Renata Costa fala sobre Londres, onde vive há vários anos | 2M Notícias

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Renata Costa fala sobre Londres, onde vive há vários anos

Renata Costa fala sobre Londres, onde vive há vários anos

Na semana passada a Folha Patrulhense conversou com Carla Costa que, com sua irmã Renata, moram em Londres. Hoje será a vez de Renata Costa Hunter conversar com os leitores do Jornal. Residindo na capital britânica, ela não pensa em voltar ao Brasil. Confirma o seu pensamento a respeito dessa experiência que está vivendo.
FOLHA PATRULHENSE: O que te motivou a ir morar em Londres?
RENATA COSTA HUNTER: Viajar sempre foi uma coisa que a minha família gostava de fazer, e sempre fomos incentivadas a viajar quando pudéssemos.
Desde novinha eu ia para o Rio de Janeiro com a minha madrinha, aos 18 a Disney, aos 20 morei um ano no nordeste, aos 24 vim a primeira vez a Europa, aos 26 fui a Flórida novamente e aos 30 a decisão de voltar à Europa para aprender um pouco de inglês.
Quando decidi vir para Londres eu não tinha ideia de como as coisas se sairiam. Eu tive a sorte de que a minha querida amiga Marilei Rocha (hoje McDonald) que já morava há muitos anos aqui, me ajudou a achar um lugar para morar e trabalhar. Sem ela não sei o que seria. Eu tinha dinheiro para passar três meses, mas eu soube, depois da primeira semana, que não voltaria mais para o Brasil. Eu finalmente tinha encontrado o meu lugar.
Trabalhei com limpeza, em restaurantes, de babá. Aprendi inglês devagarinho, conheci gente maravilhosa (brasileiros e muitas outras nacionalidades), fiz muitos amigos. Me diverti, aprendi e cresci.
Um ano depois que cheguei em Londres conheci o meu futuro marido. Moramos em Londres, cidade que me adotou e que adotei. Vou completar 20 anos na Inglaterra em novembro deste ano.
FOLHA: Em que estás trabalhando?
RENATA: Depois de ficar em casa por quase 14 anos cuidando dos meu filhos, hoje trabalho com construção.
FOLHA: O inglês é receptivo?
RENATA: Londres é um lugar diferente do resto da Grã-Bretanha. Para mim as pessoas sempre foram muito receptivas. O Inglês tem um humor maravilhoso, e é muito bom fazer parte da comunidade que eu criei onde moro. A maioria dos meus amigos são ingleses.
FOLHA: Como tem sido a adaptação ao frio?
RENATA: Londres é um lugar fácil de se morar e o frio não é tão ruim assim, pois todas as casas, restaurantes e lojas têm aquecimento, e as roupas são apropriadas. Nos meses de janeiro e fevereiro são um pouco mais difíceis, pois os dias são mais curtos.
FOLHA: Pretendes continuar morando fora do Brasil?
RENATA: Londres é a minha casa. Desde que cheguei aqui nunca pensei em voltar para o Brasil. Me adaptei super bem e adotei o país como meu. Gosto muito de visitar o Brasil e ver a minha família. A gente tenta ir uma vez a cada dois anos. Estivemos no Brasil este ano, em fevereiro, para comemorar os 80 anos do meu pai.
Sou casada. Meu marido é inglês e é o meu parceiro pelos últimos 18 anos. Temos dois filhos, 2 cachorros e hoje, tenho o prazer de ter a minha irmã Carla morando conosco.
FOLHA: E agora vamos a um dos pontos altos do nosso trabalho: a Pandemia. Como está hoje a Inglaterra? Li que três países do Reino Unido já foram declarados livres da doença.
RENATA: A pandemia afetou o nosso país de uma forma extraordinária. Ao mesmo tempo que acompanhávamos o desenvolvimento do vírus em outros países, nada nos preparou para a forma que iria afetar o dia a dia. Em março, fomos colocados em lockdown. Tudo que não era essencial parou. O primeiro estágio eram seis semanas lockdown, que acabou se tornando quatro meses. Nas últimas semanas, as lojas e restaurantes estão reabrindo. A máscara é compulsória, mas nem todo mundo usa. Estamos tentando retornar à normalidade, mas aguardando com precaução a segunda onda de casos.
O governo no começo da pandemia foi muito claro. A ordem era de ficar em casa. Só sair se fosse para comprar suplementos ou se o trabalho fosse essencial. O governo criou um plano de resgate financeiro para as empresas, onde as pessoas foram pagas para ficar em casa. O Reino Unido ainda não está livre do COVID-19. Os casos estão reduzindo, mas nenhum dos países está completamente livre.
FOLHA: Na tua avaliação, houve muitas mortes?
RENATA: Tivemos muitas mortes aqui. Mortes desnecessárias. Acredito que o governo não reagiu da melhor forma possível nesta pandemia e deixou muita gente vulnerável morrer. Espero que muitas lições tenham sido aprendidas.
FOLHA: E a Rainha Elizabeth?
RENATA: Eu sou uma apaixonada pela realeza. Admiro a Rainha e tudo que ela representa. Tive o prazer de vê-la assim como o príncipe Charles, Henry William e Kate (no casamento deles).
FOLHA: O que mais gostarias de acrescentar?
RENATA: Às vezes tenho o privilégio de ser contactada por patrulhenses que vêm a Londres passear. É sempre um imenso prazer rever os meu amigos e ter a oportunidade de passar-lhes um pouca da minha paixão por esta cidade.
Eu gosto e torço muito pelo Brasil, mas não tenho planos de retornar para viver. Tenho muita saudade da minha familia e gostaria de estar perto mais vezes, mas a distância e a saudade é o preço que a gente paga por adotar um país estrangeiro. Tive muito prazer em ir ao carnaval no Centro Clube este ano (não deu pra ficar muito, mas consegui ver algumas pessoas muito queridas), de subir na Cidade Alta, passar na frente da igreja, comer um Xis no Xis do Márcio e ficar hospedada no Hotel Ecovilly. Santo Antônio ainda mora no meu coração. A garota saiu de Santo Antônio, mas Santo Antônio nunca saiu da garota. Beijo grande para todos.