Médico alerta para situação dramática provocada pelo aumento de Covid-19 no Litoral Norte | 2M Notícias

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Médico alerta para situação dramática provocada pelo aumento de Covid-19 no Litoral Norte

Médico alerta para situação dramática provocada pelo aumento de Covid-19 no Litoral Norte

“Vivemos uma situação delicada e que teve um agravamento em consequência dos últimos feriados e eventos políticos desde o dia 2 de novembro, até após o período eleitoral, fazendo com que a média de doentes diários, que em outubro era de 81 casos, passasse a 164 casos diários no mês de novembro”. A afirmação é do médico Joaquim Dellamora Mello, responsável técnico pelo Hospital Santo Antônio da Patrulha da Santa Casa de Misericórdia. De acordo com ele, pode-se perceber que é uma situação que começa a ficar fora do controle. “Temos que destacar que a única forma que existe para que esses números voltem ao controle e a curva sofra um achatamento, é de que a população entenda que o método eficaz é o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos, porque o vírus só consegue contaminar pelo contato através do nariz, olhos e boca”.
AUTOCONTAMINAÇÃO
Explica o dr. Joaquim que a própria pessoa se autocontamina ao tocar em uma superfície onde há o vírus que pode permanecer viável para contaminar por até cinco a sete dias, podendo produzir as condições necessárias para que o vírus desenvolva a doença no seu organismo. Após o micro-organismo se instalar, o que existe é apenas um tratamento de suporte para melhorar a função respiratória do paciente, a fim de que a pessoa possa respirar melhor, mas efetivamente uma terapêutica eficaz ainda não foi encontrada, por se tratar de uma virose contra a qual ainda não existe remédio. “É preciso que a população entenda a gravidade e a importância dessas medidas que estão sendo transmitidas de maneira contínua há nove meses e que agora, meio que caiu no senso comum, pelo fato das pessoas manifestarem cansaço pelo longo confinamento, reagiram fazendo uma negação de todas as recomendações como se a doença pudesse estar controlada, o que infelizmente não é verdade, nem real, porque as pessoas continuam adoecendo e morrendo por causa dessa doença”, alerta.
COLAPSO
Acrescenta o dr. Joaquim Dellamora Mello que especialmente na região do Litoral Norte, o que se observa é que o sistema de atendimento médico está muito próximo do colapso “e, se não conseguirmos conscientizar a população, em pouco tempo – infelizmente – não teremos como dar conta de atender os doentes, porque a velocidade com que a doença cresce, é muito maior do que a das pessoas que melhoram e têm alta. E por esse motivo, por causa de internações longas, isso inviabiliza a possibilidade de recebermos e cuidar de novos pacientes”.
MORTES
O médico revela que, em novembro, Santo Antônio apresentou uma média diária de 1,9 pessoas morrendo especificamente de Covid. “O que temos observado é que esse número aumentou 81%. Se olharmos essa curva, podemos identificar o comportamento da doença, e isso mostra um futuro muito preocupante. Se não houver conscientização, teremos grandes problemas e muitas dificuldades para dar conta do atendimento”.
LEITOS CLÍNICOS
Revela o dr. Joaquim Dellamora que normalmente o Hospital Santo Antônio da Patrulha tinha uma média de 6 a 8 pacientes, mas na terça-feira da semana passada esse número chegou a 42 internações. “No momento há quatro pacientes com ventilação mecânica. Não temos UTI e não conseguimos transferir pela impossibilidade de os hospitais receberem novos pacientes. Na segunda-feira (30/11), conseguimos transferir uma paciente de 39 anos para Tramandaí após muita pressão. E naquele momento havia na sua frente, 36 pessoas necessitando de um leito de UTI”.
APELO
Finalizando, o médico responsável técnico pelo Hospital Santo Antônio da Patrulha da Santa Casa de Misericórdia reforça o pedido a todos para que respeitem o distanciamento social, a utilização de máscaras e a higienização das mãos, única maneira eficaz de se evitar o contágio, porque quando surgir a vacina, não será possível imunizar 212 milhões de brasileiros de um momento para outro, sendo necessário um tempo mais longo e isso vai representar um número maior de novos doentes e de óbitos.