Patrulhense morando há 20 anos na Itália fala sobre o drama que o país enfrenta contra o COVID-19 | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Patrulhense morando há 20 anos na Itália fala sobre o drama que o país enfrenta contra o COVID-19

Patrulhense morando há 20 anos na Itália fala sobre o drama que o país enfrenta contra o COVID-19

Morando há 20 anos na cidade italiana de Velecri, que fica a 80 km de Roma, na região de Lácio (mesma distância de Santo Antônio a Porto Alegre), a patrulhense Cristiane de Souza Portal, integrante da comunidade de Leigas Consagradas, do Movimento Focolares, da Igreja Católica, convive diariamente com o drama de milhares de famílias daquele país que lutam diariamente contra um inimigo comum: o novo Coronavírus.
Filha de uma patrulhense, que é conhecida como Teresinha do IRGA (ela trabalhou muitos anos no escritório local daquela instituição), Cristiane teve o contato pela primeira vez com a Itália em maio de 1992, quando participou do Super Congresso do Movimento Juvenil pela Unidade. Depois retornou ao Brasil onde, durante oito anos estudou em Porto Alegre para finalmente, no ano 2000 se transferir para a Itália, onde continua desenvolvendo suas atividades naquele Movimento. Ela fala sobre a situação atual da Itália que vive a dramática situação provocada pelo vírus que está ceifando milhares de vidas em todo o mundo. Cristiane conversa conosco nesta reportagem especial na nossa cobertura internacional sobre a doença.
FOLHA PATRULHENSE: Como tem sido para vocês, esse problema grave da pandemia?
CRISTIANE DE SOUZA PORTAL: É uma situação que particularmente nunca imaginava que pudesse viver. Há mais de um mês estamos trabalhando em casa. Somos em seis e das quais, cinco trabalham aqui dentro. É uma atividade que podemos realizar à distância
De cada situação sempre se colhe alguma coisa de positivo das mãos de Deus. Essa experiência é muito forte. A convivência entre nós, somos comunidade de Leigas Consagrados. Vivemos 24 horas, e termina sendo uma oportunidade única para nos conhecermos melhor e termos um olhar aberto para as pessoas que estão ao nosso lado. Um exemplo foi nessa Páscoa: preparamos uma surpresa para todos os nossos vizinhos. Deixamos o presente na porta, apertamos a campainha e nos afastamos para ver como as pessoas se deparavam com o que havia na sua calçada. Lembramos também de uma família com várias crianças e a mãe precisava de papel, porque os filhos, há mais de um mês não podem ir à escola, mas querem fazer suas lições em casa. A família enfrenta dificuldades, porque não pode sair para trabalhar. Fizemos uma pequena doação em papéis e ela ficou feliz com o presente para os filhos. Esse isolamento social faz com que descubramos a força que temos para que não pensemos apenas em nós. Encontramos mais tempo para rezar juntas e isso faz aumentar a nossa fé. E quando tudo isso terminar, temos a certeza de que possamos ser melhores.
FOLHA: Como os italianos estão seguindo as orientações do Governo?
CRISTIANE: No começo foi muito difícil, porque o vírus estava longe e de repente, ficou bem perto de nós. As medidas do governo foram graduais. No início houve fechamento de escolas e de lojas com as medidas ficando restritas ao norte, onde começou a epidemia. Porém, quando viram que o vírus se espalhou, o governo decidiu parar toda a Itália mesmo, onde não existe contágio. É uma situação muito difícil, porque para a economia e a produção, começa a se viver a crise. A maior parte das pessoas está obedecendo as regras impostas pelo governo. Começa a haver solidariedade, porque temos que ir ao encontro das pessoas que sentem o problema por ficarem sem um trabalho estável, ficando sem recursos.
Todos se mobilizam para ajudar quem precisa e muitos voluntários se prontificam, assim como médicos e enfermeiros que são considerados como heróis, pois estão na linha de frente, fazendo tudo o que é possível para ajudar a todos. Imagino que aí no Brasil o que poderia acontecer se não fossem adotadas as precauções, que podem parecer absurdas, mas é o único modo de evitar que aconteça o que ocorre aqui.
FOLHA: Chegaste a contrair o vírus, ou te manténs, felizmente livre?
CRISTIANE: Graças a Deus em nossa cidade são poucos os casos de contágio, porque as pessoas respeitam as determinações do governo. Esperamos que logo possamos retornar à vida normal.
FOLHA: Qual a expectativa aí de que o surto seja superado: vai demorar muito, ou não?
CRISTIANE: É muito difícil ter uma expectativa, mas a esperança é muito grande. Em algumas cidades, o vírus diminui, mas em outras aumenta. Até o início de maio, as escolas e o comércio não reabrirão. Espera-se que depois daquela data algumas atividades possam retornar.
FOLHA: Sabes que no Brasil, muita gente não tem levado a sério a pandemia. O que tu, como brasileira e especialmente patrulhense, recomendarias aos teus conterrâneos?
CRISTIANE: Pelo que sei os casos ainda não são muitos no Brasil e vocês têm que dar graças a Deus, porque tomaram as medidas cedo. Não se deixem dominar pelo pânico e desespero. Tomem precauções como evitar aglomerações e terem ainda mais cuidados com a higiene.
Sei que é difícil porque não estamos acostumados à essas práticas, como evitar aglomerações e utilizar o álcool em gel várias vezes ao dia. Aproveitemos este tempo para estreitar as relações com nossas famílias e procuremos dar uma mão às pessoas em dificuldade por terem que parar no seu trabalho, e sair de casa se for mesmo necessário, tentem ao máximo adotar precauções, porque é a única maneira de evitar que se contraia o vírus.
FOLHA: O que mais gostarias de acrescentar?
CRISTIANE: Convido a todos para que se unam ao nosso movimento iniciado há alguns anos, todos os dias ao meio dia, em todo o mundo, em todos os fusos horários, que nos unamos em orações, e para os que não creem, que façam um minuto de silêncio para que cesse o Coronavírus e também pela paz no mundo. Que peçamos a Deus para que sejamos mais humanos e mais irmãos.




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *