Gêmeos Barbieri estão vivendo e trabalhando com Música em Portugal | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Gêmeos Barbieri estão vivendo e trabalhando com Música em Portugal

Gêmeos Barbieri estão vivendo e trabalhando com Música em Portugal

Na sequência de reportagens internacionais abordando o dia a dia de patrulhenses que estão no exterior, voltamos à Portugal, onde encontramos os gêmeos Giordanno e Giovanni. Ambos buscam aperfeiçoamento na profissão que abraçaram: a Música. Nesta semana, conversaremos com Giordanno Barbosa Barbieri que está em Lisboa desde abril de 2018.
FOLHA PATRULHENSE: O que te levou a ir para Portugal?
GIORDANNO BARBIERI: Vim fazer Mestrado na Escola Superior de Música de Lisboa, mas acho que também existem outros motivos pelos quais estou estudando e trabalhando fora do Brasil. O primeiro é a valorização profissional na minha área, que aqui é muito maior. O segundo é a qualidade de vida (segurança, saúde, etc). Acho que aqui a sociedade já conquistou alguns direitos que ainda almejamos conquistar no Brasil.
FOLHA: A permanência nesse país é temporária, ou não?
GIORDANNO: Infelizmente não me vejo mais trabalhando com música no Brasil, portanto, voltar não é uma opção pra mim, pelo menos por enquanto.
FOLHA: Como tem sido a receptividade do povo português?
GIORDANNO: Muito boa, os portugueses são muito acolhedores, e além disso, adoram o Brasil e a nossa cultura. Consomem todo o tipo de entretenimento vindo daí, e por serem bem menores muitas vezes nos tomam como referência em várias áreas, inclusive na música.
FOLHA: Nosso idioma tem variações se compararmos ao português, de Portugal. Os lusitanos falam mais rápido. Isso, de certa forma dificultou a comunicação quando vocês aí chegaram?
GIORDANNO: Nunca tive dificuldades, talvez porque tenha convivido com portugueses desde o início. Uma vez ou outra já tive dificuldades ao falar no telefone, mas nada que impossibilitasse a comunicação.
FOLHA: E agora a COVID-19: Deves saber que o nosso Brasil infelizmente bate um triste recorde: 100 mil mortos. Me parece que Portugal soube administrar essa situação desde o começo. Como estás vendo esse quadro?
GIORDANNO: Aqui cumpriu-se a quarentena desde o início. Não houveram opiniões contrárias ao lockdown, como ocorre aí. Nas últimas semanas têm sido infectadas de 100 a 150 pessoas por dia no país inteiro.
FOLHA: Sobre o número de óbitos: estacionaram ou continuam acontecendo?
GIORDANNO: Estão muito baixos. Nas últimas semanas são menos de 5 por dia.
FOLHA: em relação à música, que é a tua atividade profissional e de teu irmão, como vês este aspecto por parte do português. Ele valoriza o seu passado que é bastante rico?
GIORDANNO: Em relação à valorização da cultura, mais precisamente da música, que é a minha área valoriza bastante. Valoriza não só a música daqui (fado) como a de outros países colonizados por eles. Aqui, além da indústria de música e de músicos brasileiros, há um universo bem grande de música africana oriunda dos países lusófonos daquele continente (Angola, Cabo Verde, Moçambique, etc). Também há muitos teatros espalhados por toda a cidade, estes inclusive já estão funcionando com as devidas restrições de distanciamento social. Eu mesmo trabalho em muitos musicais por aqui, inclusive reestreio em um no início de setembro.
FOLHA: O português em relação ao próximo: é solidário como a gente vê aqui no Brasil? Por exemplo: surge a necessidade de pedir o apoio da população, ele responde positivamente?
GIORDANNO: Sim, são muito solidários. Eu já vivi nos Estados Unidos, e se fosse comparar, diria que as pessoas aqui não são tão “aflitas” por dinheiro como lá. Na minha opinião existe em Portugal uma cultura de se ajudar sem esperar nada em troca, mas esse é o meu modo de ver de acordo com as minhas experiências. Além disso, aqui não é necessário ganhar muito dinheiro para se ter uma vida confortável, existem muitos serviços públicos gratuitos e de qualidade.