Quele mora na Holanda e fala sobre sua experiência e da família naquele país | 2M Notícias

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Quele mora na Holanda e fala sobre sua experiência e da família naquele país

Quele mora na Holanda e fala sobre sua experiência e da família naquele país

Residindo em Baarn, província de Utrecht, a 35 km de Amsterdam, capital da Holanda, Quele Giovanini Peixoto, patrulhense, vive com o marido Demétrio e a filha Norah, nascida naquele país. Ela conta a respeito de como está sendo a vida fora do Brasil
FOLHA PATRULHENSE: O que levou vocês a residirem em outro país?
QUELE GIOVANINI PEIXOTO: Na verdade essa é uma história inusitada, das que faz acreditar que quando é para acontecer algo vai acontecer. Nem eu, nem meu parceiro tínhamos intenção de nos mudarmos para tão longe. Ele é arquiteto de software e eu, desenvolvedora de software. Na verdade, estávamos pensando em mudar para a Argentina pelo fato de algumas mudanças que estavam para ser aprovadas na Internet no Brasil. Somos da área de TI e como trabalhávamos muito em casa, pensamos em sair do Brasil, mas para um lugar ainda perto e com qualidade de vida. Então meu parceiro colocou o curriculum dele num site argentino, em inglês, pois nenhum de nós dois falamos espanhol. Qual foi a surpresa quando o único contato veio de um head hunter holandês. Ele resolveu falar com ele apenas para desenferrujar o inglês, pois não havia pretensão nenhuma, até que depois de algumas entrevistas veio a proposta. E após analisar muito decidimos vir.
FOLHA: Como tem sido a adaptação nesse país?
QUELE: Mudança nunca é tão fácil, e morar é muito diferente de turismo. Mesmo quando a empresa faz a maior parte da burocracia com relação a visto e mudança de país, tem tantas coisas que precisam ser lidadas, se inserir na cultura, aprender como as coisas funcionam, sem amigos e família por perto. Lembro de coisas básicas como jogar o lixo fora sendo algo estressante (aqui a separação de lixo é controlada e pode dar multas se misturar ou colocar o lixo no dia errado). Um fato cultural muito estranho para nós é que as pessoas almoçam sanduíche, esse costume não adotamos, continuamos almoçando comida de verdade, o que faz os holandeses brincarem conosco dizendo que estamos jantando durante o dia. Uma coisa que sem dúvidas ajudou muito essa fase inicial foram as pessoas. Os holandeses são muito receptivos e dispostos a ajudar, o que tornou nossa fase de transição muito mais leve.
FOLHA: O que mais chama a atenção na Holanda?
QUELE: Como a maioria dos países europeus é incrível ter segurança a qualquer hora do dia e da noite, principalmente sendo mulher, ponto que sem dúvidas reflete na sociedade, aqui foi o lugar que senti que as mulheres são tratadas com mais igualdade. Agora não posso deixar de mencionar as paisagens totalmente horizontais, organizadas e bonitas, sempre me sinto andando em um grande cenário de filmes, onde até as florestas têm lugares certos para as árvores. E claro, as bikes, onde pessoas de todas as idades, em qualquer condição de clima vão para todos lugares com elas. Depois, já morando aqui eu acrescentaria os canais, a engenharia holandesa e o sistema de diques criado por eles, que é sem dúvida impressionante, se levar em conta que parte do território está abaixo do nível do mar.
FOLHA: Como é a receptividade do holandês aos que chegam de outros países?
QUELE: Foi uma grata surpresa as pessoas super amigáveis e dispostas a ajudar, coisa que não esperava por ter uma ideia de pessoas frias e distantes. Eles são conhecidos por serem extremamente diretos, alguns os chamam de rude, eu discordo, apenas vão direto ao ponto e não falam em entrelinhas. Não dá para dizer para um holandês vamos tomar um café um dia desses, pois eles vão esperar para marcar o dia e a hora.
FOLHA: Vocês pretendem continuar residindo neste país?
QUELE: Sim, apesar de estarmos distantes da família e amigos, o fator segurança e a qualidade de vida que se tem por aqui são questões muito importantes para nós, inclusive sendo fatores que nos fizeram mudar pra cá em primeiro lugar. Ainda mais agora, que temos uma bebê, morar num país que além de tudo é reconhecidamente o melhor para ser criança e onde elas são mais felizes, tem muito peso também na nossa opção.
FOLHA: Como tem sido o problema da pandemia?
QUELE: Muitas empresas mantiveram e mantem o trabalho remoto, no nosso caso, mesmo com a flexibilização das restrições durante o verão, continuamos trabalhando de casa, sem previsão de retorno aos escritórios. Com o fim da temporada de férias de verão e a segunda onda ganhando força, o governo inicialmente estabeleceu algumas restrições, mas como não tiveram muito efeito, passou a ser um lockdown parcial, algumas empresas que estavam voltando aos poucos aos escritórios, foram aconselhadas a continuarem remotos, restaurantes e bares estão fechados, pode receber até 3 pessoas em casa, o governo aconselha fortemente o uso de máscaras em lugares públicos, por enquanto não é obrigatório. Toda semana o governo faz pronunciamento e informa como está a situação e se serão necessárias novas medidas. Até o momento é recomendado não planejar festas e viagens até o início do próximo ano.