Troca a construtora, mas os problemas continuam | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Troca a construtora, mas os problemas continuam

Troca a construtora, mas os problemas continuam

Compradores do Residencial Florença aguardam há mais de cinco anos pela entrega da obra

Imagine se você comprasse algo que demoraria dois anos para ficar pronto? Se tratando de um apartamento para sua família seria um tempo razoável, que poderia ser aproveitado para planejar os gastos futuros, ou inovar na decoração do novo lar. Mas se esse período de espera fosse aumentando, sem muitas explicações, e o sonho da casa própria se tornando um pesadelo? Provavelmente a única escolha seria se juntar aos mais de cem compradores deste residencial e manifestar seu descontentamento.

O empreendimento imobiliário Residencial Florença fica na rua Santa Clara 777, parada 65 de Gravataí. As vendas iniciaram em 2008, em frente ao terreno onde seriam construídos os apartamentos, mas hoje quem passa pelo local não encontra nenhum consultor de vendas ou placa promocional do empreendimento, e muito menos um residencial pronto para morar.

No lançamento, a imobiliária Nino Imóveis foi a responsável pela venda do residencial, e segundo compradores, a imobiliária se isentou da responsabilidade assim que começaram as complicações com a obra.

No folheto de divulgação do empreendimento, e nas placas no ponto de vendas, um selo era apresentado, passando assegurando a finalização da obra. A logomarca “Seguro garantia de entrega da obra: Caixa” era divulgada ao lado da Mérica Brasil, primeira construtora responsável pelo empreendimento. A entrega da obra estava prevista para 2010, e desde então quatro construtoras diferentes já passaram pelo residencial sem finalizar o empreendimento.

Atualmente a obra está parada e sem previsão de retomada dos serviços. Segundo compradores, somente metade das torres foram erguidas, e estas ainda estão com problemas nas estruturas, nas instalações de água e esgoto, e também nos padrões de ligações de luz elétrica. Estas informações teriam sido passadas pelos últimos trabalhadores em atividade no canteiro de obras.

“O desrespeito com os compradores é total, tanto por parte da imobiliária, quanto do agente financeiro, como de todas as construtoras. A minha família tem duas unidades ali (residencial), são sonhos parados desde 2010 que se tornaram um pesadelo”, destacou Felipe Mestre, comprador de um apartamento no Residencial Florença

A última construtora contratada pelo agente financeiro para finalizar a obra foi a Cubbos Consultoria Ltda, com sede em Porto Alegre. Em contato com a redação, o responsável pela empresa, Allan Furlan, informou que o contrato com a Caixa, para finalização da obra,  foi rescindido. Ele destacou ainda que a construtora trabalhou no residencial por cerca de um ano, e alguns serviços realizados não teriam sido pagos até o momento.

A imobiliária responsável pela venda dos imóveis, em contato com o JG, divulgou nota de esclarecimento: “A Nino Imóveis, que atua há 40 anos na cidade,  vendeu o empreendimento Residencial Florença I de forma exclusiva, com a recomendação e aprovação da Caixa Econômica Federal, que exigiu todos os documentos e aprovou a Construtora de forma unânime. As vendas foram realizadas regularmente e os contratos de financiamento foram assinados junto a Caixa Econômica Federal dentro do prazo estipulado. Não obstante, em virtude da demora exacerbada na entrega do empreendimento e as inúmeras trocas de construtoras, por parte do agente financeiro, a Imobiliária está participando ativamente de todas as reuniões junto a Superintendência da Caixa Econômica Federal e se colocando a disposição de todos os mutuários para toda e qualquer questão.”

Um grupo de compradores organizou uma manifestação, que será realizada na manhã desta quarta-feira (15), em frente a agência da Caixa, na parada 70  de Gravataí. No ato, com faixas e panfletos, os clientes lesados pretendem expor suas reivindicações, e aguardam uma resposta do agente financeiro quanto ao término das obras.

Texto: Filipe Foschiera