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Guerra para dominar o tráfico pode estar por tás de mortes no Morro do Coco

Guerra para dominar o tráfico pode estar por tás de mortes no Morro do Coco

O que duas mortes ocorridas com oito horas de diferença e, em ruas próximas, no Morro do Coco poderiam ter em comum? Pois foi essa a pergunta que os agentes da delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Gravataí passaram o final e o início da semana tentando entender. E a resposta é que uma guerra entre facções criminosas para comandar o tráfico na região está se articulando e, que mais mortes podem acontecer.

Pois essa foi a conclusão que os policiais da equipe de homicídios chegaram depois de circular pelo bairro no sábado, domingo, na segunda e na terça-feira atrás de pistas e de testemunhas que falassem. É que no bairro a lei do silêncio é imposta pelos próprios traficantes que ameaçam a qualquer morador que queira falar. “Essa é a grande dificuldade que encontramos para esclarecer as mortes, mas de forma alguma isso impede que a gente faça o nosso trabalho”, destacou o comissário Jair Gonçalves, que é o chefe de investigações da distrital.

As duas mortes próximas as quais o comissário está se referindo são as mortes de André Luis Pereira Leitão, 30 anos e de Maicon Francisco dos Santos Inácio, 18 anos, que aconteceram com intervalo de apenas oito horas entre elas. A primeira morte aconteceu por volta da 1h30 do sábado, na rua Independência.

André teria teria contado para uma pessoa próxima a ele que foi chamado por um conhecido para conversar e que foi esse conhecido que lhe deu um tiro que o acertou no abdômen. Conforme a polícia, o morto tinha antecedentes por ameaça, lesão corporal e desobediência.

A volante da polícia foi acionada para ir até o local do crime para acompanhar o trabalho pericial, bem como fazer o chamado “local do crime”, que é tentar encontrar alguma testemunhas ou se ater a qualquer detalhe que poderia passar batido. Os tiras foram embora após o trabalho, mas logo tiveram que voltar ao Morro do Coco. É que por volta das 9h30 de sábado mesmo, mais uma morte aconteceu no bairro.

Dessa vez a morte aconteceu na rua República, que fica próxima da Independência. A vítima era Maicon, que foi atingido com dois tiros na cabeça. Segundo a polícia, ele tinha antecedentes por furto quando menor, porte ilegal de arma, furto arrombamento, tráfico e posse de drogas. Já teria puxado cadeia.

Pois a proximidade de horário e local das duas mortes levantou a suspeita de que os dois cirmes poderiam estar ligados. Isso aliado a lei do silêncio pela qual os moradores optam, por medo, em não falar, foi o sinal de que algo estava muito errado e que realmente as mortes tinham alguma ligação. “Todos esses fatores nos levaram a perceber que algo estava acontecendo. Então, através das investigações realizadas desde o sábado, descobrimos que duas facções estão em guerra para dominar o tráfico ali”, revelou Jair.

O comissário preferiu não falar em nomes de facções e disse que as investigações prosseguem para chegar ao nome dos autores das duas mortes. Admitiu ainda que a polícia está alerta por saber que no mundo do tráfico, dívidas ou mesmo a tomada de pontos de tráfico são feitas sempre com o custo de vidas e por isso, acredita que outras mortes vão acontecer. “Infelizmente é assim que o tráfico funciona. Estamos correndo contra o tempo para chegar aos autores para tentar prender eles antes que mais sangue seja derramado”, enfatizou.

Texto: Patricia Mello