Qual a importância do dia 31 de agosto de 1760 para Santo Antônio da Patrulha? | 2M Notícias

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Qual a importância do dia 31 de agosto de 1760 para Santo Antônio da Patrulha?

Há pelo menos dez anos tenho publicado artigos nas páginas da Folha Patrulhense, e um

pouco menos no facebook, referindo-me a um assunto que acho de suma importância para a

história de nosso município: a criação da Capela Curada da Guarda Velha, através de uma

portaria do Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Antônio do Desterro, no dia 31 de agosto de

1760. Era a primeira capelinha, que depois foi transformada na primeira igreja matriz, quando

da criação da freguesia(paróquia) de Santo Antônio da Guarda Velha, no ano de 1763, através

de outro ato do mesmo bispo.

Ela foi construída por INÁCIO José de Mendonça e Silva e MARGARIDA da Exaltação da Cruz,

que, após passarem por muitos percalços e contrariedades por parte do pai dela, o senhor

Manuel de Barros Pereira, se casaram em Viamão, no dia 19 de setembro de 1755. Casados,

estabeleceram-se nas terras de Inácio, onde hoje é a atual Cidade Alta.

Pouco menos de um ano após o casamento, nasceu a primeira filha do casal, Maria Madalena

que no dia 10 de setembro de 1756, foi batizada na igreja de Viamão, a mesma onde seus pais

haviam casado. Alguns dias antes do batizado de Maria Madalena, o Bispo do Rio de Janeiro,

Dom Frei Antônio do Desterro, no dia 04 de setembro, editou uma portaria criando a

freguesia do Senhor Bom Jesus do Triunfo, a terceira mais antiga do Rio Grande do Sul. Nessa

mesma portaria falava que na região dos Campos de Tramandaí(que é o nosso atual território),

havia a necessidade de se construir capelas, cujos capelães teriam jurisdição paroquial para

todos os sacramentos, porém ficariam subordinados ao pároco de Viamão.

O pedido do bispo sensibilizou o casal Inácio e Margarida e eles decidiram então, construir

uma nas suas terras. Essa atitude do casal mudou para sempre a história da região. Informado

que o casal Inácio e Margarida havia construído uma capela em sua propriedade, o mesmo

bispo editou mais uma portaria, agora datada do dia 31 de agosto de 1760, criando a Capela

Curada da Guarda Velha de Viamão, cujo orago era em honra a Santo Antônio. Na dita portaria

ele nomeou o padre Francisco Coelho de Fraga, como capelão e ainda autorizava o mesmo,

benzer a igrejinha e também o cemitério para a sepultura dos mortos. Essa capela era

localizada onde hoje está a Pira da Pátria, Avenida Borges de Medeiros na Cidade Alta.

Segundo o padre Ruben Neis, em sua obra “Guarda Velha de Viamão”, pág.126, editada no

ano de 1975, “a portaria do bispo criando a capela curada é o documento mais importante

da história de Santo Antônio da Patrulha”, pois através dos assentamentos feitos em

documentos da capela, teve início a vida administrativa de Santo Antônio, do litoral e de boa

parte da serra. Pela construção da capelinha, Inácio e Margarida são cconsiderados os

fundadores de nosso município. Outro fato importante, registrado pelo padre Ruben Neis em

sua obra, diz que a capelinha desde então ficou conhecida como Capela de Santo Antônio da

Guarda Velha de Viamão.

Vejam então como é importante a referida data dentro da nossa história. Para reforçar o que

aqui estou afirmando, me baseio no que diz a Lei de nº 2366/91, do dia 11 de junho de 1991,

que alterou o primeiro parágrafo da Lei nº 780, de 21 de agosto de 1961, onde o então

prefeito municipal, Silvio Miguel Fofonka, sancionou o que a Câmara já havia aprovado:

colocar no brasão, nosso símbolo municipal, as datas 1760-1811 em negrito. Este ato por si só

vem valorizar e referendar a importância que tem para a nossa história a construção da

capelinha por Inácio e Margarida. Será que eles imaginaram algum dia que a capelinha

construída em suas terras, seria a sétima Capela Curada e que depois daria origem a uma

paróquia(freguesia), dentre as mais antigas do estado e a primeira em devoção à Santo

Antônio, e que quarenta e nove anos depois seria um dos quatro primeiros municípios do Rio

Grande do Sul? Será que imaginaram algum dia ser considerados os personagens mais

importantes de nossa história? Com certeza podemos afirmar que não. Nunca passou pela

cabeça dos dois, que a pequena capela daria origem a uma comunidade que hoje, ano de

2015, tem em torno de quarenta e dois mil habitantes – o município de Santo Antônio da

Patrulha.

Agora faço outra pergunta: Por que então esta data não é lembrada a cada ano que passa? A

lembrança que podemos dizer que seja oficial, como já vimos, foi a inserção no Brasão

Municipal do ano de sua criação(1760), afora isto, as nossas autoridades esquecem o passado

anterior a criação e instalação da Câmara de Vereadores. Aliás, a data da criação da capela

curada é lembrada por pouquíssimas pessoas. Se considerarmos a data da capela(31.08.1760),

criada 49 anos antes da Câmara de Vereadores, já se passaram 255 anos(2015). Três anos

depois, a pequena capela foi elevada à condição de igreja matriz, com a criação da

freguesia(paróquia) de Santo Antônio da Guarda Velha(08.10.1763), 46 anos antes da criação

da Câmara, portanto já se passaram 252 anos em 2015.

O Principe Regente, Dom João, que ainda não era o imperador Dom João VI, quando emitiu

em 07 de outubro de 1809, a portaria de criação dos quatro primeiros municípios do Rio

Grande do Sul, não escreveu lá que se criassem os mesmos e povoassem a região – os

moradores já estavam aqui bem antes.

Faço mais uma indagação: “Até quando vamos ignorar parte importantíssima da nossa

história anterior a criação dos quatro municípios mais antigos de RS?” Faço uma sugestão:

que comemoremos as duas datas: a de 03 de abril(1811)dia da instalação da Câmara fica a

cargo da nossa casa legislativa(instalação política/administrativa) e a de 31 de agosto(1760)

fica à cargo da administração do município(data do povoamento), efetivando-se assim o que

está inserido no brasão do município como as nossas datas mais importantes: 1760 – 1811



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