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Bloqueios diminuem e seguem manifestações

Bloqueios diminuem e seguem manifestações

Mobilização é maior em rodovias federais, onde 20 pessoas foram presas pela PRF

As manifestações de caminhoneiros que pedem redução no preço do diesel, menos impostos e pedágios e estradas em melhores condições de tráfego reduziram, mas ainda seguem em trechos de estradas gaúchas. Até as 16h30 eram 27 pontos de manifestações em rodovias estaduais e em duas (na RS-168 em Roque Gonzales e na RS-330 em Miraguai) havia bloqueios de pistas. Nas federais,  boletim da Polícia Rodoviária Federal (PRF) publicado em redes sociais às 16h dava conta de 18 locais com protestos – chegaram a 43 na última quinta-feira. O chefe de Comunicação Social da PRF, Alessandro Castro, contabilizou até as 18h desta segunda-feira 20 prisões, a maioria por descumprimento de ordens judiciais, obstrução de pistas e até vandalismo.  Agora, a expectativa de entidades principalmente ligadas ao transporte de cargas, à indústria e ao comércio é que a situação possa voltar à normalidade em meio a prejuízos.
“As empresas levarão de uma semana a dez dias para voltar à normalidade”, estimou ontem (2) o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística do RS (Setcergs), Afrânio Kieling. “Ainda há pontos com bloqueios principalmente no Estado, mas estamos torcendo para que volte à normalidade.” Ele diz que o prejuízo com as cargas paradas é imensurável.
No setor de combustíveis a esperança de donos de postos e de consumidores é que aos poucos os caminhões possam voltar a chegar aos pontos de venda. “Ainda há uns cinco pontos de bloqueios no interior em rodovias federais e estaduais”, apontou o presidente do Sulpetro-RS (sindicado que reúne postos de combustíveis no RS, Adão Oliveira. Ele estima que sejam necessários quatro a cinco dias até que os donos de caminhões-tanques de redes de postos, de distribuidoras e transportadores avulsos possam encher os compartimentos dos veículos nas distribuidoras do Estado. O que se deve ver, então, serão filas de caminhões nesses locais. “As distribuidoras não têm estrutura para repor estoques de uma hora para a outra”, explica.

PERDAS – Ontem, federações empresariais do RS reuniram-se na sede da Fiergs, que representa as indústrias, para avaliar o impacto dos bloqueios nas estradas. De acordo com o presidente da entidade, Heitor José Müller, problemas no abastecimento à indústria e aos consumidores chamam atenção. Ele citou que o setor metalmecânico, por exemplo, enfrenta falta de matéria-prima. Na indústria de transformação o prejuízo é, em média, de R$ 760,3 milhões em receita líquida de vendas por dia paralisado. Conforme a Fiergs, equivale a uma perda de 0,4% do Produto Interno Bruto anual.  Ele mencionou, porém, que no segmento de alimentos a situação é pior, com carregamentos paralisados em especial para os principais mercados compradores, no Nordeste. Mesmo que os embarques sejam  retomados, haveria congestionamento de destinos. Neste setor de alimentos a estimativa é de perda de receita líquida em vendas de até R$ 152,3 milhões por dia.
Também participaram do encontro as federações da Agricultura (Farsul), das Câmaras de Dirigentes Logistas, do Comércio de Bens e Serviços do RS e da Federasul, além de representantes de segmentos como avicultura, laticínios, suinocultura e alimentos, e os secretários estaduais da Agricultura e do Desenvolvimento Econômico, Ciência e tecnologia, Ernani Polo e Fábio Branco, respectivamente.

Assembleia tenta intermediação

Ontem de manhã foi a vez de a Assembleia Legislativa do Estado debater o assunto e ouvir as reivindicações dos caminhoneiros. Depois de diversas manifestações, inclusive de lideranças dos protestos, uma pauta foi aprovada para ser levada ao governo federal.  O secretário de Transportes do RS, Pedro Westphalen, afirmou ao final que a expectativa agora é que a Casa consiga marcar uma audiência com o governo federal antes do dia 10. A deputada Silvana Covatti (PP), que propôs a reunião, deverá encaminhar essa intermediação. Entre os pedidos estarão a redução do PIS/Cofins do óleo diesel ou subsídio, perdão de multas e notificações aplicadas durante a paralisação, sanção integral da nova lei do motorista, o que era esperado para ontem, carência de 12 meses para pagar financiamentos de caminhões e carretas, entre outras propostas.
Na reunião o representante da União Brasil Caminhoneiro, Osmar Santos Lima, defendeu a necessidade de criação de uma política ao setor do transporte de cargas, com tabela de frete a R$ 0,70/eixo por quilômetro rodado, e o cumprimento da lei do pedágio, que prevê o pagamento de tarifas por quem faz o embarque das cargas.
* (com informações da Assembleia Legislativa)

Texto: Thamy Spencer