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TRAGÉDIA DE GLORINHA Inquérito encaminha-se para sua conclusão

TRAGÉDIA DE GLORINHA Inquérito encaminha-se para sua conclusão

Praticamente três meses depois do acidente ocorrido em 06 de janeiro deste ano no km 117, em Glorinha, o inquérito para apurar as causas que levaram à morte oito pessoas, está se encaminhando para a sua conclusão.

Ao fornecer essa informação, a escrivã de Polícia do município de Glorinha, Luciane, acrescenta que restam ainda cinco oitivas a serem feitas (a ordem em que devem ser interrogadas as pessoas envolvidas num processo), além do que, quatro pessoas ainda não foram localizadas e falta ainda a remessa de sete autos de necropsia a serem anexados ao inquérito.

Existe a suposição, não confirmada, de que duas pessoas ainda estariam hospitalizadas.

O inquérito deverá ter dois volumes e, aproximadamente, 400 páginas. O que se sabe de concreto até agora a respeito das causas que provocaram o acidente é que, conforme a Perícia técnica, o ônibus estava a 102 km/h com o pico de 118 km por hora, que foi quando as rodas, após o tombamento, perderam a aderência ao solo, continuando a girar, aumentando assim a velocidade que foi registrada pelo tacógrafo.

O inquérito fechará três meses na segunda-feira (06/04) e está sendo presidido pelo delegado Anderson Spier, titular da 3ª DP de Gravataí (homicídios) e respondendo, também, pela DP de Glorinha.

 

O sofrimento de Patrícia e de seu filho

     

Eles foram vítimas do acidente com ônibus da Unesul em janeiro que matou oito pessoas

 

Patrícia Machado Gomes (38) continua sentindo dolorosamente os efeitos do acidente. Dele, nada lembra porque sofreu profundo corte no lado esquerdo da cabeça. É como se sua vida fosse interrompida naquela tarde ao adormecer na poltrona logo que o ônibus saiu de Gravataí e só acordar muitos dias depois numa cama do hospital, onde esteve internada. Foi como se tivesse sofrido um bloqueio cerebral e os médicos afirmam que não está afastada a possibilidade de que ela recupere totalmente a consciência, mas Patrícia prefere que isso não ocorra para não lembrar aqueles momentos de pavor. “Prefiro nem ver as fotos do acidente”, afirma ela, ao conversar com a reportagem da Folha Patrulhense  em sua casa, na localidade de Lomba Vermelha onde, aos poucos, busca retomar a vida o mais normal possível. Tendo o braço direito amputado, além de vários cortes por todo o corpo, o maior sofrimento para Patrícia foi ver, depois que recebeu alta no dia 31 de janeiro, seu filho de um ano e sete meses, não mais a aceitando. “Só depois de muita paciência e carinho é que reconquistei a confiança dele”.

 

Pedido

 

Ela recorda que antes do veículo tombar em Glorinha, quando o motorista passava pela praça existente  na frente do Hospital Dom João Becker, em Gravataí, chamou a cobradora para pedir que ele diminuísse a velocidade. A profissional disse que mais pessoas haviam pedido isso e ela iria apelar para que ele fosse mais devagar. Instantes depois, ela voltou até a poltrona de Patrícia para dar o recado. “Ele disse que o motorista era ele e que sabia muito bem o que estava fazendo.” Pouco tempo depois, ela adormeceu.

 

Enxerto

 

Para recuperar o ferimento no que restou de seu braço, os médicos tiveram que efetuar um enxerto, retirando partes do lado interno da coxa direita.

Seu bebê foi levado para outro hospital e ele, que já tinha problemas devido a convulsões que sofria e que era tratado na APAE, ficou ainda mais abalado. Aliás, a mãe estava retornando de uma consulta em Porto Alegre quando aconteceu o acidente.

O garotinho sofreu tamanho abalo que, depois da alta, tinha medo de ficar em pé, só readquirindo a  confiança depois de muita dedicação dos familiares.

Patrícia está se submetendo a sessões de fisioterapia com a finalidade de se adaptar à nova e dura realidade. Desde que chegou em casa, até fevereiro, o enfermeiro Marzo Rivero foi o responsável pela assistência à Patrícia.

Quanto à assistência da empresa, ela afirma que a Unesul sempre tem se mostrado solícita enviando carro para o seu transporte e pagando, inclusive, a medicação. No entanto, a queixa é em relação à seguradora da empresa. Ela afirma que sempre que é necessária alguma coisa, há muita burocracia. Outro problema que ela enfrenta é em relação ao seu filho. Ela quer que a seguradora dê o necessário apoio, mas a resposta é de que isso só é possível em relação a ela.

De qualquer forma, afirma que pretende constituir advogado para a questão da indenização a que ela, como passageira, bem como seu bebê, tem direito.

 

Prótese

 

Patrícia já começou os exercícios para a utilização de uma prótese que a auxilie, pelo menos na questão de apoio, sempre que se deslocar para não sofrer quedas. O processo é lento e longo. Mas se vê nela uma disposição: vai buscar superar cada obstáculo para ter uma vida o mais normal possível.

 

Preferiu o silêncio

 

Procurado pela reportagem, Cláudio Martins dos Santos que também sofreu amputação em um braço além de outros ferimentos, agradeceu a lembrança, mas disse que preferia não se manifestar sobre o acidente.

 

Unesul 2

TEXTO/FOTOS:  Hermógenes Silveira



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