Próxima de completar um ano de atividade em Santo Antônio da Patrulha, a Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Rurais (DECRAB) vem ampliando sua atuação no combate aos crimes praticados no meio rural. O delegado titular, Juliano Aguiar de Carvalho, destaca que, desde a instalação da delegacia especializada, o trabalho tem sido marcado pela investigação de ocorrências, busca de informações e integração com outros órgãos de segurança.
A DECRAB atende uma extensa área, abrangendo cerca de 80 municípios distribuídos pelas regiões do Litoral, Serra, Grande Porto Alegre e Vale do Sinos. Entre os municípios atendidos estão Santo Antônio da Patrulha, Caraá, São Francisco de Paula, Mostardas, Palmares do Sul, Rolante, Riozinho, Viamão, Alvorada e Nova Santa Rita, entre outros.
Segundo o delegado, o foco da unidade são os crimes rurais, especialmente aqueles relacionados ao patrimônio, com destaque para o abigeato. Casos mais graves e situações envolvendo grupos criminosos também podem ser encaminhados para investigação da delegacia.
Juliano ressalta, porém, que a DECRAB não exerce a função de Patrulha Rural. “Nós somos uma delegacia de investigação”, explica. Para ele, a futura estruturação de uma Patrulha Rural em Santo Antônio da Patrulha deverá representar mais um importante apoio ao trabalho desenvolvido pela Polícia Civil.
Registro das ocorrências é fundamental
Um dos principais pedidos do delegado à comunidade rural é que as vítimas registrem as ocorrências e forneçam o maior número possível de informações. Conforme Juliano, muitas vezes o próprio produtor deixa de comunicar o crime por acreditar que nada será feito.
Ele salienta que o registro é importante não apenas para a investigação de cada caso, mas também para que as autoridades tenham conhecimento da realidade enfrentada no meio rural e possam avaliar a necessidade de reforço de efetivo e estrutura.
O delegado também chama a atenção para a importância de informações como imagens de câmeras de segurança, identificação de possíveis suspeitos e outros elementos que possam auxiliar nas investigações. “A polícia trabalha com informações e provas”, observa, destacando que não é possível responsabilizar alguém apenas por suspeitas ou pela reputação conhecida na comunidade.
Abigeato e receptação
Sobre a incidência dos crimes de abigeato na região, Juliano afirma que é difícil estabelecer uma comparação precisa, pois o aumento dos registros também pode estar relacionado à presença e à divulgação do trabalho da DECRAB. Segundo ele, em Santo Antônio da Patrulha houve maior procura da população para comunicar os crimes.
O delegado também alerta para a responsabilidade de quem compra produtos de origem suspeita ou ilícita. Segundo ele, o combate ao abigeato passa também pela redução do mercado para esses produtos, lembrando que a aquisição de mercadorias sem a devida preocupação com a procedência pode contribuir para a cadeia criminosa.
Indiciamentos e prisões
A atuação da DECRAB já resultou em indiciamentos, prisões e buscas na região. Conforme o delegado, até agosto foram realizados oito indiciamentos pela Polícia Civil, com os respectivos procedimentos encaminhados à Justiça. No balanço do primeiro semestre, também foram registradas prisões em flagrante, incluindo uma relacionada a crime ambiental em local sob suspeita de comercialização de carne.
Juliano explica que investigações envolvendo organizações criminosas são mais complexas e podem exigir quebras de sigilo, diligências e utilização de equipamentos de inteligência. Por isso, algumas investigações permanecem em andamento por períodos mais longos até que sejam reunidos elementos suficientes.
Efetivo é um dos desafios
Outro desafio apontado pelo delegado é o efetivo. A DECRAB precisa atender uma região de aproximadamente 80 municípios, o que exige a distribuição das equipes para diferentes ocorrências.
“Esse efetivo que eu tenho aqui poderia trabalhar só em Santo Antônio, mas eu tenho que atuar em mais outros 78 municípios”, observa Juliano. Apesar das limitações, ele destaca a qualidade da equipe e afirma que a busca por reforços continuará.
Entre os municípios que atualmente concentram maior número de ocorrências está São Francisco de Paula. De acordo com o delegado, a DECRAB já realizou naquele município operações de busca, indiciamentos e prisões, sendo uma área que apresenta problemas relacionados aos crimes rurais em intensidade considerada superior à registrada em Santo Antônio.
Para Juliano, a união entre Polícia Civil, demais órgãos de segurança e comunidade é fundamental para o enfrentamento dos crimes no campo. A orientação é que as ocorrências sejam sempre registradas e que as informações disponíveis sejam repassadas às autoridades, contribuindo para o desenvolvimento das investigações.