Patrulhenses residentes na Noruega falam como governo atuou para combater o Coronavírus | 2M Notícias

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Patrulhenses residentes na Noruega falam como governo atuou para combater o Coronavírus

Patrulhenses residentes na Noruega falam como governo atuou para combater o Coronavírus

Na série de reportagens internacionais da Folha Patrulhense, conversando com conterrâneos que residem em outros países, nesta edição é a vez de Herbert Meregali que, com a esposa Karina Ramos, residem em Oslo, capital da Noruega, distante 11.000 km de Santo Antônio da Patrulha.
Ele fala sobre como o governo e o povo enfrentaram a pandemia do Coronavírus, e sobre o dia a dia em um dos países de clima mais frio do planeta, mas com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo.
Como ele próprio revela, no inverno na Noruega chega a fazer 15 graus negativos, sendo que o dia começa às 09 horas e escurece às 15 horas. No verão a temperatura chega à 28 graus e os dias são bem mais longos, anoitecendo por volta de 23h30min.
A língua oficial é o norueguês, mas 90 por cento da população fala inglês.
FOLHA PATRULHENSE: O que te levou a ir para a Noruega?
HERBERT MEREGALI: Chegamos na Noruega em fevereiro de 2019. A mudança se deu por uma oportunidade de trabalho da Karina, que trabalha desde 2013 na Yara Fertilizantes, que tem a sua sede mundial aqui na Noruega. Viemos, sobretudo, para viver esta nova experiência sociocultural de viver num país tão diferente e distante do nosso.
FOLHA: Como foi ou como está sendo aí o problema da pandemia do Coronavírus?
HERBERT: Como observado no mundo todo, o avanço do Coronavírus aqui foi combatido com a adoção do isolamento social. Não há outra forma. Desde a 1ª quinzena de março, fomos orientados a ficarmos em casa e adotarmos a quarentena. Desde o dia 21 de abril, porém, gradualmente todas as atividades estão se restabelecendo, pois aqui, segundo as autoridades, a curva de contágio está totalmente controlada e a capacidade de atendimento das unidades de saúde segue normalizada.
FOLHA: Como o povo tem reagido à doença?
HERBERT: Como de costume, com respeito e tranquilidade. E dizemos “de costume” porque esta é uma característica bem marcante do povo daqui. Não há histeria. O respeito às regras e adoção das medidas de orientação das autoridades do país, certamente, colaboraram muito para este retorno gradual da rotina que anteriormente estávamos acostumados. A gente lamenta muito quando vê aí no Brasil a instabilidade no comando das ações, pois esta insegurança apenas prejudica ainda mais o entendimento da população frente aos riscos e problemas gerados pela pandemia.
FOLHA: Que medidas o governo tomou para controlar a situação?
HERBERT: A Noruega impôs restrições de viagem, fechou fronteiras, proibiu aglomerações em espaços públicos, suspendeu a atividade de bares, restaurantes, academias e salões de beleza, e cancelou a realização de todos os eventos esportivos e culturais. Escolas e Universidades também tiveram todas as suas atividades suspensas. Porém, diversos outros serviços e locais seguiram em funcionamento, mas com regras rígidas de controle e acesso, como supermercados, construção civil e transporte público, por exemplo. Caminhadas ao ar livre também nunca foram restritas. O país praticamente todo adotou o sistema de Home Office e o próprio Governo e as Empresas incentivaram a permanência dos seus funcionários trabalhando de casa. A Karina, por exemplo, está em Home Office desde o dia 10 de março, e não há prazo determinado para retorno. Fala-se, inclusive, que isso deve ocorrer apenas pós-disponibilidade de vacina ao COVID-19.
FOLHA: Há muitos óbitos?
HERBERT: Aqui foram registrados pouco mais de 8.000 casos e destes 232 fatais, uma taxa de letalidade considerada baixa. As unidades de saúde não tiveram sobrecarga de capacidade e o governo considera que as medidas adotadas foram eficientes no controle da doença.
FOLHA: Como está sendo a tua vida aí?
HERBERT: Aqui é muito bom de se viver. O país é lindíssimo, extremamente seguro e há um respeito muito grande entre e para com as pessoas. Não é a toa que a Noruega tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano do mundo todo. Apesar do frio (chega a fazer -15ºC) e falta de luz natural do Inverno (amanhece às 9h e escurece às 15h), viver aqui ainda é uma experiência valiosa. Esse cenário que citei acima nos ajuda a compensar um pouco a saudade de casa, da terrinha e das pessoas que tanto amamos.
FOLHA: Que atividade exerces?
HERBERT: Eu sigo trabalhando com comunicação. Em resumo sou gerador de conteúdo e redator publicitário. Boa parte dos meus trabalhos ainda moram aí, pois atendo muitas empresas de Santo Antônio. E isso me faz muito bem, pois também é uma forma de seguir acompanhando o dia a dia da cidade e em contato com as pessoas da minha verdadeira casa, do meu lugar.
FOLHA: E sobre o projeto Eu amo SAP. No que consiste?
HERBERT: O @euamosap é um lugar pra contarmos boas histórias. Ele surgiu de uma inquietação. De tentar contagiar as pessoas com algo de bom, em meio a tanta coisa ruim que infelizmente nós mesmos criamos espaços para aparecerem. Coisas boas também acontecem na nossa cidade, sabia? E através do @euamosap a gente só quer dar voz e vez para atitudes e gestos que ocorrem o tempo todo, e que fazem a diferença na vida de muita gente. Qualquer pessoa pode participar e contribuir, afinal todos nós temos uma história boa pra contar. Visita lá o @euamosap no Facebook e Instagram. Eu amo sap. Tu também. Pode apostar.
FOLHA: O que mais gostarias de acrescentar.
HERBERT: Hermogenes, obrigado pelo espaço e oportunidade do papo. Compartilhar experiências vividas é se tornar uma pessoa melhor. Foi para isso que viemos pra cá. É por isso, que todos os dias nos é dada a chance de acordar. Para voltarmos melhores pro nosso lugar. Beijo Grande!