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Família espera por justiça e polícia aguarda laudos

Família espera por justiça e polícia aguarda laudos

Filhos esperam desde setembro do ano passado para poder ver o assassino da mãe, Denise Inácio de Souza, 33 anos, atrás das grades. Mas para isso, esbarram na polícia que está de mãos atadas. Para poder concluir o inquérito e ter a certeza de quem assassinou a mulher, precisam dos laudos do instituto Geral de Perícia (IGP), que até hoje não foram entregues. De acordo com o comissário Jair Gonçalves, chefe da delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a polícia aguarda pelo IGP para poder concluir o inquérito. Somente com o resultado do laudo pericial será possível apontar de onde saiu o tiro que matou a Denise.

Na cena do crime, tanto dentro do bar, quanto na rua, ficaram cartuchos que foram recolhidos pelos peritos. “Precisamos saber de qual desses é que saiu a bala que acertou Denise. Se foi os cartuchos de dentro do bar ou os da rua. Sabendo disso, saberemos também quem foi que matou ela”, enfatizou o comissário. Sem isso, a polícia fica de mãos atadas, sem poder encerrar o inquérito e dar as explicações que a família tanto espera e cobra.

“A família tem razão em cobrar, afinal, perderam um ente querido de uma forma trágica, mas infelizmente, dependemos da perícia para poder seguir em frente nessa investigação”, enfatizou. Jair tem suas convicções sobre quem atirou e matou a mulher, tudo baseado na análise da cena do crime e até mesmo pelos depoimentos colhidos entre as testemunhas que presenciaram a troca de tiros entre o dono do bar e o motoqueiro. Mas ele prefere não falar nada antes da perícia.

“Quem vai dar a confirmação ao que a polícia já tem, é o IGP. Então, é temerário falar qualquer coisa sem o laudo”, ponderou. Ele destaca que a polícia tomou o depoimento do dono do bar. Ele portava uma arma sem registro e sem porte. No depoimento, disse que se desfez da arma. Por sorte a perícia conseguiu as cápsulas. O motoqueiro também foi identificado e não apresentou a arma usada.

O motivo do tiroteio, segundo a polícia é o tráfico de drogas, pois ali no bar, funcionava um ponto. A dor da perda Enquanto a polícia espera o IGP, os familiares de Denise também aguardam sem poder fazer nada, a não ser lamentar a dor da perda e a falta da punição ao culpado. Denise, mãe de Lenise, 19 anos, que presenciou a morte, e de outras duas filhas, de 15 e sete anos, morreu, na madrugada de 2 de setembro do ano passado, durante um tiroteio em uma lancheria localizada na avenida Itacolomi, Bairro Santa Cruz.

Ela foi atingida por um disparo fatal no peito. Lenise, que é a filha mais velha, estava junto com a mãe na lancheria do conhecido Panela, que era goleiro em campeonatos da várzea, organizados pela Liga Gravataiense de Futebol. Naquela noite, assim que a mãe e ela saíram do trabalho, junto com outros amigos, decidiram ir até a lanchonete para desestressar jogando conversa fora e comendo hambúrguer. Mas o que era para ser apenas um bom momento de distração começou a mudar quando um motoqueiro passou acelerando pelo local.

Panela teria ido conversar com ele. Em seguida retornou e segundo a polícia, pegou uma arma e escondido atrás de um freezer vertical, começou a trocar tiros com o motoqueiro, sem pensar em nenhum instante nos clientes que ali faziam sua refeição. Já segundo Lenise, cada um correu para um lado, mas ela, apavorada, ficou estática na mesa.

Denise, sua mãe, saiu correndo, mas quando percebeu que a filha tinha ficado para trás, voltou para buscá-la. Nesse instante, foi atingida por um disparo certeiro no peito. A filha conta ainda que a mãe caiu por cima dela, já sem vida. Em seguida, ao invés de ter sido socorrida, foi arrastada para fora do bar.

Texto: Patricia Mello