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MAIS DA METADE DOS ORELHÕES NÃO FUNCIONAM

MAIS DA METADE DOS ORELHÕES NÃO FUNCIONAM

Operadora de telefonia terá que arcar com custos de ligação local nos dispositivos até que patamar satisfatório seja alcançado

Quando as empresas brasileiras de telefonia foram formadas, no final da década de noventa, foi necessário criar metas para a popularização do serviço. Naquela época, os orelhões foram escolhidos como opção para quem não tinha como pagar por uma linha telefônica, que já chegou a custar o preço de um carro zero.

Com as metas, os orelhões de telefonia pública foram instalados em praticamente cada esquina das principais cidades. Nos demais lugares, seguiu um cronograma de instalações que levava em conta o número de habitantes da região. Foi um sucesso na época, mas atualmente parece que os orelhões estão com os dias contados. E o mais curioso é que isso ocorre não pela qualidade do serviço, mas sim pela aparente falta de interesse dos brasileiros.

A partir do último dia 15, as ligações locais para telefones fixos realizadas nos orelhões da operadora Oi não poderão ser cobradas em 15 estados brasileiros. Essa medida é resultado do trabalho da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no monitoramento dos patamares mínimos de disponibilidade dos telefones públicos da concessionária em sua área de atuação. As chamadas devem permanecer gratuitas até que os patamares satisfatórios de disponibilidade sejam alcançados, mediante aprovação da Anatel.

Na medição realizada no último dia 31 de março, a Oi não atingiu, de acordo com a Anatel, os patamares mínimos de disponibilidade em diversos estados. A disponibilidade da planta de orelhões deve ser de no mínimo 90% em todos os estados. Pensando nisso, o JG analisou a situação dos Terminais de Uso Público (TUP) na Aldeia, conhecido como “orelhões”.

Segundo a Anatel, o município de Gravataí possui 1055 terminais telefônicos públicos. Destes, menos de 20 ficam em locais fechados e não estão disponíveis 24 horas, e 35 aparelhos são adaptados para cadeirantes. Para deficientes auditivos e da fala não existe nenhum terminal com adaptação necessária.

O dado que demonstra a real dificuldade de utilizar o orelhão, ou melhor, de encontrar um que funcione, é o número de terminais em manutenção. Atualmente, em todo o município, 612 aparelhos estão em manutenção, ou seja, mais da metade dos terminais disponíveis em Gravataí estão sem funcionar. Fica claro que fazer uma simples ligação telefônica gratuita em um terminal de uso público será uma missão muito difícil.

Na zona central da cidade, e ao longo da Avenida Dorival de Oliveira, são 120 terminais de telefonia pública que ficam a disposição da população, mas a média se mantém. Apenas 55 orelhões estão funcionando corretamente. Já no Rincão da Madalena a situação é ainda pior. Dos 13 orelhões instalados, no bairro e arredores, apenas 2 estão funcionando.

 

A EVOLUÇÃO DO TELEFONE PÚBLICO

Alguns especialistas dizem que abandono do telefone público se deve à popularização da telefonia móvel. Afinal, com dez reais é possível recarregar um aparelho barato, obtido por meio de promoções. Ainda assim, também há quem diga que essas linhas móveis são apenas para receber chamadas, e que muitos consumidores recorrem ao orelhão quando precisam efetuar chamadas, até porque o minuto de ligação é muito mais barato no orelhão do que no celular.

Em Florianópolis a prestadora de serviços locais que detém a concessão dos telefones públicos também é a Oi, e ela testou o que seria um novo caminho para o terminal de uso público. Implantou um modelo com internet sem fio. O Wi-Fi é gratuito para sites governamentais ou da justiça, especialmente os que terminam em .gov.br ou .jus.br.

Nestes terminais o tempo de uso é ilimitado: qualquer um nas proximidades do orelhão pode acessar tais sites para fazer consultas ou obter informações. O usuário ainda conta com 15 minutos livres para acessar qualquer tipo de site. Até 2016, a Anatel pretende instalar 300 mil dispositivos de Wi-fi, semelhantes ao de Florianópolis, nos orelhões já existentes no País.

Texto: Filipe Foschiera