Infectologista patrulhense fala sobre o Coronavírus | 2M Notícias

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Infectologista patrulhense fala sobre o Coronavírus

Infectologista patrulhense fala sobre o Coronavírus

O Infectologista patrulhense, dr. Sérgio Luiz Castro conversou com a reportagem sobre a situação provocada pelo novo Coronavírus

FOLHA PATRULHENSE: Qual a sua opinião, como infectologista, sobre o quadro atual da virose provocada pelo coronavírus?
SÉRGIO CASTRO: O quadro atual que se transformou em pandemia é gerado por um tipo de vírus que faz parte da família coronavírus. Pandemia é a denominação que se dá a uma infecção que ao surgir cresce de forma exponencial, rápida e descontrolada, podendo atingir a população mundial. O quadro atual, dessa virose, assume características de gravidade que dependem de vários fatores, individuais e de controle pelas autoridades de saúde, com políticas adequadas e de difícil tomada de posições como a paralisação de atividades humanas, já que o afastamento social (isolamento preventivo, quarentena), faz parte de medidas a serem tomadas. Foi inicialmente denominado COVID-19 e agora pela gravidade e extensão SARS-COV-2. A família do coronavírus, conhecida desde os anos sessenta do século passado, está presente, com alguns dos seus tipos e subtipos, em resfriados comuns. Essa família, com o tipo denominado SARS-COV-1, em 2002, esteve provocando epidemia na China como o tipo denominado MERS (síndrome do oriente médio), na região do oriente médio em 2012. Como virose, não há tratamento específico. A vacinação é a forma mais adequada de tratamento, pois estabelece imunidade. A vacina contra esse tipo de coronavírus surgirá aproximadamente dentro de 12 e 18 meses. Existem alguns fármacos que foram e estão sendo usados em casos graves e extremos. Como azitromicina + hidroxicloroquina, lopinavir + ritonavir e outros antiretrovirais, ainda não aprovados pelas autoridades competentes, pois requerem estudos cientificamente adequados.
A doença pelo que se sabe, até o momento, é de propagação fácil, acometendo seres humano de forma assintomática ou de forma muito leve – tipo resfriado (80%) até formas moderadas a graves (15%) e gravíssimas (5%) com risco de óbitos.
O diagnóstico é feito por sinais e sintomas da doença e por suspeita de contatos. Quando não há possibilidade de relacionar-se a origem da doença ela assume a característica de comunitária. O diagnóstico definitivo, no momento, é feito pelo teste denominado RT-PCR, de secreção nasal e/ou orofaringe – garganta. As pessoas acometidas pela doença apresentam desde sinais e sintomas de resfriado simples até, conforme a gravidade, febre, tosse, dor de garganta (odinofagia), mal-estar e dores – dor de cabeça, dor muscular e articular. O tratamento, até esse momento, consiste em realizar repouso (isolamento social – quarentena), tratar a febre com antitérmico, alimentar-se de forma saudável e hidratar-se. Procurar, se necessário, o médico de sua confiança. Quando surgir falta de ar (dispneia), esse é sinal de gravidade, o que exige atendimento médico, inclusive hospitalar. Pode tratar-se de pneumonia, diagnóstico de pior prognóstico. Essa virose não acomete animais domésticos e outros.
FOLHA: Há riscos de muitas mortes com a aproximação do inverno?
