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Casal patrulhense que mora em Paris fala sobre impacto do COVID-19 naquele país

Casal patrulhense que mora em Paris fala sobre impacto do COVID-19 naquele país

Desde que a Folha Patrulhense iniciou uma série de reportagens, com os nossos rapadureiros que estão residindo em outros países, o leitor semanalmente está tendo a oportunidade de saber como está situação do COVID-19 nas comunidades estrangeiras, onde estão residindo e também sobre o trabalho que estão desempenhando fora do Brasil.
Começamos pela China e a Folha já aterrissou em vários aeroportos de diferentes países. E assim continuaremos com essa série. Desta vez, nossos amigos Bruna Migliavacca e André Brüch, que escolheram Paris para desempenhar suas atividades, conversam conosco. Esta reportagem teve a intermediação do colega Leo Gomes.
FOLHA PATRULHENSE: Há quanto tempo residem na França?
BRUNA MIGLIAVACCA E ANDRÉ BRÜCH: Nos mudamos para Paris em setembro de 2016.
FOLHA: Que atividade vocês exercem?
BRUNA: Eu trabalho como designer de produto no Chefclub, uma startup francesa cuja missão é unir a cozinha e o divertimento. O André é pesquisador no IFP (Instituto Francês do Petróleo).
FOLHA: Quais as medidas impostas pelo governo francês em relação ao COVID-19, porque sabemos que milhares de pessoas já morreram neste país vitimadas pelo vírus?
BRUNA: Desde a primeira quinzena de março, o governo impôs várias medidas pra conter o vírus. Todas as empresas em que o Home Office fosse permitido deveriam manter seus funcionários em casa. No caso dos setores que não podem fazer trabalho à distância (como restaurantes, indústrias, etc) o governo se responsabilizou por uma parcela (85%) do salário dos funcionários. As saídas foram restringidas ao raio de 1 km de casa, no máximo uma hora e apenas para compras de necessidades básicas como farmácia ou supermercado. Era necessário preencher uma autorização para caso de fiscalização.
FOLHA: A população aceitou desde o começo?
BRUNA E ANDRÉ: No caso de descumprimento das regras estabelecidas pelo governo, uma multa era aplicada (135€). Nós fomos fiscalizados nas poucas vezes que saímos de casa para compras básicas. No meses de março e abril as regras foram bem restritas e fiscalizadas.
FOLHA: Qual a região da França mais afetada?
BRUNA: A primeira região da França a registrar mais casos no início da Pandemia foi a Alsácia (região do nordeste da França na divisa com a Alemanha). A região mais populosa do país é a Île-de-France, onde fica Paris, então logo passou a ser a área com mais registros de casos. O total de casos na França foi de 28 mil mortos. Desde semana passada, todas as regiões, exceto a de Paris, passaram para verde. Nessas regiões as regras do desconfinamento são mais amenas que em Paris.
FOLHA: Quando aconteceram as medidas mais rigorosas?
BRUNA: Tivemos várias fases desde o dia 16 de março. No início as regras eram bem rigorosas. Agora estamos na fase de desconfinamento gradual. O uso da máscara em lugares fechados e a higienização das mãos segue obrigatória para entrada de alguns estabelecimentos e para o transporte público. Hoje (02/06), os bares e restaurantes estão autorizados a reabrirem seguindo uma série de regras e o atendimento só pode ser feito na parte exterior dos estabelecimentos. A abertura dos cinemas, teatros, academias está prevista para o final do mês se os casos de contaminação seguirem diminuindo.
FOLHA: Hoje, como está a situação?
BRUNA: Desde o início do mês de maio o número de casos tem diminuído bastante no país, então as regras foram flexibilizadas. A economia está retomando aos poucos, as lojas já estão autorizadas a abrirem, porém, o uso de máscara e álcool em gel é obrigatório na entrada dos estabelecimentos. Os parques devem abrir em início de junho. As empresas que podem manter o Home Office foram incentivadas pelo governo a continuar nessa modalidade, o que é o nosso caso.
FOLHA: Como tem sido a adaptação de vocês na França?
BRUNA E ANDRÉ: Desde o início nos identificamos bastante com a cultura do país. O inverno é mais longo e intenso do que estamos acostumados, o que nos faz valorizar ainda mais os dias de sol e calor do verão. Gostamos bastante de gastronomia e de viajar o que são duas características bem presentes na cultura francesa.
FOLHA: A colônia brasileira é expressiva aí?
BRUNA: Paris é uma cidade que tem gente de todos os lugares do mundo. Tem bastante brasileiros, sim. Para atender a essa demanda existem até minimercados com produtos brasileiros, o que nos deixa muito felizes, porque é lá que compramos rapadura de Santo Antônio para matar a saudade.
FOLHA: O que mais gostariam de acrescentar?
BRUNA E ANDRÉ: Esperamos que a situação melhore o quanto antes e que a vida que todos nós conhecemos volte ao normal. Muito legal essa série de reportagens Hermogenes. Venho acompanhando semanalmente. Muito bom ver os rapadureiros espalhados pelo mundo.




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