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Na estiagem, lavouras de arroz na região continuam sem perdas significativas

Na estiagem, lavouras de arroz na região continuam sem perdas significativas

A estiagem que causa sérios problemas em culturas no Rio Grande do Sul, não teve, em Santo Antônio, impacto muito grande. Pelo menos esta, é a avaliação da Emater, do IRGA e do Sindicato Rural.
O chefe do escritório regional do IRGA, engenheiro agrônomo Vagner Martini fala a respeito do reflexo nas culturas do arroz e da soja.
FOLHA PATRULHENSE: Qual o efeito da estiagem sobre as culturas, no caso específico, arroz e soja?
VAGNER MARTINI: O efeito da estiagem é maior em culturas de sequeiro, como a soja, mas no caso do arroz por ser irrigado os efeitos são mínimos. No caso da soja está se observando, que muitas lavouras estão subdesenvolvidas pela falta de água, crescimento lento, e em alguns casos ocorrendo a desfolha de plantas por falta de água. Mas até o momento não temos nenhum caso de lavoura totalmente perdida em função da estiagem.
Se persistir a estiagem pode haver um decréscimo de produtividade maior, é fato que vai haver, mas pode piorar. No caso do arroz, os mananciais hídricos podem chegar a uma situação crítica a tal ponto que não haverá como continuar a irrigação, e isso afeta em cheio as produtividades nessa cultura, já que estamos iniciando nesse momento o período de floração e enchimento de grãos do arroz e também da soja, sendo o estágio mais crítico dessas culturas, necessitando muita água para esse processo.
FOLHA: Como está a situação do arroz na atualidade?
VAGNER: A situação do arroz de maneira geral está em um momento delicado, pois os custos de implantação de uma lavoura, é muito alto e o preço pago ao produtor está abaixo dos custos de produção. A área de plantio nesta safra vai diminuir, em função desses custos e também por ser uma das formas que o produtor tem de forçar os preços para cima. Nessa safra plantamos a maior área fora da época ideal de semeadura, o que já faz com que a produtividade seja afetada, somado a falta de chuvas em algumas regiões que dependam de açude para irrigação e em algum momento, se não chover volumes significativos, irá faltar água no momento crítico de enchimento de grãos, a oferta do produto será menor.
FOLHA: Quanto aos preços do arroz, como está hoje o mercado? Há informações de que os preços devem subir. Qual a sua avaliação?
VAGNER: Citando o presidente da Federarroz a nova safra de arroz deve ser colhida durante o mês de março e chegar ao mercado já com um novo patamar de preços. Segundo o presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul), Alexandre Velho, o grão deve registrar aumento entre 20 e 30% nas prateleiras dos supermercados já no final de fevereiro.
Entre os motivos para este reajuste estão a diminuição na área cultivada, que caiu 250 mil hectares nos últimos 5 anos, ficando em 940 mil hectares para esta safra, e o aumento nas exportações brasileiras, que encerraram 2019 maiores do que 1,4 milhões de toneladas, antes expectativa de 900 mil toneladas no início do ano passado.
Velho destaca que em 2019, o Brasil registrou o primeiro embarque de arroz para o México, e também exportou para o Iraque e Estados Unidos, impulsionado pela alta do câmbio, conjuntura internacional e quebra da safra americana.
Para 2020 a expectativa é ampliar e fortalecer os laços com as empresas mexicanas e seguir buscando novos destinados para o grão brasileiro.
Os preços praticados no mercado até o momento estão em torno de 50 reais a saca de 50kg de arroz, havendo negócios chegando a 54 reais a saca. Com uma oferta menor e os estoques baixos, mais aumento de exportação, podemos ter sim um viés de alta nos preços.