O Jornal Zero Hora publicou reportagem sobre o processo que está sendo realizado para apurar possível compra de votos, prática na qual o vereador Fabiano Santos, do Republicanos de Caraá, está envolvido.
Eis o teor da reportagem:
“Mais de 20 pessoas, que residem em Caraá, declaram ter vendido apoio nas urnas para o vereador mais votado em 2024, Fabiano Santos (Republicanos). Os depoimentos constam de inquérito aberto pela Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de corrupção eleitoral. O político também é alvo de pedido de cassação da sua eleição por parte do Ministério Público Estadual. A ação de investigação judicial eleitoral, movida pelo promotor de Justiça Camilo Vargas Santana, é por abuso de poder e captação ilícita de sufrágio. Caso condenado, o vereador pode ser cassado e ficar inelegível por oito anos.
Fabiano Santos é servidor público municipal e operador de máquinas. Conforme depoimentos à PF, ele teria prometido a eleitores ajuda em horas-máquina pagas pela prefeitura, além de construção de açudes e estradas de roça. Há ainda indícios de que Fabiano (como é conhecido na cidade) teria pago por votos em Pix.
O GDI obteve cópias de diálogos por WhatsApp entre moradores de Caraá e o vereador. Numa das conversas, uma eleitora se oferece para conseguir dois votos em Fabiano (dela e de uma amiga), desde que ele consiga ajuda. Fabiano pergunta “Quanto?”, ela responde “300” para ela. O candidato baixa a oferta para R$ 300 pelos dois votos e ela aceita. Depois exibe o pix recebido em nome dele. A reportagem conversou com ela, que confirma ter recebido o dinheiro do vereador.
- Eu sou uma dentre mais de 40 que foram prestar depoimento, confirmando que venderam voto. Em dinheiro e material para casa – declara.
Outra eleitora, dona de casa, diz que recebeu R$ 150 em Pix. Afirma que escutou comentário que Fabiano estava pagando por voto. Uma amiga recebeu o Pix e repassou a ela, declara. - Pobre precisa de dinheiro, né… Aqui sempre deu compra de voto. Todas eleições é assim. Não tem risco de eu ser presa, né? Porque aí vai ter que precisar de um ônibus para levar essa cambada de gente, pelo amor de Deus – justifica ela.
O Ministério Público estuda propor suspensão do processo judicial aos vendedores de voto que colaborarem com a investigação.
A PF já tomou cerca de 80 depoimentos e também, com mandados judiciais, realizou busca e apreensão na residência, na Secretaria de Agricultura e em empresas de terraplenagem de familiares de Fabiano.”