Família de jovens mortos em atropelamento está inconformado com liberação de motorista | 2M Notícias

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Família de jovens mortos em atropelamento está inconformado com liberação de motorista

Família de jovens mortos em atropelamento está inconformado com liberação de motorista

A liberação do motorista Felipe Ramos Barcelos, que no último sábado teria atropelado o casal de namorados Gabrielly Reis da Silva, 17 anos, e Patrick Fernandes Veiga deixou os familiares das vítimas inconformados. Isabela Cristina Reis, mãe de Gabrielly, pede que a justiça seja feita e que o motorista seja punido e não somente a família ao perder seus filhos.

Já a polícia pediu nova perícia. Foi com lágrimas nos olhos que Isabela recebeu a notícia de que o atropelador de sua filha e de seu genro foram soltos por decisão da juíza plantonista Marcela Pereira da Silva, que alegou que em seu despacho que o motorista é réu primário e não que não havia elementos que indiquem que ele fosse perigoso. Cabe lembrar que o condutor, conforme a polícia, estava embriagado e o carro Hyundai i30, que ele dirigia invadiu a calçada próximo da parada 74 da avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, na Curva do Bigode pegando os dois jovens na calçada.

No despacho a juíza disse ainda que o homem trabalha, estuda e possui residência fixa e que por esse motivo haveria controvérsias em tipificar o crime de trânsito cometido porque ele estava embriagado como doloso (quando há a intenção de matar). Em seu documento disse ainda que isso faz toda a diferença e explica que, quando o caso envolve homicídio culposo (sem a intenção de matar), não existe sequer a prisão preventiva. Em sua decisão, a juíza destaca ainda que o condutor não possui registro de delitos anteriores desta natureza, motivo pelo qual ela acredita não ser possível presumir que, em liberdade, haja risco de reincidência.

Dessa forma concedeu liberdade provisória ao motorista que está proibido de se ausentar de Gravataí por mais de 30 dias sem comunicação à Justiça, tendo também sua habilitação suspensa e ficando proibido de frequentar estabelecimentos em que sejam servidas bebidas alcoólicas. As palavras de juíza não serviram em momento algum para tentar atenuar a dor da família que lembra que o motorista fugiu do local do acidente sem prestar socorro. Além disso, durante sua fuga, teria batido em outro veículo e também não parou para prestar atendimento.

“Ele não pode ficar solto e nos sermos punidos de todas as formas”, lamenta a mãe. Ela revela que a família vai se mudar da casa por ser muito próximo do local do acidente e também pelas lembranças. Conta que deram casa ou terreno para os quatro filhos e que a casa onde moravam era da Gabrielly. Por isso, vão terminar uma reforma que está sendo feita no local e irão alugar a casa. Com muita dor, Isabela relembra que conhecida Patrick desde que ele era novinho e que ele e a filha estavam namorando a quase 11 meses. Tinham até planos para casar.

Relembra que no dia do acidente, a filha e o genro, que morava em Santa Maria, tinham recém saído de casa para dar uma caminhada e falar dos planos para o futuro. Estavam guardando dinheiro para fazerem juntos, a universidade. Ela iria fazer medicina. “Minha filha ia fazer medicina. Minha filha ia voltar para casa. Minha filha ia, mas não vai mais. Já o motorista que matou ela, vai fazer o que quiser. É justo isso?”, indaga a mãe.

Texto: Patricia Mello