Bruno Peixoto mora em Miami, a capital da América Latina | 2M Notícias

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Bruno Peixoto mora em Miami, a capital da América Latina

Bruno Peixoto mora em Miami, a capital da América Latina

Em nossa viagem virtual pelo mundo, aterrissamos no Aeroporto Internacional de Miami e lá nos espera Bruno Peixoto, que há três anos mora com a esposa, que conheceu em Montevidéu em um casamento e que tem um filho de quatro anos. Eles moram em Miami, no sul da Flórida. Vamos conhecer a trajetória de Bruno, filho de João Alfredo Peixoto (Pichula) e de Maria Helena e sua família nesta reportagem especial.
FOLHA PATRULHENSE: O que te motivou a morar fora do Brasil?
BRUNO PEIXOTO: Em realidade a decisão de viver em outro país ocorreu ainda em 2009. Minha namorada, hoje esposa, vivia no Uruguai e acabei sendo aprovado em um mestrado em Montevidéu. Esta aprovação acabou sendo a “desculpa” para a mudança de país e a consequente mudança de Porto Alegre para Montevidéu, onde vivemos até 2017, ano de nossa vinda à Miami.
FOLHA: Qual a tua atividade?
BRUNO: Sou advogado na área tributária. Ainda em Montevidéu após a conclusão dos créditos do mestrado trabalhei na filial uruguaia de um escritório inglês, fundando em 2016 a BP Tax, escritório do qual sou sócio, dedicado exclusivamente à tributação internacional e que hoje está aqui em Miami, São Paulo, Nassau e Montevidéu.
FOLHA: Como foi a adaptação no novo país?
BRUNO: A adaptação em Miami foi muito fácil. A cidade é extremamente agradável, contando com uma enorme comunidade de brasileiros e uruguaios em situação muito parecida a nossa, casais jovens com filhos pequenos, o que facilita muito a adaptação e fomenta o cultivo de boas amizades e o senso de comunidade.
O espanhol, em maior medida, e também o português são amplamente falados, o que acaba tornando o ambiente ainda mais caseiro. O fato de que vínhamos com bastante frequência à cidade ainda quando morávamos em Montevidéu naturalmente também facilitou esta adaptação.
FOLHA: O idioma chegou a ser problema, ou já falavas inglês?
BRUNO: Não foi problema. Tanto eu quanto a Ingrid já falávamos inglês.Hoje o Antônio, que tem quatro anos, tem o inglês como sua primeira língua pelo colégio, apesar de também falar português e espanhol.
FOLHA: Moras em que cidade e a família foi constituída aí, ou em outro país?
BRUNO: Nós moramos em Miami, no sul da Flórida. Sou casado há nove anos – celebramos nosso décimo aniversário em dezembro, com a Ingrid, minha amada esposa. Nos conhecemos no casamento de um amigo uruguaio em Montevidéu. Na época morava em Porto Alegre. Hoje somos pais do Antônio, que tem 4 anos e nasceu em Montevidéu, vindo para Miami ainda bebê.
FOLHA: Como é a receptividade do americano ao imigrante, especialmente ao brasileiro?
BRUNO: Costuma-se dizer, com muita razão, que Miami é a capital da América Latina. Em função dos tempos que vivemos realmente a questão imigratória se tornou um aspecto central na política americana, mas felizmente em Miami ou qualquer outra cidade que estivemos no país, seja a passeio ou a trabalho, a receptividade sempre foi ótima.
FOLHA: Pretendem continuar morando no exterior?
BRUNO: Esta é uma excelente pergunta que nos fazemos com enorme frequência. E acredito que boa parte daqueles que saem de seus países sempre o fazem. Será que seguiremos vivendo nos Estados Unidos? Voltaremos ao Uruguai? E devo reconhecer, em menor medida, apesar da enorme saudade da família e dos amigos, se voltaríamos ao Brasil.
Atualmente dificilmente conseguiríamos nos mudar, pois grande parte do trabalho está aqui. Nossa mudança foi motivada exatamente por esta razão. Justiça seja feita, a qualidade de vida que aqui existe enquanto à segurança, facilidade em ter acesso a serviços, oportunidades não apenas a nós, adultos, mas também às crianças, etc, é, sem dúvida, e lamento muito ter que dizer isso, difícil de se encontrar não apenas no Brasil, mas também em qualquer país da América Latina. De outro lado está a falta que a família e os amigos de toda a vida fazem não só no dia a dia dos adultos, mas também no do Antônio e dos filhos que se Deus quiser virão. A dificuldade em ter essa resposta está justamente neste pêndulo. Em que momento deve-se privilegiar um ou outro.
FOLHA: E a pandemia: como tem sido essa situação?
BRUNO: A pandemia aqui, como entendo em virtualmente todos os lugares, teve consequências terríveis. Lembro de estar em Nova York no dia 12 de março e no meu regresso à Miami tive que entrar em quarentena compulsória, fechando nosso escritório na cidade (que ainda está fechado, com planos de reabri-lo apenas no final do mês) e tendo que coordenar e balancear os medos da família, as incertezas que toda esta situação geraria, já que nesta mesma semana as aulas foram suspensas e virtualmente tudo foi fechado, como shoppings, restaurantes, etc.
Miami chegou a ser considerado como o “hot spot” nos Estados Unidos, com mais de três mil casos por dia da doença. Felizmente hoje o cenário é outro, tendo as aulas já iniciado no início do mês de setembro, além de uma seminormalidade em nossas vidas já ocorrendo e uma média de 300 casos novos ao dia. Acredito que toda esta situação nos fez valorizar ainda mais a família e os esforços que o outro faz no dia a dia e que por muitas vezes passam despercebidos. Está sendo um belo aprendizado diário que felizmente nos fortaleceu muito.
FOLHA: Qual o comportamento dos cidadãos em relação às medidas governamentais a respeito da pandemia?
BRUNO: Os Estados Unidos é um país sui-generis neste sentido. Apesar de uma federação, como o Brasil, os estados têm muito mais poder para impor suas políticas e leis. Por esta razão, por exemplo, a licença para advogar no país e emitida por estado, existindo exames equivalentes ao exame de ordem (da OAB) em cada estado americano. A União não tem a capacidade de determinar uma política única, mesmo nestes casos.
Por esta razão, estados como Nova York, California ou New Jersey implementaram medidas extraordinariamente duras para tentar mitigar a transmissão do vírus, e outros, como o Texas ou o Arkansas, que fizeram um lockdown ao início, decidiram por não impor o uso obrigatório de máscaras ou o fechamento de negócios sob a perspectiva de manter as liberdades individuais de seus cidadãos. Esta condição muito peculiar faz com que existam, assim como no Brasil por duas dimensões continentais, regiões com situações díspares umas às outras em relação ao avanço do vírus. Dito isso, a grande maioria dos americanos têm seguido as recomendações médias e graças ao acesso à medicina, as mortes felizmente têm estado em um patamar proporcionalmente baixo.