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TRAGÉDIA DA UNESUL

TRAGÉDIA DA UNESUL

São oito os mortos do pior acidente dos últimos tempos na ERS-030

 

Chegou a oito o número de mortos em decorrência de um dos piores acidentes já ocorridos nos últimos anos, na estrada velha (ERS-030), em Glorinha.

Alice Terezinha Rodrigues, 61 anos, morreu no domingo (11), na UTI do Hospital Dom João Becker, em Gravataí, onde estava internada desde terça-feira. Ela era natural de Cachoeirinha. Naquele hospital, seguem ainda internadas mais quatro pessoas (esse era o número até o fechamento desta edição).

No sábado, 10, morreu o motorista da prefeitura de Santo Antônio, João Flávio dos Santos, o Flavinho, que também estava internado naquela casa de saúde.

 

:: A morte de Flavinho

 

João Flávio Silveira dos Santos, o popular Flavinho, era um homem querido por todos, pois costumava brincar com os amigos, que nunca o viram com semblante triste.

Motorista da Prefeitura de Santo Antônio, ele foi, no dia da tragédia, a Gravataí para um compromisso particular.

Gravemente ferido (lacerou o braço direito, além de ferimentos internos), Flavinho foi levado para o Hospital Dom João Becker, onde morreu no último sábado. Seu falecimento foi muito sentido por amigos e colegas.

 

Irmã Blandina: “Lei do cinto foi feita para ser obedecida”

 

Bem mais calma, depois de ter visto Irmã Cláudia sem um braço ao seu lado, Irmã Blandina (74) disse que o cinto de segurança foi feito para ser usado. “Se existem leis, temos que obedecê-las”, disse a religiosa, com a voz calma de sempre.

Ela ficou presa ao cinto de segurança e possivelmente foi isso que a impediu de ter ferimentos graves ou até mesmo fatais. Com apenas um hematoma no braço direito, ela ainda não consegue acreditar como as outras pessoas que estavam no corredor e nas poltronas do outro lado do ônibus não caíram em cima dela.

“Um motorista me ajudou e queria que eu saísse, mas eu disse que minha irmã estava ao meu lado e eu não conseguia encontrá-la”, recorda. Em seguida, ela visualizou a Irmã Cláudia inconsciente entre o banco e a grama do barranco, já que, com o impacto, os vidros das janelas se partiram e o ônibus ainda se arrastou por cerca de 50 metros no barranco ao lado da rodovia.

Ela procura não falar em culpados, mas lembra que o ônibus “dançou umas três ou quatro vezes” para depois tombar. Quando lembra a visão da tragédia, uma cena de tristeza passa sobre seus olhos.

Aos poucos, ela vai retornando às suas atividades normais no Colégio Santa Teresinha, onde está há três anos.

 

“Acordei com o tombo”

 

Vera Regina Soares estava no ônibus da Unesul linha Porto Alegre-Tramandaí. Ela conta que dormiu logo depois do embarque.

Viajava no último banco e acordou com os solavancos do ônibus que estava tombando. “Me segurei para não cair como os outros e vi pessoas gritando por socorro”. Mesmo assim, ela ficou machucada, sem ferimentos expostos. Ela conta que viu quando o motorista de outro ônibus que fazia o percurso contrário entrou no coletivo acidentado para prestar socorro.

O marido, Rubens Souza, é caminhoneiro e estava em Piên, no Paraná, quando recebeu uma ligação de Vera Regina falando sobre o acidente. “Fiquei desesperado e só deixei a carga no destino, carreguei outra e retornei”, afirma, agora ao lado da mulher.

 

Bebê de um ano e quatro meses teve fratura no fêmur e mãe perdeu um braço

 

O pequeno João Manuel Gomes Pires (um ano e quatro meses) sofreu fratura no fêmur esquerdo, além de escoriações. Ele estava no colo da mãe, Patrícia Machado Gomes (38), que sofreu amputação num dos braços. A criança foi operada e já está na casa do pai, Alexandre Pires (38), na estrada da Boa Vista, na localidade de Lomba Vermelha, próximo à sede de Santo Antônio da Patrulha.

Alexandre, que é caminhoneiro, tem vivido os dias desde o acidente entre Porto Alegre e Santo Antônio para dar apoio à sua família. Com ele estão em casa a sogra, o cunhado e duas filhas do primeiro casamento, que o ajudam a manter a casa, inclusive no apoio à pequena vítima, que está imobilizada pelo gesso da cintura para baixo.

“Fico muito triste porque essa situação não é nada fácil”, desabafa para, em seguida, cobrar uma atitude da Justiça em relação ao motorista: “Tem que tirar tudo dele para que não mais dirija, porque ninguém vai trazer de volta o braço de minha mulher”.

 

Socorrista do Grave atendeu a própria mãe no acidente

 

O que a socorrista Kerolen Barbosa viu naquela tarde de seis de janeiro, na Parada 117, em Glorinha, jamais irá esquecer. Era como se tivesse ocorrido um atentado com pessoas com braços mutilados, gritando de dor, umas inconscientes e outras ainda atrapalhadas por não entender o que havia acontecido. E mais: entre os passageiros, estava sua mãe, que havia ligado às 13h51min para ela informando do acidente, mas tranquilizando a filha de que nada de grave ocorrera com ela.

Kerolen, que é socorrista do GRAVE, imediatamente acionou seus colegas e foi a primeira profissional a chegar ao local. “Fui a primeira pessoa do socorro a chegar, a cena era de terror, com múltiplas vítimas me pedindo ajuda”. Ao ver que a mãe estava bem, pediu que ela sentasse no barranco enquanto ela iria ajudar as vítimas do desastre.

