Gravataí atinge a maior média de mortes desde o início da pandemia do coronavírus

Cidade tem quatro mortes por dia na média móvel de duas semanas, conforme dados do Ministério da Saúde

O mês de março de 2021 tem sido o pior em número de mortes para Gravataí desde o início da pandemia do coronavírus há um ano. As instalações hospitalares estão superlotadas e o número de mortes subindo em uma proporção que ainda não havia sido registrada. Esta semana, conforme estatísticas do Ministério da Saúde, Gravataí apresenta a média móvel de duas semanas com quatro mortes por Covid-19 ao dia. Até janeiro, a média era de uma morte por dia neste mesmo recorte estatístico de duas semanas. A partir de fevereiro, o número vem aumentando gradativamente e, em março, deu um salto, expondo o drama que a cidade enfrenta.

Segundo o diretor de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), enfermeiro Leonardo Machado, este é o momento mais crítico pelo qual a cidade está passando. Faz mais de 15 dias que Gravataí não consegue transferir nenhum paciente para leitos hospitalares fora do município pelo Gerint (sistema de gerenciamento de leitos do RS). “Estamos atendendo todos os que buscam por tratamento na estrutura que montamos dentro do município. Aumentamos em 240% o número de leitos na cidade, saltando de 32 para 114. Tudo o que é possível fazer estamos fazendo, mas a doença tem apresentado um quadro mais grave e, infelizmente, tem levado mais pessoas a óbito”, explica Leonardo.

As estruturas relacionadas ao coronavírus estão superlotadas. Além do Hospital Dom João Becker (HDJB), há pacientes nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e no Pronto Atendimento Municipal (PAM) 24H. “Podemos afirmar que, neste momento, nos serviços do município de Gravataí, estamos com mais de 160 pacientes Covid positivo internados”, afirma o diretor de Urgência e Emergência.

O pedido da SMS é para que a população fique atenta aos primeiros sintomas e, com o agravamento do quadro, inicialmente, busque atendimento em uma das 29 unidades de saúde do município. “Todas as nossas unidades possuem médicos para acompanhar o caso e, se for necessário, para encaminhar o paciente para a regulação do município, para que se busque um leito”, explica o enfermeiro, lembrando que urgências e emergências de pacientes não Covid devem buscar atendimento na UPA das Moradas (ERS-020).

Reflexo da bandeira preta
O secretário municipal da Saúde, Régis Fonseca, afirma que neste momento ainda não se pode sentir os reflexos do programa de distanciamento social da bandeira preta, adotado pelo governo do Estado. “O que temos, por enquanto, é uma estabilização no número de casos, mas ainda com um patamar muito elevado. O que estamos aguardando e contando que ocorra, por conta da diminuição de circulação de pessoas, é que a curva de número de casos comece a descer nos próximos dias. Por enquanto, todas as nossas estruturas estão superlotadas”, alerta Régis.

Por conta disso, o secretário pede que a população reforce os cuidados de higiene pessoal e de distanciamento interpessoal. “Estamos no nosso limite de recursos e usando tudo o que temos para combater o vírus, mas precisamos fazer a nossa parte para que as mortes parem de crescer em Gravataí”, finaliza Régis.

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