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Cartório da Mulher atende vítimas de violência doméstica e alerta para a importância da prevenção

A violência contra a mulher continua sendo uma preocupação em todo o Rio Grande do Sul. Embora Santo Antônio da Patrulha não tenha registrado feminicídios, segundo a escrivã de Polícia Civil Saniara Steinmetz, responsável pelo Cartório da Mulher, o município apresenta ocorrências de diferentes formas de violência, entre elas ameaças, violência psicológica, injúria, perseguição, agressões e descumprimento de medidas protetivas.
Em entrevista à Folha Patrulhense, Saniara explicou que o setor concentra o atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Por isso, o volume de trabalho é elevado, exigindo atenção permanente dos profissionais da Polícia Civil.
Entre os casos mais frequentes estão a violência doméstica, as ameaças e o descumprimento de medidas protetivas. A escrivã observa que a maior facilidade de acesso à delegacia, localizada na região central, contribui para o registro das ocorrências. No interior, porém, muitos casos podem permanecer sem denúncia, situação conhecida como cifra oculta da criminalidade.

Violência começa antes da agressão física
Saniara chama a atenção para o fato de que a violência contra a mulher nem sempre começa com agressões físicas. Muitas vezes, o processo se inicia com humilhações, ofensas, ciúmes excessivos, tentativas de controle e atitudes que prejudicam a autoestima da vítima.
Segundo ela, esse comportamento pode evoluir para ameaças e agressões, formando o chamado ciclo da violência. Após um episódio, o agressor pode prometer que não voltará a agir daquela maneira, levando a mulher a dar uma nova oportunidade ao relacionamento. Dependência financeira e emocional, além da preocupação com os filhos, estão entre os fatores que dificultam o rompimento.
A escrivã também ressalta que a violência ocorre em diferentes classes sociais. Em sua avaliação, o receio de exposição e as preocupações com a imagem pública podem fazer com que algumas vítimas deixem de procurar a polícia.
Sobre as medidas protetivas, Saniara explica que, em determinadas situações, a continuidade da investigação e do processo não depende exclusivamente da vontade da vítima após o registro da ocorrência. A possibilidade de desistência varia conforme o tipo de crime e as regras legais aplicáveis.
Ela também considera importante o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores. O sistema estabelece áreas de exclusão e permite alertar as autoridades quando há aproximação indevida da vítima, possibilitando a atuação da Brigada Militar.

Prevenção começa na família e na escola
Para Saniara, o enfrentamento da violência exige mais do que punição. É necessário investir na educação, no respeito às diferenças e na capacidade de resolver conflitos sem agressões ou ofensas.
A escrivã realiza palestras em escolas de Santo Antônio da Patrulha e Caraá, abordando a prevenção da violência, os riscos nas redes sociais, os relacionamentos abusivos e a responsabilidade dos adolescentes por seus atos.
Ela orienta os jovens a ficarem atentos a sinais de controle nos relacionamentos, como ciúmes excessivos, exigência de senhas de celular e tentativas de determinar as roupas que a outra pessoa pode usar.
Saniara também demonstra preocupação com os casos envolvendo crianças e adolescentes, especialmente as situações de violência sexual, maus-tratos e abandono. Segundo ela, diferentemente dos adultos, as crianças dependem de outras pessoas para reconhecer o problema e buscar ajuda.
Nesse sentido, considera fundamental fortalecer a rede municipal de proteção, para que qualquer pessoa que receba o relato de uma criança saiba como encaminhar a denúncia às autoridades competentes.
O atendimento aos idosos, incluindo denúncias de abandono e maus-tratos, também faz parte das atribuições do cartório, com apoio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
Falta de efetivo preocupa
Um dos principais desafios apontados pela escrivã é o número reduzido de policiais para atender às demandas de Santo Antônio da Patrulha e Caraá. Conforme Saniara, ela é a única policial dedicada exclusivamente a esse trabalho específico, que abrange diferentes grupos vulneráveis.
A profissional destaca que a sobrecarga dificulta o atendimento de todas as situações com a rapidez e a atenção necessárias. Por isso, defende o reforço do efetivo da Polícia Civil no município.
Para Saniara, a prevenção continua sendo o caminho mais importante. Ela entende que a família tem papel fundamental na formação dos filhos, ensinando valores como respeito, responsabilidade e limites, enquanto a escola contribui com a orientação e a educação.
“Se a gente for só punir, não vai ter estabelecimentos suficientes para todos”, alerta, ao defender ações permanentes de conscientização.

Como buscar ajuda
A escrivã orienta que, em situações de violência em andamento ou de perigo imediato, a vítima deve ligar para o 190, acionando a Brigada Militar. Nos casos em que a violência ocorre de forma continuada, a recomendação é procurar a delegacia para registrar a ocorrência e solicitar medida protetiva, quando cabível.
O Disque 180 também é um canal para denúncias de violência contra a mulher.
Saniara reforça que a informação, o acolhimento e a denúncia são fundamentais para interromper situações de violência. Para ela, investir na prevenção e garantir condições adequadas de trabalho aos profissionais responsáveis pelo atendimento são medidas indispensáveis para proteger mulheres, crianças, adolescentes e idosos.

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