira turma do Elo Social marca, assim, o início de uma nova etapa para os participantes e consolida uma parceria entre a DaColônia e a APAE voltada à inclusão profissional. A experiência mostra que, com capacitação, oportunidade e confiança, jovens com deficiência intelectual podem conquistar espaço no mercado de trabalho e exercer suas atividades de forma efetiva.
OUTRAS INICIATIVAS
Além do Elo Social, a DaColônia mantém outras iniciativas voltadas ao impacto social. A empresa destina recursos por meio dos incentivos fiscais aos Fundos da Criança e do Adolescente e do Idoso, além de apoiar instituições como o Instituto do Câncer Infantil (ICI) e o Instituto da Criança com Diabetes (ICD). As ações reforçam uma atuação que vai além da produção de alimentos naturais e busca gerar valor também para a comunidade onde está inserida.
PRESENÇAS
O evento contou com as presenças do prefeito Rodrigo Massulo, do diretor-presidente da Colônia Alimentos Naturais Enio Melo, do diretor William Freitas, demais integrantes da diretoria de DaColônia Alimentos e de outras lideranças comunitárias e familiares dos formandos.