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Estiagem continua castigando o município

Estiagem continua castigando o município

Há algumas edições, a Folha Patrulhense abordou a situação que começa a se tornar dramática, da seca que assola todo o Estado, com sérios reflexos na agricultura e, consequentemente, na nossa economia.
Nesta edição, voltamos a abordar este importante assunto.
Esta entrevista feita com o gerente da Corsan local, Gabriel Lorenci estampa a situação do abastecimento d’água em razão da estiagem, agravada agora com a pandemia do Coronavírus.
A forte estiagem que persiste, tem seus reflexos em todos os setores. E especialmente em um deles que é vital para a sobrevivência humana: a água.
Ainda não temos racionamento em Santo Antônio porque, conforme o gerente da Corsan, não atingimos o momento crítico até agora. Mas o nível do rio está baixo e se for levado em consideração que o município tem um sistema misto de captação através de poços artesianos e o rio, a água ainda não está sendo racionada.
Mas, conforme Gabriel Lorenci, para que o pior não aconteça, é vital que a população economize água. “Realizamos o monitoramento constante junto ao rio e aos poços”, explica, para frisar que uma decisão extrema ainda não foi tomada porque os técnicos monitoram periodicamente os poços artesianos e nível do rio.
Na localidade de Vila Palmeira foram feitas várias solicitações de ligações à Corsan, porque o nível dos poços artesianos domésticos está diminuindo.
“Se as pessoas se conscientizarem, por enquanto haverá água suficiente. Caso contrário, o racionamento poderá ocorrer”, alerta.
O gerente disse lamentar que muitos realizam verdadeiro desperdício de água, lavando calçadas, carros e até, como aconteceu recentemente com o forte calor, voltando a encher piscinas.
Mas ele explica que, com relação à atual estiagem, não tem lembrança de que tivesse acontecido algo pior nos últimos 20 a 30 anos.
Acrescenta Gabriel que em Glorinha, município atendido pela Corsan patrulhense, no interior há relatos praticamente diários de poços artesianos que estão secando, já havendo problemas de abastecimento da população do interior daquele município.
Gabriel Lorenci reconhece que ocorrem dificuldades em alguns momentos em razão da pandemia, porque o consumo se torna muito elevado. “Tivemos alguns problemas eletromecânicos, porque os motores estão trabalhando acima da média. Destaca que mesmo tendo motor reserva, quando ocorre a queima de um deles, tem que haver deslocamento até o ponto onde o problema ocorreu para se verificar a situação. “Estamos conseguindo manter o abastecimento. Em casa, limitem o tempo no chuveiro. Ao lavar a louça, no momento em que ela estiver sendo limpa com o detergente, fechar a torneira, para somente ligá-la quando for lavá-la e enxaguá-la. Na máquina de lavar roupa, esperar que se complete uma carga. E, repete: evite lavar calçadas, lavagem de carros, porque, se isso não for feito, corremos sério risco de racionamento. “Precisamos do apoio da comunidade, não apenas na estiagem, mas sempre, porque a água é um bem que está cada vez mais escasso”, salienta Gabriel Lorenci, gerente da Corsan de Santo Antônio da Patrulha.
E por fim, um agradecimento a todos os colaboradores da Corsan, que trabalham incansavelmente, não tendo dia nem hora para resolver os problemas que surgem no abastecimento da cidade. Agradece também aos Meios de Comunicação que sempre disponibilizam seus espaços para a divulgação das comunicações que a Companhia precisa dirigir à comunidade.
A SECA QUE ATORMENTA A TODOS
Outra matéria que estamos publicando, refere-se à postagem do historiador patrulhense Jaime Nestor Müller. Ele reúne dados importantes sobre a ocorrência de períodos de seca em vários períodos da história recente do município. E estamos também postando uma das fotos que mostra o rio dos sinos seco, feita em fevereiro de 1986, pelo repórter Hermogenes Silveira, quando aconteceu uma das estiagens mais fortes do século 20.
Texto de Jaime Muller:
“No momento em que a humanidade está enfrentando uma pandemia pelo coronavírus e Santo Antônio da Patrulha também está engajado nesta luta, um fenômeno natural climatológico – estiagem (Código Brasileiro de Desastres-Cobrade-1.4.1.1.0), atinge 334 municípios no Rio Grande do Sul, sendo um deles o nosso. Em função disto, em 13 de março passado, o prefeito Daiçon Maciel da Silva, através do Decreto nº 54, declarou estado de emergência em nosso município. Nos dois últimos meses, março e abril, tivemos índices pluviométricos muito baixos, ocasionando um déficit de armazenagem de água muito grande. Vamos nos fixar tão somente no mês de abril deste ano, e fazer um comparativo. Neste mês que acabou de findar, tivemos um índice pluviométrico de 41 mm de chuvas, sendo nos últimos 14 anos o mais baixo. Em 2006, tivemos o mesmo nível de 41 mm, em 2004, 43 mm e o pior, conforme registros de 21 anos, foi o mês de abril de 2003, quando o índice de chuvas foi de 06 mm. Dando uma pequena volta de carro pela região próxima da cidade, fui verificar a situação dos dois arroios que cortam a cidade, bem como alguns açudes que são bem próximos da zona urbana e só pelo que percebi, imagino no restante do município como deve estar a situação. Também percebe-se nitidamente o estado das pastagens naturais usadas para o gado se alimentar. Nas zonas mais altas os campos estão com um capim que mais parece uma palha. Mas o que mais me chamou a atenção, foi a pouca quantidade de água armazenada nos Açudes do “Seu Modesto” e “Dos Caetanos”, bem como o nível dos nossos arroios, que praticamente tem um filete de água cada um. Próximo ao Loteamento Jardim Europa, o Arroio Pitangueiras “entra” e se mistura ao Arroio Passo dos Ramos e em tempos normais, o fluxo deles dali em diante até o Açude “Dos Pereira” é um só, sendo que hoje fotografei os dois, andando lado a lado com muito pouca vazão.”
Mas certamente a seca de 1986, superou as demais.




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