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TROPEIRISMO E MEMÓRIA: Raizinha resgata as raízes de SAP

Muito antes de Santo Antônio da Patrulha se tornar conhecida pela rapadura, pela cachaça e pelo sonho, o território já era caminho de passagem de tropas de gado que seguiam em direção a São Paulo e Minas Gerais. O tropeirismo, portanto, está entre as raízes da formação do município e é justamente essa história que vem sendo recuperada dentre outros depoimentos de pessoas do município, através do evento Raizinha, criação da historiadora Vera Maciel.
Na quinta edição do encontro, realizado no Polo Universitário, o tema foi abordado pelo pesquisador Walter Fraga, natural de Viamão e por Marco Aurélio Angeli, o Zoreia, natural de Taquara, estudiosos do tropeirismo. Para eles, mais do que recuperar fatos antigos, a iniciativa representa uma oportunidade de devolver aos patrulhenses o conhecimento sobre suas próprias origens.
Walter Fraga destacou a importância do trabalho de Vera Maciel, lembrando sua trajetória de pesquisa e sua dedicação à preservação da memória. Já Zoreia ressaltou que o Raizinha contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento. Segundo ele, histórias de tropeiros, carreteiros e famílias acabam trazendo à lembrança objetos, costumes e experiências que ainda permanecem guardados nas casas e na memória dos moradores.
UMA HISTÓRIA QUE NÃO PODE SER ESQUECIDA
O tropeirismo teve papel importante no surgimento e no desenvolvimento do povoado. Conforme foi destacado durante o encontro, antes mesmo da fundação da capela curada de Santo Antônio já havia circulação de tropas pela região, além de guarda e registro destinados ao controle da passagem e à cobrança de impostos.
Os tropeiros também precisavam de locais para alimentação, descanso, troca de animais e outros serviços, contribuindo para o surgimento de pousos e estabelecimentos comerciais. Assim, a passagem das tropas ajudou a movimentar e povoar a região.
Para Walter Fraga, essa ligação histórica acabou sendo esquecida por boa parte da população. O pesquisador defende que Santo Antônio precisa reconhecer também essa origem tropeira, que se soma às diferentes etnias e culturas responsáveis pela formação do município.
Zoreia lembra ainda que o tropeirismo não pertence apenas ao passado. A movimentação de animais e de gado continua existindo no interior do município, enquanto a tradição dos carreteiros permanece viva nas lembranças de muitas famílias.
RAIZINHA: A MEMÓRIA DE QUEM VIVEU
É justamente nesse ponto que o Raizinha ganha importância. O evento não se limita à participação de pesquisadores ou acadêmicos. Ele abre espaço para que moradores registrem suas próprias lembranças e as histórias de seus pais, avós e antepassados.
Walter Fraga chama a atenção para o risco de perder essas memórias com o passar do tempo. Relatos de pessoas que ainda testemunharam antigas tropas de animais, por exemplo, podem desaparecer se não forem registrados.
O Raizinha, segundo ele, tem justamente esse caráter democrático: permite que uma dona de casa conte uma experiência familiar da mesma forma que um pesquisador apresenta um trabalho acadêmico. São diferentes formas de conhecimento que, reunidas, ajudam a construir a história de uma comunidade.
A iniciativa se soma ao Raízes, realizado também em municípios que tiveram sua origem ligada a Santo Antônio da Patrulha. Segundo os participantes, encontros realizados em localidades como Vacaria, André da Rocha e Jaquirana permitiram descobrir e registrar histórias que poderiam permanecer desconhecidas.
ENSINAR PARA NÃO ESQUECER
Outro trabalho desenvolvido por Walter Fraga e Marco Aurélio Angeli é levar o tropeirismo às escolas. A proposta começa pela preparação dos professores, para que o conteúdo possa chegar aos estudantes de maneira adequada a cada faixa etária.
A intenção é fazer com que crianças e jovens compreendam que a história não está distante deles: ela está no lugar onde vivem, nos caminhos por onde passam e nas histórias de suas próprias famílias.
O desafio, como destacou Zoreia, é não permitir que Santo Antônio da Patrulha conte sua história pulando justamente uma de suas etapas fundamentais. O tropeirismo fez parte do caminho que ligou o Rio Grande do Sul a outras regiões do Brasil e Santo Antônio esteve inserida nessa importante rota.
Mais do que lembrar o passado, o Raizinha procura preservar aquilo que dá identidade a uma comunidade. Afinal, como foi sintetizado durante o encontro, não se pode esquecer de onde se veio. E é através do registro das lembranças de quem mora ou já morou em Santo Antônio da Patrulha que essas raízes podem continuar vivas para as próximas gerações.
COMO AGENDAR
Os interessados podem entrar em contato com Walter Fraga, pelo telefone (51) 99807-5404 ou pelo e-mail valterfnunes@gmail.com.
Também podem procurar Marco Aurélio Angeli (Zoreia) pelo telefone (51) 99972-5137 ou pelo e-mail passeiosdemula@terra.com.br.
É uma oportunidade de levar a família para conhecer de perto, elementos da cultura tropeira e compreender um pouco mais sobre uma das raízes históricas de Santo Antônio da Patrulha. Afinal, preservar a memória é também uma forma de manter viva a identidade de um povo.

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