Patrulhense naturalizado há 35 anos norte-americano, segue as tradições do Rio Grande | 2M Notícias

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Patrulhense naturalizado há 35 anos norte-americano, segue as tradições do Rio Grande

Patrulhense naturalizado há 35 anos norte-americano, segue as tradições do Rio Grande

Residindo há 35 anos na Califórnia, Isac Ribeiro, natural de Campestre, além do trabalho diário, segue uma de suas paixões: o tradicionalismo. E procura manter viva a chama do amor ao Rio Grande em terras da América. Algumas dessas entrevistas têm como intermediador, o também patrulhense Adão Paulo Lopes, hoje residindo com a esposa Lea em Taquara a quem agradecemos a gentileza de proporcionar aos leitores a possibilidade de conhecer novos “rapadureiros” espalhados pelo mundo.
Isac é o nosso entrevistado de hoje. Conheça um pouco de suas experiências e do porquê ter escolhido os Estados Unidos para fixar raízes.
FOLHA PATRULHENSE: O que te motivou a deixar o Brasil para residir nos Estados Unidos?
ISAC RIBEIRO: Inicialmente quero agradecer o convite que me brindastes de participar desse respeitado e conhecido meio de comunicação: Folha Patrulhense.
Me sinto privilegiado de dizer que nasci na localidade de Campestre, filho de Otacilio e Odila Ribeiro, município de Santo Antônio da Patrulha, tendo como muita responsabilidade, o fato de representar bem a terra patrulhense em outras querências por onde tenho andado.
Após ter morado em alguns estados brasileiros, foi em dezembro de 1985 que me mudei para a Califórnia, USA, e já se passaram 35 anos que aqui estou. Em 1980 eu trabalhava na Universidade Federal de Viçosa, MG e ali estava realizado profissionalmente.
Na cidade havia apenas um pequeno grupo de pessoas da minha religião, que por não terem ainda uma igreja, se reuniam na casa de uma família. Assim nasceu o sonho de comprar um terreno e construir uma igreja naquela localidade.
Conversando com o meu tio que morava nos Estados Unidos, ele me incentivou que na América eu teria a oportunidade de realizar esse sonho, e foi então que eu tomei a decisão de deixar o Brasil por alguns anos e pela graça de Deus, temos hoje três igrejas adventista naquela cidade.
FOLHA: Como foi a adaptação ao idioma, costumes e cultura no novo país?
ISAC: Sempre gostei de desafios e sem dúvida, o idioma e o grande obstáculo a ser enfrentado. Os costumes e a cultura são bem diferentes, o clima dessa região é quente e seco, com características de deserto.
FOLHA: Como tem sido a receptividade dos americanos para com os brasileiros que vão “de mala e cuia” para terras do Tio Sam?
ISAC: Em geral o brasileiro é bem recebido pelos americanos, é claro que eles esperam de nós seriedade e responsabilidade em nossas funções.
FOLHA: Que atividade exerces aí nos Estados Unidos?
ISAC: Em meus 35 anos de América sempre estive em contato com agricultura, pecuária, madeireiras e fertilizantes orgânicos.
FOLHA: Constituíste família aí nos Estados Unidos?
ISAC: Sim, casado e a esposa é carioca, dois filhos e uma neta.
FOLHA: A colônia brasileira é expressiva aí na Califórnia?
ISAC: Somente na área de Los Angeles tem uns 15 mil brasileiros e têm crescido muito a comunidade gaúcha na região.
FOLHA: Pandemia. Os Estados Unidos, assim como a Europa, infelizmente entram na segunda onda do Covid-19. Como está a situação?
ISAC: Pandemia tem sido o tema do ano. Está claro que é assunto de saúde pública muito sério e que tem ceifado muitas vidas. A Califórnia está enfrentando a segunda onda de contágio, segundo as notícias, nosso município está na faixa roxa, a pior, novamente. A maioria segue orientação do governo, com exceção do presidente.
FOLHA: E agora um assunto que sei, tens paixão: o tradicionalismo. Como manténs esta cultura genuinamente rio-grandense na América?
ISAC: Esse é um tema muito marcante na minha vida. Fui criado no lombo do cavalo, lida de campo, tiro de laço, marcação, etc.
Pelos piquetes e CTGs aprendi a gostar da invernada artística. Sai do Rio Grande, mas trouxe comigo esse lindo aprendizado.
A paixão era tal, que criamos o CTG Rancho Rio Grande com sede aqui no sítio aonde moro.
Em minha campeirada em terra Americana sempre tive cavalos, ovelhas e outros animais, maneira de estar em contato com as minhas raízes. Nos últimos 13 anos temos tido o privilégio de participar dos festejos da festa farroupilha, mesmo estando distante do pago. A chama da tocha crioula sempre está presente nos nossos encontros Farroupilha.
FOLHA: Como o americano vê as manifestações culturais rio-grandenses?
ISAC; Em nossos encontros tradicionalistas sempre temos amigos americanos e de outras nacionalidades. Eles desfrutam o nosso churrasco, (culinária) e apreciam muito a apresentação da invernada artística.
FOLHA: Pensas em retornar ao Brasil?
ISAC: Sim, sempre pensando em voltar, mas no momento o melhor é manter base nas duas querências, enquanto o Patrão Celestial nos permitir.
FOLHA: Soube que tens uma ONG aí na Califórnia. Nos fale um pouco a respeito.
ISAC: Sim. Nos últimos 5 anos temos administrado uma ONG (Hope Ranch Community) que desenvolve atividades para a comunidade. Temos um centro de distribuição de alimentos (cesta básica), que tem sido uma grande ajuda para famílias imigrantes de diferentes países e pessoas desempregadas.
FOLHA: Religião. Também soube que anualmente vocês realizam encenações da Paixão de Cristo, a exemplo do que ocorre aqui no Brasil na Nova Jerusalém.
ISAC: Nos últimos 5 anos temos realizado aqui no sítio, por ocasião da Páscoa, o programa da Paixão de Cristo, desde a entrada triunfal, passando pelo Getsemani, julgamento, crucificação e ressurreição, com a participação de voluntários e pessoas da vizinhança local.
FOLHA: O que mais gostarias de acrescentar?
ISAC: Agradeço aos leitores da Folha Patrulhense o privilégio de ter compartilhado parte da minha história com os senhores, grande abraço.