Historiador fala sobre aniversário de D. Pedro I em Santo Antônio | 2M Notícias

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Historiador fala sobre aniversário de D. Pedro I em Santo Antônio

O historiador patrulhense Fernando Lauck é um profundo estudioso da história do Município. E a matéria que estamos publicando resulta de uma das provas da Gincana alusiva aos 49 anos da Associação Comercial e Industrial de Santo Antônio. Lauck começa por afirmar que sempre acompanha as atualizações da Biblioteca Nacional e de Museus e Arquivos do Brasil e do Rio Grande do Sul. “Assim, em uma noite de pesquisa fiquei navegando na Hemeroteca Digital Brasileira, um portal de periódicos de todas as partes do Brasil, com ampla consulta pela internet a jornais, revista, anuários, boletins, etc… A pesquisa no portal é rápida e fácil. Pode ser efetuada por período, por periódico ou então por local.”
O historiador efetuou a pesquisa por localidade e no período de início do século XIX. “Quando digitei o nome de Santo Antônio da Patrulha, poucos resultados vieram, mas o que apareceu foi revelador. Um jornal do dia 27 de outubro de 1830 em que um artigo descrevia uma cerimônia realizada na cidade no dia 15 de outubro de 1830, para comemorar o Aniversário do Imperador Dom Pedro I, muito embora ele estivesse apenas representado por uma efígie.
Explica Fernando que quando encontra um registro histórico como esse, não costuma anunciar de imediato, pois acredita que haverá uma oportunidade mais abrangente para utiliza-lo. Foi o que aconteceu com esse “Artigo Comunicado” o qual serviu como Prova na Gincana Memória dos 49 anos da ACISAP. “A prova era simples: bastava localizar a publicação no portal e imprimir a capa do jornal em que o artigo foi publicado, porém a redação precisava ser interpretada. Diferente e reveladora foi a prova mais complexa da gincana e nenhuma equipe conseguiu apresentar.”
A riqueza de detalhes desse artigo registrou tudo que foi possível pelos olhos e pela mão do escritor que não publicou seu nome. “Para mim, a revelação dessa fonte preenche lacunas na historiografia local. Uma delas é a relação que Santo Antônio da Patrulha procurava ter com o contexto nacional, isto é, a Monarquia Brasileira no Primeiro Império. Outra lacuna preenchida são os registros das manifestações folclóricas das danças de fita, jardineira e de máscaras. Contudo, a leitura do documento é mais interessante que quaisquer considerações que possamos fazer no momento. Todo patrulhense identificado com a cultura e com a sua história, deve tomar conhecimento desse registro histórico.”
UMA PUBLICAÇÃO HISTÓRICA
A seguir transcrevemos esse registro histórico com a grafia da época, ou seja: 1830 e que figura no Jornal “O Constitucional Rio Grandense, datado de 27 de outubro daquele ano.
A publicação nos proporciona uma volta ao passado no “Túnel do Tempo”, para que saibamos como era a Santo Antônio de então. Boa leitura a todos e um obrigado ao Fernando Lauck por prestigiar a Folha com essa publicação histórica ocorrida há 186 anos:
“ARTIGO COMMUNICADO. Como se tem feito muitos e diversos festejos por motivos Nacionaes em varios pontos desta Provincia, os quaes se não tem publicado por falta de quem se incumba de os descrever, eu, por esta vez tomei a tarefa de fazer huma resenha do que observei de mais notavel nos festejos que nesta Villa se fizerão com applausos ao feliz Natalicio de S. M. o I. CONSTITUCIONAL: elles inda que símplices, e sem pompa, excederão com tudo ás forças do Paiz, e bem mostrarão os desejos de que se possuem os Brasileiros em taes dias. Na rua Principal, que serve de Praça, armou se hum espaçoso tabolado, guarnecido de 14 arcos enramados de verde, e flores do Paiz, representando huma sala, e platéa para os espectadores: no fundo do tabolado em lugar elevado, foi colocada a efiigie de S. M. I. e CONSTITUCIONAL sobre hum throno ricamente ornado, e illuminado. Tendo se espontaneamente iluminado toda a Villa na vespera á noite, depois de soarem repetidos estrondos de foguetes; concorreu o Povo ao tabolado, cuja iluminação excedia humm gesto a todas as outras; ali vimos hum Dramma bem composto, em que representarão o Genio do Brasil, Astréa, e Liberdade, findo o qual descobrio se a efigie de S. M. Constitucional; e immediatamente se appresentarão dous Cidadãos vestidos em diplomacia, que servirão de sentinella, logo o Sr. Presidente da Camara Municipal deu vivas aos mais sagrados objectos dos Brasileiros, os quaes foram de tal maneira proferidos, e com tal enthusiasmo, que ainda por algum tempo continuarão. Depois do Dramma apparecerão sobre o tabolado 3 meninos elegantemente vestidos á Jardineira, que recitavão versos cada hum analogos ao Augusto Imperante, á Constituição do Império, e á Assemblea Legislativa, depois destes igualmente apparecerão dous Pastores, que tambem recitarão algumas producções Poeticas dedicadas aos mesmos objetos; sendo tanto huns como outros em extremo aplaudidos: seguio se huma dança de meninos (que constava de 6 pares) vestidos á Jardineira; os quaes depois de varios prelúdios arranjarão sobre hum pequeno mastro hum trançado de fitas de diversas cores, e o destrançarão com tal destreza, que se não esperava de sua pequena idade: seguio-se a estes huma dança de velhos, que não foi menos bem applaudida, e tendo se seguido varias danças dos espectadores de ambos os sexos; terminou o divertimento ás 3 horas da madrugada: seguirão se então os toques de matina em caixas de Guerra tocadas por pessoas habeis, repiques de sinos, e fogos, até amanhecer. Em algumas horas do dia se divisarão mascaras descentemente vestidos: e á noite repetio se sobre o tabolado da Praça o mesmo que na noite antecedente, obtendo dos espectadores igual applauso: foi muito sensivel tanto á Camara Municipal, como aos Cidadãos desta Villa a ausencia do nosso Parocho, que por isso nos privou de dirigirmos ao Creador a acção de graças devidas a este dia. A boa ordem, que nestas occasiões publicas se observa, vai nos dando a conhecer, que o nosso Povo já se vai costumando ás reuniões em Sociedade, principalmente cá nestes lugares, onde as communicações se tornão tão difficeis. He assim, Sr. Redactor, que se festejou o natalício de S. M. Constitucional nesta Villa; e seus habitantes continuarão á dar provas do brio, que se ocupa, e da adesão que conservão á Constituição do Imperio, e á seu Augusto Imperante. Por hum Amigo da Constituição, e do throno, Villa de Santo Antônio da Patrulha 15 de Outubro de 1830”.
Fonte: Jornal “O Constitucional Rio Grandense”, Ano de 1830, Número 242, Porto Alegre, Quarta-feira, 27 de outubro. Disponível em: http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital – Hemeroteca Digital Brasileira.



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