Pecuária se ressente pela falta de chuvas | 2M Notícias

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Pecuária se ressente pela falta de chuvas

Pecuária se ressente pela falta de chuvas

A estiagem prolongada faz com que o solo não tenha umidade e, consequentemente, as pastagens terminam sofrendo com a ação inclemente do sol. Campos inteiros, agora é que começam a reagir com alguma chuva, mas ainda não é suficiente para normalizar a situação.
Eduardo Telles Maciel, conhecido pecuarista, presidente da comissão de Pecuária do Sindicato Rural de Santo Antônio da Patrulha e representando aquela entidade na comissão de Pecuária na Farsul, conversou com a reportagem sobre o assunto.
FOLHA PATRULHENSE: Qual o impacto da estiagem sobre a pecuária?
EDUARDO TELLES MACIEL: É uma estiagem muito severa. Fazia muitos anos que não tínhamos seca tão grande no Estado e principalmente no verão que é a época mais importante para a pecuária. É o período em que os pastos crescem e a umidade é relativamente normal. Mas isso não está acontecendo e, consequentemente traz um prejuízo muito grande para o pecuarista.
Com a falta de chuvas os animais acabam não adquirindo peso, dificultando a sua terminação.No gado de cria, as vacas, com a falta da pastagem ou pasto nativo, não entram no cio e com isso, acaba diminuindo a prenhez na estação de monta. Na cadeia do leite o animal perde peso e o produtor de leite não vai conseguir obter a quantidade suficientemente para atender o mercado consumidor.
FOLHA: Com o problema das pastagens, está ocorrendo perda de peso dos animais?
EDUARDO: Os animais sentem muito, mas obviamente no verão a condição seria de ganhar peso, mas não está ocorrendo pela falta de pasto. Com o verão muito quente, os animais sentem muito e se tiver campo sem pastagem e campo bom, eles perdem peso por não terem uma alimentação contínua.
FOLHA PATRULHENSE: Como a pecuária trabalha para contornar essa situação, evitando perdas significativas de peso?
É muito difícil quando se tem uma estiagem no verão, porque acontece que se torna muito caro para que o pecuarista possa investir numa irrigação e pivô para ter pastagem, e pasto de qualidade, pois não há o clima adequado. Na realidade a perda é inevitável, onde o animal por tem o que comer, não ganha peso e muitos produtores não conseguem encontrar uma saída para contornar o problema.
FOLHA: Quanto aos preços, observa-se que no mercado consumidor ocorre elevação. Isso deve continuar acontecendo na tua avaliação?
EDUARDO: Devido à falta do pasto, vamos ter uma oferta menor de animais para o abate. O pecuarista não conseguirá engordá-los como se fosse em um verão normal com pastos em abundância. Ao diminuir a oferta, acaba com o preço do quilo subindo para o produtor. É a lei da oferta e da procura. Melhoram os preços, por um lado, porque a pastagem está ruim, mas por outro lado acaba com elevação de preços para o consumidor. Os preços vão continuar firmes devido à oferta menor e restrita.
Acredito que o preço do quilo vai seguir firme, devendo refletir alguma coisa no consumidor. Sei que o consumo está baixo, mas também a oferta de animais está menor, e não acredito em queda de preços.
Estamos há muitos anos trabalhando com o preço do gado muito baixo. Agora em virtude do problema existente na China com a peste suína, quando foram abatidos muitos animais, aquele país asiático se tornou grande parceiro e veio buscar a carne que falta lá. Como existe oferta menor e está ocorrendo aumento da exportação, com certeza isso irá influenciar no preço, e não acredito que o preço da carne vá baixar, devendo continuar no patamar em que está dependendo muito da exportação.
Outro aspecto a destacar é com relação à exportação dos animais vivos. Estamos exportando terneiros para alguns países asiáticos e tudo isso reflete no futuro. Costumo dizer que a pecuária é um ciclo longo, porque o criador tem que colocar seus animais na reprodução, e isso vai demandar em torno de 280 dias em virtude da prenhez. Depois demora mais uns dois anos e meio. Portanto, são entre 1.100 e 1.200 dias para se ter, desde a gestação até a sua finalização o animal pronto para o abate e isso é um tempo muito longo.