SÉRGIO CASTRO: Essa virose, transformada em pandemia, dever seguir o gráfico das epidemias, com duração de aproximadamente 3-4 meses, com um pico dentro de 1 mês e meio e 2 meses. A partir do momento em que mais da metade da população é atingida, começa o decréscimo do número de casos (o que corresponderá à estação outono), comumente o inverno, devido à temperatura e à umidade, predispõe a resfriados e gripes. Os sinais e sintomas da virose provocada pelo coronavírus são muito semelhantes, devendo ocorrer situações que dificultarão o diagnóstico etiológico. Pelo fato da doença ser provocada por um tipo novo da família coronavírus, não totalmente conhecido, não há como realizar afirmações em relação direta a aumento de mortes no inverno. Creio que o prognóstico de duração da doença, independente da estação, é o seguimento das curvas de epidemia, acima descrito. Independente da estação do inverno, os casos graves deverão manter-se no percentual já descrito. Existe maior gravidade entre imunodeprimidos, em radioterapia ou quimioterapia, portadores de HIV-SIDA, diabéticos, cardiopatas, pneumopatas, tabagistas, portadores de câncer e de patologias debilitantes. As crianças com menos de dois anos merecem atenção, mesmo sem descrição de muitos casos atingidos por esse vírus e as gestantes. Cuidados, também, deve ter-se com paciente habitantes de lar de idosos, presídios e outros locais de reclusão. É importante salientar, em relação a pergunta, a importância da vacinação contra a gripe.
FOLHA: Sua opinião sobre a manutenção de todos em casa, no momento em que há explosão do vírus. Isso é viável?
SÉRGIO CASTRO: A prevenção de entrada do vírus em determinado espaço geográfico depende de várias atitudes sincronizadas, da higiene adequada, do desenvolvimento e capacidade econômica de um país em proporcionar insumos de proteção e tratamento, do desenvolvimento socioeconômico da população, da capacidade de entendimento das pessoas, que devem evitar pânico, devem utilizar os recursos oferecidos com discernimento e terem a capacidade de não serem influenciadas por informações falsas ou tendenciosas, que muitas vezes buscam interesses pessoais e até políticos, utilizando-se do medo, da insegurança e do sofrimento humano, natural, em momentos como esse, e do isolamento adequado da população, preventivo e quando doente.
Numa situação de pandemia, em relação ao isolamento, que é necessário, creio ser utópico determinar, quando, se parcial ou total e, por quanto tempo exato, o mesmo será indispensável. A pandemia já existe, há pacientes, em razão da imunidade inata, que permanecem assintomáticos ou com sintomas pouco perceptíveis, que já transmitem a doença. Para cada doente há no mínimo dois contaminados. Não há como estabelecer isolamento de todos. Por exemplo, médicos, enfermeiros, paramédicos, pessoas ligadas a esses serviços, caminhoneiros, serviços essenciais e policiais das diversas áreas continuam no exercício das suas funções e por mais que se protejam põem em riscos familiares, devendo ocorrer problemas sociais e econômicos imediatos.
FOLHA: Principais cuidados que as pessoas devem ter.
SÉRGIO CASTRO: Evitar o pânico, cuidados de higiene pessoal e dos ambientes que habitam, lavar as mãos e os antebraços com água e sabão frequentemente. Havendo disponibilidade, usar álcool gel a 70%, manter os ambientes bem ventilados e abertos; ao tossir, usar uma etiqueta, tipo lenço descartável e até a dobra do cotovelo. As partículas expelidas pela tosse, pelo ato de falar ou espirrar aerolizam os ambientes e podem grudar em superfícies, por tempo ainda não totalmente determinado; limpeza dos locais com hipoclorito de sódio, álcool ou água e sabão, banhos mais frequentes, trocar as roupas usadas que devem ser protegidas e não serem misturadas com outras peças, cuidado com os sapatos, que devem ser mantidos num determinado espaço, evitar aglomerados e locais públicos, guardar, sempre que possível, distância entre um e dois metros entre uma e outras pessoas, quando ao uso das máscaras, em um primeiro momento, devem ser usadas de forma adequada, com trocas frequentes, pelos profissionais em atendimento ou pessoas contaminados pelo vírus. Caso haja sinais e sintomas típicos em determinados pacientes, usá-las; ao colocá-la lavar as mãos e após retirá-la, igualmente. Para desprezá-la, após o uso, colocá-la para descarte em um saco bem vedado.




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