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Andressa morou na Austrália e agora vai para a República Tcheca

Andressa morou na Austrália e agora vai para a República Tcheca

Nossa viagem virtual pelo mundo, mais uma vez vamos chegar à Sidney, na Austrália. E lá vamos encontrar a patrulhense Andressa Menezes, sobrinha do nosso diretor Moacir Menezes. Temporariamente ela está no Brasil, mas em breve estará alçando voo para a Checoslováquia. É com ela a conversa de hoje para falar sobre sua experiência em terras estrangeiras.
FOLHA PATRULHENSE: O que te levou a morar na Austrália e por que voltaste?
ANDRESSA MENEZES: Aprender a falar um segundo idioma sempre foi um objetivo, mas decidi que concluir o meu bacharel seria prioridade, quando o fiz comecei a me organizar e dois anos depois eu estava embarcando para Austrália. Eu não sabia ao certo o que esperar porque a ideia inicial era ir para o Canadá, mas a possibilidade das 20 horas de trabalho para quem cursa inglês me fez decidir pela Oceania. Hoje, penso que não poderia ter tido melhor decisão, afinal, também faz parte da lista dos melhores países para se viver, assim a vontade de aprender inglês se tornou minoritária perto de tantos outros benefícios e pela paixão em viajar que desenvolvi. Após 4 anos sem vir, ao concluir o mestrado eu vim ao Brasil em março de 2020 para passar 10 semanas de férias antes de finalmente iniciar o meu visto de trabalho e dar início a tão batalhada residência por qualificação, em janeiro eu havia sido aprovada para um cargo no Departamento de Justiça de Western Austrália, estado em que eu morava. Eu assumiria no meu retorno em maio. Pouco mais de uma semana de férias a Austrália anunciou que as fronteiras seriam fechadas e eu decidi ficar no Brasil junto da minha família, e esperar.
FOLHA: Como foi o período em que moraste neste país?
ANDRESSA: Os últimos 5 anos foi um período de muito aprendizado e desafios, não foi fácil e nem barato, mas que foi o suficiente para que considerasse a Austrália a minha segunda casa e desejasse fortemente a minha cidadania. Estudei inglês por dois anos, fiz um técnico em negócios para desenvolver vocabulário na minha área e então consegui ingressar na Universidade Edith Cowan e concluir o mestrado de dois anos em Administração de negócios Internacionais. Durante este período eu trabalhei (muito) como barista, pessoa que faz café, desenvolvi habilidades e técnicas como arte com o leite (latte art) e tinha clientes fiéis, chegando a fazer 500 cafés em um turno de 6 horas. Com o meu trabalho eu custeei o meu estilo de vida e paguei os meus estudos. Por ter que conter os gastos eu optava por viagens e passeios econômicos e próximos à natureza, como dormir no carro, na praia, na barraca, fazer caminhas e explorar as lindas praias, parques e vida selvagem do país.
FOLHA: O idioma, os costumes e a cultura representam para ti?
ANDRESSA: O idioma é o Inglês, mas conta com uma variedade de dialetos dos aborígenes australianos, o povo nativo da ilha antes do descobrimento por ingleses. Mas não pense que é um inglês como em qualquer outro país, tem sotaques, expressões gírias e abreviações bem particulares, por exemplo o buddy (parceiro) virou o mate, o avocado (abacate) virou o avo. Falando em abacate, na Austrália ele está em tudo, no sanduíche, no sushi, na salada, nas vitaminas. Alguns costumes como levar a sua bebida para o restaurante ou fazer picknicks eu super me adequei e sinto falta aqui no Brasil. Eles também não costumam trabalhar até muito tarde. O dia começa cedo (5 horas) e o fim do dia em qualquer dia, pode ser num bar pro happy hour, na praia ou no parque para contemplar o pôr do sol – Perth, onde morava, fica na Sunset coast – a costa do pôr do sol
FOLHA: Pretende viajar de novo para outro país, me parece que do leste Europeu, por que esta decisão?
ANDRESSA: Pretendo viajar sempre que puder! Mas em duas semanas meu próximo destino (e não sei por quanto tempo) será Praga na República Tcheca. Meu namorado é natural de lá e está comigo em Santo Antônio os últimos 7 meses, então decidimos ir também para o país dele. Como aventureiros e viajantes que somos, não temos nada muito planejado para além de um mês, a gente cria a oportunidade e colhe os resultados, se uma boa oferta vier de qualquer outro país da União Europeia fazemos as malas e vamos novamente. A única certeza do meu roteiro é ir até a pequena cidade Montesano Sulla Marcellana no sudoeste da Itália para me reconectar com as minhas origens, de onde vem a família do meu avô Eridson Massulo Menezes.
FOLHA: O que representa para ti esta experiência de morar fora do Brasil?
ANDRESSA: Representa liberdade e oportunidade. Quando se está só tens que lidar consigo mesma e tens a liberdade de ser quem te faz feliz ser, longe dos padrões estabelecidos pela sociedade. Um mundo de oportunidade para explorar, desde comida, lugares, pessoas e culturas. Ter podido compartilhar disso com meus pais realmente foi recompensador.
FOLHA: E quanto a pandemia: como administrasse este problema?
ANDRESSA: Posso dizer que ainda estou administrando, pois a pandemia teve um impacto em tudo que estava planejado para este ano, mas não acho que foi um impacto ruim, apenas diferente. A Austrália tem lidado muito bem com isso, muito no início fizeram o isolamento de fronteiras internacionais, estaduais e regiões, alguns estados ainda mantêm as estaduais fechadas e as internacionais nem previsão têm, apenas especulações. Aqui no Brasil, eu não vejo a mesma preocupação nem por parte dos nossos líderes e nem mesmo por parte da população, às vezes, até comento que o problema do Brasil é o Brasileiro, uma mentalidade muito individualista, em auto “se dar bem”. Felizmente eu me mantive trabalhando remotamente obedecendo as precauções como o uso de máscara, álcool em gel e evitando aglomerações, por conta da pandemia não pude me reunir com amigos e familiares que há anos não vejo, agora antes de partir novamente e mais ciente dos riscos deste vírus estou tentando rever estas pessoas mantemos a distância segura, aprendendo a administrar hábitos e conviver com esta realidade. Como estou de partida terei que fazer alguns testes do Covid-19, antes de partir e após aterrissar. Os casos estão aumentando na República Tcheca e ainda não dá para aliviar os cuidados. Com tudo isso, o retorno pra Austrália continuará prorrogado, eu quero voltar e continuar, todas os meus pertences continuam lá, pois eu saí de férias carregando apenas uma mala.
FOLHA: O que mais gostarias de acrescentar?
ANDRESSA: Apesar de estarmos passando por esta situação mundial, eu encaro o momento com positividade e procuro criar alternativas ao invés de lamentar o planejado impactado. Sou grata por estes meses aqui na nossa cidade, aproveitei para revisitar e mostrar ao namorado checo nossos doces e nossos pontos turísticos, aproveitei para falar mais português e para estar em família. Me coloco à disposição de qualquer pessoa que tiver mais curiosidade sobre esta experiência e quiser mais informações sobre, nada teria dado certo para mim se eu não tivesse encontrado pessoas que me ajudaram.