ABIGEATO: Inspetor-Chefe da DECRAB fala sobre combate aos ladrões de gado, inclusive em SAP e região

Os pecuaristas têm enfrentado ao longo dos anos, um sério problema em suas propriedades, que são invadidas por criminosos para o furto de cabeças de gado. Este problema tem sido frequente, inclusive em Santo Antônio da Patrulha, em municípios no Litoral Norte e em todo o Estado.
O Inspetor Patrício Antunes, que chefia a DECRAB (Delegacia Especializada em Combate a Crimes Rurais e Abigeato), primeira do gênero no combate à esta modalidade de crime e que está localizada em Bagé, disse à FOLHA PATRULHENSE que no início de 2016, quando o Estado atingia números alarmantes com 10.500 ocorrências somente naquele ano, a Polícia Civil começou, aos poucos a desarticular as organizações criminosas até que em 2018 o trabalho deixou de ser temporário, transformando-se na primeira delegacia especializada em crimes rurais e abigeatos no país. Depois surgiram outras delegacias com a mesma finalidade. O trabalho se intensificou até que em 2021 os casos tiveram uma redução de 50 por cento.

EM SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA
“No que se refere a SAP nós, enquanto delegacia especializada realizamos várias operações, inclusive a maior operação em número de presos ocorrida em 2019, denominada Patrulha, quando foram presos 30 indivíduos que atacaram produtores rurais”, acrescenta o Inspetor de Polícia que chefia aquela especializada em Bagé.
Aliado ao abigeato há o furto e roubo de defensivos agrícolas e maquinários, mas no caso de Santo Antônio o flagelo que traz vários transtornos rurais é o do abate a campo dos animais.
“Devido à ação da Polícia aconteceu uma redução nesses crimes, porém, para nossa infelicidade, os indivíduos que foram presos, terminaram ganhando a liberdade na Justiça pelo entendimento de alguns magistrados de que esses criminosos podem responder a esses crimes em liberdade, mas o que ocorre é que terminam retornando à prática nos campos”. Patrício Antunes acrescenta que em toda esta atividade contra os crimes rurais, há o importante apoio, além dos demais colegas da Polícia Civil, da Brigada Militar e do Ministério Público.

OS NÚMEROS
De acordo com levantamento feito pelo Inspetor Patrício, em Santo Antônio da Patrulha, os números foram os seguintes:
Em 2018 foram furtados 27 animais, em 2019, 22, em 2020 27, e em 2021 32 animais. E este ano, até agora, houve 12 casos ocorridos nas últimas semanas.

CRIME CONTRA A SAÚDE
O policial revelou um dado preocupante: muitas vezes os abigeatários transportam em caminhonetes fertilizantes mal acondicionados e que terminam vazando das embalagens e no mesmo local é colocada a carne dos animais abatidos, como aconteceu há três semanas quando o grupo chefiado por Antunes se confrontou com um grupo criminoso, sendo comprovado que transportava o produto recém abatido numa caminhonete que levava defensivos. E essa carne é entregue em açougues, sendo que a população sem nada saber, a consome podendo sofrer graves problemas de saúde. “Por isso, este crime vai muito além do prejuízo financeiro para os criadores, porque terminam também se constituindo num grave problema de saúde pública”, alerta Antunes.

TIPOS DE ABIGEATO
Explica o chefe da DECRAB que existem dois tipos de abigeato: Há dois tipos de abigeato: o da modalidade de carneada (os animais são carneados a campo) que são os casos verificados em Santo Antônio e o furto de gado em pé, quando são transportados vivos, geralmente causando grandes prejuízos aos produtores rurais. Revela Patrício que há casos de criadores que perderam de 17 a 22 animais. Em em 2020, numa ação da DECRAB, felizmente conseguimos recuperar o gado da vítima, e devolvê-lo, mas isso nos causa muita preocupação, porque há casos de furto de várias cabeças que terminam “quebrando” o produtor. E existe também o chamado furto formiguinha, que é quando é abatido um único animal para ser comercializado na cidade, tanto sendo gado, como ovinos.

ALERTA
Por isso, o alerta do policial é no sentido de que as pessoas sempre desconfiem de elementos estranhos próximo às suas propriedades. Na dúvida, liguem para a Polícia, pois é melhor prevenir, do que remediar. Por fim, uma orientação muito importante: vigilância em suas propriedades, com a instalação de câmeras, pois isso dificulta a ação dos abigeatários.

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