Ela relata que a cena era tão macabra que até socorristas e bombeiros se sentiram mal, inclusive por causa do forte calor daquela tarde.

Kerolen aproveita para colocar o GRAVE (Grupo de Resgate e Apoio Voluntário de Emergência) à disposição de interessados que queiram se somar aos que nele atuam. O telefone de emergência é 8181-7335 e a sede do GRAVE fica ao lado da Padaria Silva, em Glorinha.

 

Motorista teve dificuldades para equilibrar o ônibus

 

Veridiana da Silva Monticelli (26) seria a única passageira que comprou o bilhete de passagem com seguro. Ela cuida da mãe internada na PUC e os constantes deslocamentos entre Porto Alegre e Santo Antônio deixam-na esgotada. Não foi diferente naquela terça-feira, quando ela apanhou o ônibus do meio dia na rodoviária de Porto Alegre e dormiu em seguida. Ela, que se encontrava na poltrona cinco, logo atrás dos bancos ocupados por Irmã Cláudia (morta no acidente) e Irmã Blandina, foi vencida pelo cansaço das noites em claro, adormecendo imediatamente.

“Acordei em Glorinha com o ônibus sacolejando e vi que o motorista estava tendo dificuldades para equilibrá-lo”, conta. A passageira disse que a cobradora, solicitada por outras pessoas, foi até o motorista pedir que ele diminuísse a velocidade, mas ele teria sido ríspido com ela. “Ele demonstrou uma frieza muito grande e disse que não adiantava eu chorar naquele momento”.

Veridiana teve tanta sorte que sequer o óculos de sol, que estava em sua cabeça, caiu. Depois que se recompôs, chegou a ajudar algumas pessoas a sair de dentro do veículo, até que chegou o socorro.

“Muita gente estava em estado de choque, pois não estava entendendo o que havia acontecido”. Hoje, ela ainda não consegue dormir direito porque “cada vez que fecho os olhos, surge aquela imagem terrível do desastre”.

Veridiana esteve na DP de Santo Antônio no sábado (9): queria saber como se orientar a respeito do seguro da passagem que ela havia comprado para aquela fatídica viagem. Ocorre que a Unesul mudou a empresa seguradora, que não é mais a Confiança e, sim, a Essor. Porém, a Rodoviária de Porto Alegre ainda não efetuou a troca da seguradora nos bilhetes. Mas a Assessoria de Imprensa assegura que os passageiros não precisam se preocupar porque todo o suporte está sendo dado, inclusive no que se refere ao seguro.

A UNESUL – acrescenta – fez o levantamento em todos os hospitais, conversando com as famílias e dando total assistência aos atingidos nesse acidente.

 

Essor esclarece

 

A Essor Seguros esclarece que a filosofia da empresa é, primeiro, atender as vítimas para depois ver o aspecto financeiro do seguro propriamente dito. Mas ninguém ficará sem a cobertura necessária.

De todos os acidentados, restam quatro que ainda não mantiveram contatos e, por isso, o número da seguradora é colocado à disposição para que a empresa converse pessoalmente com essas pessoas: 3242-0088.

 

Vítimas foram sepultadas com grande acompanhamento

 

As vítimas que morreram no tombamento do ônibus da Unesul foram sepultadas na tarde de quarta-feira (7).

Irmã Cláudia foi velada na Igreja Matriz com a presença inclusive da Superiora Provincial Irmã Cecília Martinelo e de outras religiosas. Todos lamentaram a morte de Irmã Cláudia, que tinha 81 anos, tendo passado a maior parte de sua vida em Santo Antônio, dedicando-se a obras sociais, especialmente à Pastoral da Criança, que ela fundou em Santo Antônio por inspiração de Zilda Arns Neumann, que agora está em processo de beatificação pela Igreja Católica.

Ela foi sepultada no jazigo nas Irmãs Escolares de Nossa Senhora no cemitério local, onde também foram enterradas as outras três vítimas: a enfermeira Carmem Geralda dos Santos (57), cuja morte foi também muito lamentada e que havia antecipado o horário de volta de Porto Alegre, preferindo vir no pinga-pinga que sairia ao meio dia, em virtude do seu horário na Casa Geriátrica João Paulo II, já que o direto só sairia às 14 horas.

Nair dos Santos Silva (69) foi a Porto Alegre com a filha Priscila da Silva Barbosa (28). A morte de ambas foi sentida inclusive pela APAE, onde a jovem havia estado durante algum tempo. A presidente da APAE, Teresinha Cardoso da Silveira, emocionada, elogiou Priscila e Nair, que, na realidade, era avó da jovem, mas que aprendeu a chamá-la de mãe.

“Apesar de portadora de deficiência leve, ela era amiga de todos e por isso os colegas simpatizavam com ela”. Ela também elogiou a participação de Nair na educação de Priscila. “Além de boa dona de casa, era quem cuidava da filha”.

Ana Maria Machado da Silva é professora no Neja e disse que Priscila “era muito vaidosa, querida, dinâmica e boa colega”.

Priscila foi casada por cerca de sete anos com o também ex-aluno da APAE Adair José de Fraga, deixando uma filha de sete anos que teve com ele.



A Falcon5M foi criada em Porto Alegre para o Brasil todo a partir da união entre as empresas W5M Comunicação e Falcon Designer, ambas com ampla experiência de 6 anos no mercado.