Vestígios Açorianos em exposição | 2M Notícias

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Vestígios Açorianos em exposição

Vestígios Açorianos em exposição

Artista plástica, escritora e ilustradora, a gravataiense Denize Domingos desenvolve projeto para resgate e preservação da cultura açoriana em catorze cidades do Rio Grande do Sul

Denize atua como artista plástica há dezoito anos. Já desenvolveu um trabalho de pesquisa que resultou em dois livros de contos e lendas, ambos lançados na 27º Feira do Livro de Gravataí. Estudou por quase dois anos em Nova Iorque, onde iniciou sua investigação a respeito do resgate do patrimônio histórico e cultural integrado à arquitetura contemporânea. Foi a partir dessa experiência que surgiu o projeto “Vestígios Açorianos”, que conta com o apoio da CAERGS (Casa dos Açores do Rio Grande do Sul), Museu Agostinho Marta, FUNDARC (Fundação Municipal de Arte e Cultura), CTG Aldeia dos Anjos, Associação dos Carreteiros e outras entidades culturais de igual importância para a realização e desenvolvimento de sua pesquisa.

No ano de 2013, Denize realizou uma exposição de placas de cerâmica no estilo açoriano alusivas as comemorações dos 250 anos do município de Gravataí. Mas com os “seus” “vestígios açorianos” a artista pretende criar uma unidade histórico/cultural entre os catorze municípios de colonização açoriana contemplados com o seu projeto e dentre os quais encontra-se Gravataí. A partir da identificação e classificação de obras caracterizadas pelos agora clássicos traços portugueses serão criadas, confeccionadas e afixadas em fachadas placas com imagens e informações relevantes sobre cada um dos objetos retratados.

Vale ressaltar que nesse projeto foram selecionados e priorizados profissionais gravataienses, assim como sua criadora, para que se possa valorizar os talentos locais e ainda dar um estímulo à economia local numa tentativa clara e prática de melhor explorá-la, sobretudo com o turismo.

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O projeto que visa resgatar a memória e preservar a herança cultural e histórica deixada por tão importantes colonizadores do estado do Rio Grande do Sul a partir do patrimônio artístico/arquitetônico por eles deixado. O projeto contempla catorze cidades gaúchas que são: Caçapava do Sul, Canguçu, Gravataí, Guaíba, Jaguarão, Osório, Pelotas, Piratini, Rio Grande, Rio Pardo, Santa Maria, Santo Antônio da Patrulha, Vacaria e Viamão.

Os principais pontos turísticos, prédios históricos, atrações culturais e personalidades cujas imagens representem cada uma das cidades acima citadas serão reproduzidos em peças de cerâmica com bordas similares aos tradicionais azulejos portugueses. Então as placas de cerâmica serão afixadas junto aos principais pontos culturais de cada uma dessas catorze localidades. As peças serão confeccionadas com técnicas da mais alta tecnologia se utilizando das artes gráficas para reproduzir o design das clássicas peças de origem portuguesa.

A exposição dessas placas integradas a atual arquitetura de cada uma dessas cidades, já incorporadas ao patrimônio cultural das mesmas, estabelece um elo entre os municípios que tiveram os mesmos colonizadores já que com o progresso e desenvolvimento muitos traços da arquitetura instalada pelos imigrantes açorianos se perderam.

Também serão anexadas placas acrílicas juntamente com as placas de cerâmica contendo informações importantes sobre fatos relevantes a respeito de cada uma das imagens retratadas com o claro objetivo de promover a valorização e a difusão da memória entre as populações locais e também entre os turistas que essas cidades visitem.

Com este projeto Denize pretende mostrar que é viável integrar a arquitetura contemporânea desses lugares com elementos decorativos que remetam a um passado tão importante. Estabelecer o diálogo entre o novo e o “velho”, a começar pela aplicação de técnicas modernas para a reprodução de peças que marcaram o Brasil colonial.

Vestígio s açorianos é um projeto democrático em relação a gênero e extrato social, uma vez que suas obras estarão expostas nas ruas, afixadas nas fachadas de edificações públicas, com classificação indicativa livre.

Texto: Filipe Foschiera