Poluição do Rio Gravataí atinge em cheio rizicultores | 2M Notícias

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Poluição do Rio Gravataí atinge em cheio rizicultores

Poluição do Rio Gravataí atinge em cheio rizicultores

 

 

Classe apontada como poluidora da bacia alega estar sendo usada para desviar atenção de problema maior

 

Apesar de não sofrer risco de desabastecimento, o Rio Grande do Sul precisa rever questões associados à qualidade da água. Em recente pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul aparece três vezes na lista que mostra os dez rios mais poluídos do Brasil. Rio dos Sinos, Gravataí e Rio Caí estão em quarto, quinto e oitavo lugares. Uma dessas bacias, a do Gravataí, nasce no banhado, em Santo Antônio da Patrulha, e termina junto ao Delta do Jacuí, entre Canoas e Porto Alegre.

Aliás, esta última, que percorre nove municípios, está no centro de uma polêmica envolvendo órgãos ambientais e produtores de arroz. Em reportagem divulgada por um grande veículo de comunicação do Estado, imagens realizadas em janeiro passado mostram um avião agrícola pulverizando com agrotóxico uma lavoura de arroz e atingindo uma Área de Preservação Permanente, do Banhado Grande, entre Glorinha e Viamão. A propriedade havia sido notificada meses atrás pelos danos à mata e pelo despejo irregular de agrotóxico na água.

Procurado pela reportagem da Folha Patrulhense, o presidente do Sindicato Rural de Santo Antônio da Patrulha, Jorge Dutra, disse discordar do enfoque dado pela emissora de TV, assim como dos argumentos apontando os produtores como um dos “vilões” pela poluição do Gravataí. “Trata-se de um caso pontual, de um rizicultor que não está legalizado, diferentemente da maioria dos associados, que possui outorga, utiliza produtos habilitados e inspecionados pelo Ministério da Agricultura. Culpar as lavouras pelo problema dos rios é um equívoco. A categoria produz dentro das normas exigidas. Somos parceiros dos órgãos fiscalizadores e, inclusive, firmamos um termo de ajuste e conduta com o Ministério Público para recuperação das APPs e corredores ecológicos”, afirma Jorge Dutra.

Especialista no plantio de arroz e conhecedor das Bacias do Sinos e do Gravataí, o engenheiro agrônomo José Galego Tronchoni aponta o esgoto doméstico e industrial, principalmente o doméstico, como o principal poluidor do Gravataí.  “O descarte indiscriminado de esgotos é atualmente o maior problema”, diz Tronchoni. Inclusive, o engenheiro, que por muitos anos integrou o quadro do Instituto Gaúcho do Arroz (IRGA), também acredita na generalização do caso. Para ele, a filmagem mostrando o avião jogando agrotóxico em uma área não permitida não condiz com a realidade da maioria. “Foi um caso isolado. Os produtores não são contra a fiscalização. Bem pelo contrário. Eles buscam a adequação para evitar problemas em suas propriedades. Além disso, um trabalho de conscientização ambiental vem sendo promovido ao longo dos anos com os rizicultores”.

Defendendo a aviação agrícola como um método moderno e seguro para a pulverização da lavoura, o agricultor, José Dutra Gil, disse que a proibição desta técnica seria extremamente danosa para a agricultura em geral. “Trabalhamos apenas com produtos licenciados, com receituário agronômico. O avião pulveriza não só agrotóxico, mas fertilizante, herbicida, semente, adubo, enfim é um trator do ar, com a vantagem da segurança. No momento da aplicação, pela tecnologia existente, não é necessária a presença de nenhum trabalhador na lavoura, evitando possível contaminação. Caso contrário, seria obrigado o uso de outras técnicas, como a aplicação manual, que oferece muito mais riscos ao agricultor”, pontuou.

 

 

Safra 2015/2016 x o Uso da Bacia do Gravataí

                                                                                                                                                           

Conforme estudos do IRGA, repassados pelo agrônomo José Tronchoni, a região metropolitana, incluindo Santo Antônio da Patrulha, é composta atualmente por 110 produtores de arroz. Segundo estimativas, a safra 2015/2016 teve uma área plantada na extensão da Bacia do Gravataí de 11.500 mil hectares. Desses, 78% são irrigados por açudes construídos nas propriedades. Apenas, 22% das lavouras recebem água puxada do Rio. Neste contexto, de acordo com Tronchoni, os açudes construídos ao longo dos anos, contribuem para vazão do Gravataí no verão, época de estiagem. Ainda, entre as peculiaridades envolvendo os açudes, destaca-se o do Pereiras. Pela sua localização e vegetação, ele acaba promovendo naturalmente o tratamento do esgoto de Santo Antônio da Patrulha, não tratado pelo poder público.

 

Afluentes e arroios do Gravataí

 

O Rio Gravataí tem como principais afluentes os arroios, em sua margem direita: Brigadeiro, Barnabé, Demétrio, Pinto, Passo Grande, Miraguaia, Venturosa, Veadinho, Chico Lomã; e em sua margem esquerda os arroios: Areias, Sarandi, Feijó, Águas Belas, Passo dos Negros e Alexandrina. Os estudos realizados sobre a cobertura do solo, seu uso e ocupação, indicaram que prevalecem áreas de campo (50,81%), seguidas por lavoura (19,98%), mata (11,12%), área urbana (7,65%), banhado (3,96%), água (2,04%), campo úmido (1,06%), solo descoberto (2,43%) e reflorestamento (0,89%).

 

 

Comitê do Gravataí na Câmara

 

Em meio a toda essa discussão, a próxima reunião do Comitê da Bacia do Rio Gravataí, que acontece no próximo dia 12, a partir das 14h, no plenário Euzébio Barth, da Câmara de Vereadores, deve atrair um grande número de produtores de arroz. Pelo menos é o que espera o presidente do Sindicato Rural, Jorge Dutra. Mesmo o assunto não estando incluído na pauta de discussão, ele espera que os conselheiros sejam sensíveis e escutem as reivindicações da categoria.



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