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Carla Costa, de Londres, fala com a Folha Patrulhense

Carla Costa, de Londres, fala com a Folha Patrulhense

No voo pelos cinco Continentes, chegamos à Londres, onde fomos encontrar duas irmãs que moram na capital britânica: Carla Costa e Renata Costa Hunter.
Ambas conversaram conosco. E como as respostas de ambas às perguntas que fizemos foram muito interessantes, decidimos (para que o leitor aproveite ao máximo o conteúdo), dividir a reportagem especial em dois capítulos: esta semana, conversaremos com a Carla e semana que vem com a Renata.
FOLHA PATRULHENSE: O que te motivou a mudar para Londres?
CARLA COSTA: Depois de ter dedicado a minha vida ao teatro e ter me mudado para Porto Alegre aos 20 anos de idade, tendo viajado por quase todos os estados brasileiros com alguns grupos, me mudado para o litoral para trabalhar no parque Aquático Acqua Lokos, onde estive por 4 anos, senti a necessidade de mudar mais uma vez, dessa vez um pouco mais distante, quando a minha irmã, Renata Costa Hunter, me estendeu a mão para um recomeço eu não pensei duas vezes em aceitar, vim para Londres para ficar três meses e já estou há 4 anos.
FOLHA: Em que trabalhas aí em Londres?
CARLA: Tive muitos trabalhos como camareira, babá, babá de cachorros, assistente de cozinha, limpeza de apartamentos, passeando com cachorros, como runner, um Pub, um clube de golfe e agora trabalho em um restaurante de rede que se chama Wagamama de comida japonesa com mais de 130 lojas, uma longa estrada já que não falava inglês quando cheguei.
FOLHA: O inglês é receptivo?
CARLA: Como diz a minha irmã Renata, Londres é uma cidade diferente das outras da Inglaterra, é uma cidade multicultural que recebe milhares de turistas todos os dias e muitos dos trabalhadores são imigrantes, então é uma cidade que lida bem com as diferenças e culturas, eu me senti acolhida aqui.
FOLHA: Como tem sido a adaptação ao frio?
CARLA: O frio é intenso mesmo quando é calor é frio, mas a maioria dos locais tem calefação e as roupas são próprias para o inverno. Mas confesso que nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro fica mais difícil de sair de casa, nessa época do ano, o sol se põe às 15h30min, e nasce às 07 horas.
FOLHA: Pretendes continuar morando fora do Brasil?
CARLA: Neste momento não tenho planos de voltar a viver no Brasil, vou visitar assim que possível, pois sinto falta da minha família e dos amigos. Eu tenho a minha filha morando em SAP. Morro de saudade dela.
FOLHA: E agora vamos a um dos pontos altos do nosso trabalho: a Pandemia. Como está hoje a Inglaterra? Li que três países do Reino Unido já foram declarados livres da doença.
CARLA: Quanto a pandemia a Inglaterra tem quase 60.000 mortos, um número muito alto para um país que é do tamanho do RS. Algumas cidades do Reino Unido voltaram a fechar semana passada, e o governo estuda medidas de contenção da pandemia como voltar a fechar pubs e restaurantes para poder reabrir as escolas em setembro. As regras de quarentena voltaram a ser exigidas nos aeroportos após os aumentos dos casos.
FOLHA: O povo aceitou bem as determinações do governo?
CARLA: Os ingleses são conhecidos por serem rebeldes, mas diante de algo tão sério como a pandemia do Coronavírus, as ruas ficaram vazias como nunca antes havia acontecido. Restaurante e bares fecharam pela primeira vez em mais de 100 anos, alguns nem durante a segunda guerra mundial haviam fechado. Os ingleses não gostam muito do uso de máscara, embora agora seja compulsória o uso em lojas e supermercados. Mesmo assim, o movimento nas ruas ainda não voltou ao normal, estamos vivendo o novo normal.
FOLHA: já viram de perto a Rainha?
CARLA: A rainha Elisabeth agora com 94 anos, segue firme e forte, no seu aniversário de 90 anos a vimos passar em carro aberto, tenho certeza que ela acenou para Renata e para mim. Embora a família Real britânica seja bem polêmica, há quem ame e quem seja contra a monarquia. É importante ressaltar o vigor e o simbolismo da Rainha que leva a sério o seu trabalho de monarca há mais de 70 anos. É possível conhecer um pouco sobre a vida da rainha no seriado The Crow disponível na plataforma Netflix.
FOLHA: Mortes: como a Inglaterra tem reagido a esse drama que é mundial?
CARLA: Este momento tão difícil foi bonito ver os ingleses aplaudindo os profissionais da área da saúde, ver os jovens se voluntariando para ajudar os mais velhos, os bancos de alimentos recolhendo donativos, os moradores de rua foram realocados para hotéis no centro da cidade (sim, temos muitos moradores de rua), ninguém soltou a mão de ninguém.
FOLHA: O que mais gostariam de acrescentar?
CARLA: Gostaria de agradecer a oportunidade de contar um pouco sobre a minha vida e dizer obrigada a minha irmã Renata, que me recebeu em Londres e me ensinou tudo sobre esse diferente mundo, tendo paciência e amor, toda a minha família muito obrigada, a todos que tenham fé que esse momento difícil vai passar e seremos lembrados pelas nossas ações em prol da saúde e do amor ao próximo. Existem dias bons e ruins para todos, se você é uma pessoa boa, seu dia bom pode estar bem perto, não desista! Um beijo a todos!