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Patrulhense formado em Enfermagem mora na Flórida com a esposa e uma filha recém-nascida

Patrulhense formado em Enfermagem mora na Flórida com a esposa e uma filha recém-nascida

Depois de curta interrupção em virtude da finalização da campanha eleitoral, estamos retomando a série de reportagens sobre patrulhenses que moram no exterior.
Diego Müller Leite mora na Flórida, onde conheceu a esposa. Ambos são formados em Enfermagem e há poucos dias tiveram uma menina. Ele conversa conosco sobre sua nova morada em terras norte-americanas.
FOLHA PATRULHENSE: O que te levou a ir para os Estados Unidos?
DIEGO MÜLLER LEITE: Bom primeiramente resido aqui na Flórida (extremo sul dos Estados Unidos) há uns 15 minutos de Orlando em uma cidade chamada Altamonte Springs . O que motivou minha vinda foi a de trabalhar em hospitais, onde há uma demanda de serviço especializado muito grande e que está em falta, especificamente na área de Enfermagem aliado com uma qualidade de vida (segurança, privacidade, língua, oportunidade e economia em alta).
FOLHA: Tu e a esposa trabalham na Enfermagem. São em hospitais separados? Vocês se conheceram no Brasil, ou foi nos Estados Unidos?
DIEGO: Eu e minha esposa somos formados em enfermagem e trabalhamos em locais diferentes. Nos conhecemos através do Facebook por uma amiga em comum, na época eu residia em São Paulo e após nos conhecermos eu viajei para os EUA para conhecê-la e começamos a namorar.
FOLHA: Ambos Trabalham em uma profissão que hoje é linha de frente no combate ao Covid-19. Como tens lidado com essa situação, quando se sabe que a Enfermagem também é situação de risco para quem trabalha no combate à essa doença?
DIEGO: Quando se trabalha em ambientes onde há exposição a agentes biológicos químicos, entre outros, nós seguimos protocolos de trabalho onde há regras, por exemplo, o uso de EPIs e treinamento especifico para cada tipo de atendimento. Porém, o Covid-19 não é a única enfermidade grave na qual entramos em contato diariamente. Pode ser o mais disseminado no momento, mas não estamos livres de outros problemas de saúde relacionado a exposição a agentes hospitalares, como tuberculose, hepatite C, HIV e etc, na qual há diversas formas de contágio não apenas respiratório. Então segue-se as orientações de cada local onde se trabalha. Cada clínica, cada hospital, cada instituição onde se oferece atendimento a saúde às pessoas, segue os protocolos daquela cidade ou estado. Enfim, tudo vai se adequando e acaba por terem e criarem suas próprias diretrizes. Agora, os órgãos do governo americano são muito eficientes em relação a tentar unificar o atendimento em cima de um protocolo nacional é claro que existem exceções, mas de uma forma geral, tentam todos os estados e condados (municípios) falarem a “mesma língua”. O CDC (Center for Disease, Control and Prevention) Centro de Prevenção e Controle de Doenças juntamente com OMS e guidelines do país ditam as regras. O que a gente tem visto é que embora esses órgãos sejam bem competentes e estejamos num país de primeiro mundo, ainda em casos novos ou pandemias se trabalha em cima da filosofia erro e acerto, e isso ocorre em muitos lugares no mundo. A diferença de sucesso deste sistema é a capacidade de se oferecer recurso para o combate e aí os mais fortes prevalecem. Evitar o contágio seguindo todos protocolos (lavar sempre bem as mãos, uso de máscara, distanciamento social, não isolando a população, oferecendo tratamento de diversas medicações que ajudem, detectando os sinais e sintomas cedo e não tardio, não atendendo a viés político, mas sim a necessidade da população, se alimentado bem (e isso as cidades do interior fazem bem pelo acesso a alimentos saudáveis etc… A grande perspectiva de enfrentamento ao Covid-19 aumenta as chances de a população se infectar e criar a resistência nesses, sair assim como foi o H1n1.
FOLHA: Quanto as vacinas, elas já estão sendo comercializadas aí nos Estados Unidos?
DIEGO: Em relação as vacinas estão se estudando sim, porém, ainda nada comprovado e nem liberado. O que estão fazendo é teste rápido que sai em 15 minutos e outro é o PCR que vai para o laboratório e demora para sair o resultado de 3 a 7 dias.
FOLHA: Como foi tua adaptação?
DIEGO: Minha adaptação foi ótima. Mas porque já conversava e entendia um pouco de inglês. Muitos imigrantes que vêm para os Estados Unidos trabalham em empregos informais que pagam pouco por conta de não falarem o inglês. Para se estudar aqui nos Estados Unidos se paga muito caro. Outro ponto seria o próprio preconceito que existe contra imigrantes, porém, de forma isolada e diminuída (apenas em estados onde há nativos ou a maior parte sejam nativos de língua estrangeira, e estados mais antigos como alguns do norte).
FOLHA: Vocês pretendem residir permanentemente nos EUA?
DIEGO: Nossa intenção é de residir no país tornando-se citizen (cidadão americano), porém, mantendo nossa nacionalidade brasileira viajando ao Brasil. Hoje é possível se trabalhar on-line em muitas áreas onde você acaba tendo flexibilidade de horário e desprendimento de lugar físico, podendo até mesmo trabalhar de outros lugares de forma on-line .
FOLHA: Como vocês lidam com a questão da distância da família e amigos?
DIEGO: Essa questão é bastante sensível, porque queríamos poder estar viajando mais ao Brasil para vermos nossa família, mas com tudo que está acontecendo devido ao Covid-19 foram suspensos voos e ficamos nos comunicando através dos aplicativos como FaceTime e WhatsApp para estarmos próximos mesmo que for virtual.
FOLHA: Ambos se tornaram pais recentemente. Como estão assimilando essa experiência?
DIEGO: Em 29 de outubro de 2020, nasceu nossa filha amada Alice. Um presente de Deus e seu amor para nós. Muitas verdades, mas também muitos mitos com a Covid-19 em relação a gestante. Minha esposa, um pouco antes da nossa filha nascer, foi testada positiva para o Coranavírus, apresentando sinais e sintomas da doença como resfriado, congestão nasal, falta de gosto e sabores dos alimentos e dores leves de cabeça. Seguimos a quarentena e tivemos nossa filha num quarto de isolamento do hospital AdventHealth em Orlando. Nossa filha ao nascer foi testada também e deu negativo para o Covid-19. Nossa meta está sendo: dormir bem, beber água, manter a mente ocupada com coisas saudáveis, pegar bastante luz solar, alimentação saudável, tentar fazer algum tipo de exercício físico, manter a boa higiene corporal e ter fé no nosso Deus. Isso tem nos curado. Mas são coisas simples que todos podem fazer. Seguir sim as normas estabelecidas pela nossa sociedade, porém, nunca esquecermos de quem nos mantém firme e em pé é somente o nosso Deus.