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Sindicato quer vistoria em DPPA

Sindicato quer vistoria em DPPA

Até o final desta semana, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm Sindicato) deve encaminhar um ofício ao Corpo de Bombeiros e a Secretaria Municipal da Saúde para que a Delegacia de Pronto Atendimento de Gravataí (DPPA) seja vistoriada. O objetivo é verificar se o prédio em que abriga a DPPA possui, além do Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI), condições adequadas para manter detentos no local sem riscos iminentes de transmissão de doenças e outros problemas ligados à saúde. Caso seja necessário, o Sindicato quer que o local seja interditado.

Além de Gravataí, vistorias também serão solicitadas para delegacias de outras cidades da Região Metropolitana (Alvorada, Viamão, São Leopoldo, Canoas, Novo Hamburgo, entre outras) e da Capital. Atualmente, as DPPA’s, que deveriam abrigar presos, por, no máximo, 5 horas, até que fosse lavrada a ocorrência, se transformaram em verdadeiros presídios improvisados.
Segundo o vice-presidente do Ugeirm Sindicato, Fábio Nunes Castro, na manhã de ontem, a DPPA de Gravataí estava superlotada. Quatro viaturas da Brigada Militar estavam sendo usadas para abrigar os detentos. Registros do Sindicato mostravam que ontem haviam 31 presos detidos na DPPA de Gravataí, contando os que estavam em celas e nas viaturas. O prédio do local tem capacidade máxima para abrigar sete presos.
Em vídeo produzido pelo Sindicato e encaminhado a nossa redação, é possível ver diversos detentos amontoados dentro de viaturas e dois deles algemados na grade da janela da DPPA.
“Presos por todo o lado e a quase impossibilidade de se fazer o trabalho”, comentou Castro sobre a situação em que se encontra a delegacia da cidade.

Comércio Prejudicado

A detenção de presos em viaturas tem prejudicado o movimento em lojas próximas a DPPA e despertado medo e insegurança em comerciantes e clientes. Segundo a proprietária de um comércio do Parque dos Anjos, que não quer que seu nome seja divulgado, a aglomeração de detentos em frente a delegacia tem prejudicado o movimento em sua loja. “Em novembro, vou me mudar!” sentencia. “Não tem mais condições de ficar aqui. Como a maioria dos meus clientes são mulheres, elas ficam com medo de entrar”, desabafa ao relatar que suas vendas caíram entre 40% e 50% nos últimos meses. Ela também questiona o fato de os presos não ficarem no pátio da DPPA, localizado na parte de trás da delegacia, que, segundo ela, possui cerca elétrica e câmeras de monitoramento. “Seria mais seguro para todos, mas eles alegam que não há piso de concreto no terreno, que é muito úmido”, fala desacreditada.
Outra comerciante ouvida por nossa reportagem, que também prefere que seu nome, bem como o de sua empresa, não seja divulgado, relata que, além do mau cheiro (nossa reportagem ouviu relatos de que há um tonel próximo as viaturas onde os presos colocam fezes, urina e restos de alimentos), frequentadores de seu estabelecimento comercial sempre demonstram preocupação em relação a segurança. “Pessoas que chegam aqui pela primeira vez sempre me perguntam se já houve alguma rebelião ou fuga de preso. Ficam com medo da situação”, relata. Nossa reportagem tentou entrar em contato com a DPPA durante a tarde de ontem, mas não obteve sucesso.

Texto de Jacson Dantas