Curativo vira caso de polícia no hospital Dom João Becker | 2M Notícias

Edições Online

Capa Gravataí Capa Cachoeirinha Capa Sto Antonio

Curativo vira caso de polícia no hospital Dom João Becker

Curativo vira caso de polícia no hospital Dom João Becker

Um curativo que precisava ser trocado na perna de um paciente virou caso de polícia e levou um médico e duas enfermeiras do hospital Dom João Becker para a delegacia de Polícia, na última quinta-feira. O motociclista Lúcio Flávio Pereira de Souza, 28 anos, precisava ter o curativo da perna trocado, conforme orientação do cirurgião plástico, mas as enfermeiras alegaram não ter condições de manejar o paciente. Elas se embasaram em uma orientação do hospital e justificaram que o SUS não cobre curativos não aderentes para vítimas de fratura exposta. Bandagens foram realizadas, mas sem serem as ideais para o caso.Em função disso, o paciente contraiu um infecção na perna. O quadro pode se agravar caso não ocorra o atendimento adequado. O impasse entre equipe médica e de enfermeiros levou o cirurgião plástico a chamar a polícia no fim da tarde do dia 26.

Conforme Edson Prado Machado, coordenador de negociações do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o médico prescreveu um determinado curativo, mas esse curativo não estava sendo feito porque o hospital alegou que o material não pode ser disponibilizado para pacientes do SUS. “A questão é que se o curativo não fosse feito, a integridade do paciente poderia ser comprometida. Por isso, ele chamou a brigada Militar”, detalhou.

Todos os envolvidos foram levados para a 1ª delegacia de Polícia e depois, conduzidos para a delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Gravataí. O caso está sendo investigado pela polícia. O Simers acompanhou toda a ação e aguarda um posicionamento da direção do hospital.

O Ministério Público vai entrar com uma ação para garantir que o procedimento seja feito pelo hospital. Já Lúcio, que é o paciente pivô dessa situação toda, sofreu um acidente de moto em 22 de dezembro de 2014, com grave lesão na perna. Morador de Gravataí, está internado no hospital desde o acidente e passou por diversos procedimentos médicos.

Segundo os familiares, faziam cerca de 15 dias que ele não recebia os curativos necessários na panturrilha. Contam que o hospital alegava que o material necessário para o curativo tem custo elevado e não é fornecido para os pacientes do Sus, apenas para conveniados ou particulares.

Os familiares asseguram que se ofereceram para pagar o tratamento, que fica em torno de R$ 25 por dia. Algumas bandagens chegaram a ser feitas, mas por não serem as ideais, Lúcio contraiu infecção. “A perna está com um forte odor e ele sente muitas dores”, revelou um familiar.

Texto: Patricia Mello