Nem a nossa tradicional rapadura está escapando da taxação pelo presidente norte-americano Donald Trump.
É o que conta Willian Freitas, diretor administrativo, nesta entrevista que concedeu para a jornalista Giane Guerra, de Zero Hora. Leia:
“Rapadura taxada: os mercados buscados por indústria gaúcha para substituir os EUA não abala o faturamento da empresa, mas foi um balde de água fria no plano de expansão internacional
Até a rapadura de Santo Antônio da Patrulha foi taxada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A pasta de amendoim e a paçoca também. Não abala o faturamento da DaColônia, mas é um balde de água fria na expectativa de aumentar as exportações. O podcast Nossa Economia, de GZH, ouviu o Willian Freitas, diretor administrativo da empresa.
Qual a origem da empresa?
A DaColônia é uma empresa familiar, fundada pelos meus avós em 1962. Eu faço parte da terceira geração da empresa. Iniciou fazendo, basicamente, rapadura à base de melado. A região tinha muita plantação de cana-de-açúcar. Era uma forma que meus avós, pai e tios encontraram de sustento. O amendoim deu a base para ampliar o mix de produtos e hoje estamos com aproximadamente 250.
E a rapadura de melado continua…
Até hoje. Tem um carinho grande de todos, é o doce preferido da família. Quando fazemos o churrasco de final de semana, a sobremesa é a rapadura de melado.
Qual é a estrutura hoje?
A principal fábrica fica em Santo Antônio da Patrulha, com 20 mil metros quadrados. Temos uma fábrica em Dom Pedro de Alcântara, próximo a Torres, e a outra em Praia Grande, já em Santa Catarina. Estas duas unidades fazem basicamente produtos a base de banana, que tem muita plantação na região. Temos também um centro de distribuição no Paraná e outro no Espírito Santo, para chegar rápido ao varejo.
E as exportações para os Estados Unidos sentiram o tarifaço?
Sim. Estávamos crescendo os embarques ano a ano, desde 2004, quando começamos a vender para o Uruguai. Para os Estados Unidos, começamos em 2014 e virou o principal, embora a exportação ainda represente apenas 3% do faturamento total da empresa. Para o mercado norte-americano, vai de 20% a 23% do que exportamos. São 40 tipos de produtos, principalmente à base de amendoim: pasta de amendoim da marca é Amendo Power, amendoim doce, salgado, paçoca zero…
Qual a perspectiva?
Temos esperança ainda de que, via negociações, governos encontrem um meio termo. Infelizmente, inviabiliza muito o nosso produto. Não vai parar a venda, mas vai diminuir. Temos 13 distribuidores e importadores, com uma relação muito próxima. Um gerente nosso morou lá nove meses. Estamos trabalhando para que as duas partes consigam absorver algo do aumento e não impacte tanto o consumidor.
E buscam outros mercados?
Sim, abrimos agora em julho a Argentina, que nunca tínhamos atendido. Vemos potencial muito grande no Paraguai, onde temos um parceiro muito bom. Estamos buscando México, que não atendemos ainda, e Canadá, para onde ainda vendemos pouco. Portugal parece muito bom até pela similaridade de cultura e uma boa aderência do consumidor.
Algum ajuste da produção por isso?
Não tomamos nenhuma medida drástica, como redução de quadro de trabalhadores, que hoje são 940. A exportação não pesa tanto no faturamento. Mas impacta a expectativa gerada. De 2023 para 2024, aumentamos em 120% as exportações. Este ano será para dobrá-las. Talvez não seja possível, mas crescerão de 70% a 80%.
E outros planos?
Nossa meta é crescer cada vez mais no Sudeste e em outras regiões, como Centro-Oeste. Somos líderes de share (fatia de mercado) na pasta de amendoim no Brasil, com 34% de janeiro a julho. A maior parte do nosso faturamento vem do varejo, que atende o consumidor final. Temos procurado demonstrar cada vez mais que somos parceiros para entregar resultados.”