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A vida no exterior de Andrea Knox-Roberts, uma patrulhense na Inglaterra

A vida no exterior de Andrea Knox-Roberts, uma patrulhense na Inglaterra

A Folha Patrulhense conversa nesta edição com Andrea Knox-Roberts, há 24 anos morando na Inglaterra. Ela fala sobre sua adaptação, pandemia e afirma: continuará residindo naquele país.
FOLHA PATRULHENSE: Há quantos anos estás fora do Brasil e o que te levou a ir morar no exterior?
ANDREA KNOX-ROBERTS: Eu resolvi deixar o Brasil em 1996, portanto, há 24 anos. Minha mãe (Sirlene Maria da Rosa) nos criou e ensinou que deveríamos ter asas para voar, conhecer e descobrir lugares lindos neste mundo afora e meu pai (Ruy Barbosa da Rosa) era caminhoneiro. Então acredito que estava no meu sangue a necessidade para explorar as belezas deste país lindo que escolhi para começar a minha jornada: a Inglaterra.
Sai do Brasil com planos de aprender e usar o Inglês como minha segunda língua quando retornasse ao Brasil para trabalhar em companhia aérea, mas me apaixonei por este país assim que desembarquei no Aeroporto de Heathrow. Comecei a estudar inglês a partir do primeiro mês aqui e fiz diversos tipos de trabalhos no começo para ajudar com o idioma. Até mesmo trabalhei em Pubs, onde servíamos os famosos pints de cervejas. Aos pouquinhos me adaptava mais e mais e o inglês começou a ser usado com frequência e entendendo um pouco das famosas gírias deste povo aqui.
FOLHA: Qual a tua atividade atualmente?
ANDREA: Em 1999 comecei a trabalhar com uma companhia americana, GapInc, e faz 21 anos que continuo com eles. Tive a oportunidade de crescer no trabalho e faço a parte de Merchandising e vendas.
FOLHA: Como foi a adaptação (saindo de um país e indo morar em outro), no que se refere ao idioma, costumes e cultura?
ANDREA: Eu me adaptei muito bem. Como falei, foi amor à primeira vista deste país que é muito acolhedor. A culinária Inglesa é muito light com os temperos, os pratos tradicionais como o famoso fish and chips (peixe e batata frita), ovelha no forno, legumes e molho inglês, sem falar nas tortas de maçã.
A Inglaterra abriu as portas para a política com a European Union nos anos 70. Assim recebeu e continua recebendo milhares de cidadãos da comunidade Europeia, para serem residentes aqui entre outras nações. A diversificação de comunidades na Inglaterra é enorme, e isto influencia na gastronomia do país: indianos, poloneses, franceses, italianos, alemães, chineses, japoneses e muitos outros. A cultura britânica é simplesmente fantástica: museus, casas de artes, parques, castelos, monumentos, Príncipes e sem falar na nossa querida Rainha Elizabeth. A Inglaterra é um país pequeno (66 milhões de pessoas), as atividades aqui são imensas, sendo fácil para viajar e conhecer outros estados. Os meios de transportes são de primeira classe, com trens de norte a sul, e você pode ir de Londres a Escócia em 5 horas. As autoestradas e BRs são todas asfaltadas e com manutenções anuais.
FOLHA: O britânico aceita bem o estrangeiro?
ANDREA: O britânico é muito acolhedor, posso dizer que eles são um pouco fechados, mas sempre educados e principalmente pontuais
FOLHA: Vejo que tens o sobrenome de casada. Teu marido é britânico? Pretendes continuar residindo no exterior?
ANDREA: Sim, sou casada há 23 anos e meu marido Phillip é britânico. Temos uma filha de 10 anos chamada Mia e sempre digo: nascida na Inglaterra, mas com sangue brasileiro. E também estamos educando-a como minha mãe educou-me: estudar, trabalhar e viajar. Ter asas para voar e descobrir este mundo lindo.
Fiz da Inglaterra a minha casa e me sinto parte desta cultura aqui neste momento, o Brasil sempre será a minha terra Natal.
FOLHA: Como a Inglaterra vê o Brasil de hoje? Antigamente era só futebol e carnaval. Continua a mesma coisa?
ANDREA: A Inglaterra tinha uma admiração grande pelo Brasil. Quando se falava em futebol, Rio de Janeiro, Garota de Ipanema e carnaval, mas com tanta turbulência na nossa política e com o desmatamento da Amazônia, e com tanta corrupção e violência as opiniões estão mudando infelizmente, mas ainda assim o britânico está segurando apertado o amor que sente pelo nosso país e pelas nossas belezas naturais, sem falar na nossa caipirinha.
FOLHA: E a Rainha Elizabeth? Já tiveste o privilégio de conhecê-la pessoalmente?
ANDREA: Infelizmente nunca tive a oportunidade de conhecer a Rainha Elizabeth, mas posso dizer que sou praticamente vizinha dela aos finais de semana. Durante a semana a Rainha fica em London no Buckingham palace, e nos finais de semana vai para o Castelo de Windsor (aqui pertinho).
Nós temos uma admiração grande para com ela, pois é totalmente diferente do resto da realeza. Ela veio a ser rainha depois da morte do seu pai, no qual teve que adotar o papel de Rainha por causa do seu irmão que abdicou o trono. Ela prometeu ser Rainha para vida toda dela e até agora está cumprindo a sua promessa. Ela nunca se envolveu em escândalos pessoais, e raramente fala em público. No dia de Natal as três horas da tarde ela passa uma mensagem de paz e agradecimentos para a Nação e vem fazendo isto desde 1932.
FOLHA: Pandemia: como enfrentaste essa nova situação e como está hoje o país que adotaste em relação aos casos positivados e ao número de mortos? E o governo tem sido rigoroso nesse sentido? O povo obedece às normas oficiais?
ANDREA: No dia 23/03/20 a Inglaterra entrou totalmente no lockdown. O nosso primeiro Ministro anunciou as regras e realmente a população não hesitou em obedece-las. Entramos em lockdown duas semanas depois de Paris, e os nossos números já estavam altos. Com total lockdown a gente só podia deixar a nossa casa uma vez por dia para exercitar-se e no máximo duas vezes por semana para fazer compras em supermercados e farmácias. Tivemos muita sorte com a mudança de temperatura, porque no início de abril começou a esquentar e quando chegamos em maio o verão veio cedo. Em junho os Jardins e parques foram reabertos ao público, e então começamos a explorar e admirar ainda mais as pequenas atividades ao redor das nossas cidades, e aos poucos começamos a retomar um pouco da nossa rotina.
A Inglaterra construiu cinco novos Nightingale (hospitais com 10.000 leitos) com especialização somente para pacientes com COVID-19. A notícia boa é que somente 51 pacientes precisaram ser atendidos nesses hospitais. Agora estão tentando usar estas estruturas para o acomodamento de diferentes tipos de tratamentos. Tivemos 45 mil mortes de COVID-19 e os casos diminuíram durante o nosso verão, mas índices indicam que, com a chegada do inverno teremos uma alta nos casos.
FOLHA: O que mais gostarias de acrescentar?
ANDREA: Não existe coisa melhor que um chimarrão e uma rapadura patrulhense. Para finalizar gostaria de falar que sonhos são possíveis de serem alcançados, não interessa onde estejam. O importante é acreditar. Gostaria de enviar um abraço apertado a todos os meu amigos de Santo Antônio, especialmente à minha família.