Prefeito fala sobre gravidade da situação provocada pela pandemia | 2M Notícias

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Prefeito fala sobre gravidade da situação provocada pela pandemia

Prefeito fala sobre gravidade da situação provocada pela pandemia

O prefeito Daiçon Maciel da Silva concedeu entrevista à Folha Patrulhense falando sobre a situação decorrente da pandemia do COVID-19 e a respeito das medidas tomadas para a proteção da população contra o vírus.
FOLHA PATRULHENSE: Santo Antônio da Patrulha deverá permanecer, pelo visto, mais duas semanas na bandeira vermelha. O comércio está sentindo muito isso, porque voltou o fechamento de lojas. Como o senhor está avaliando essa situação que está bastante delicada, especialmente com a confirmação de mais uma morte?
PREFEITO MUNICIPAL: As mortes, o fechamento do comércio e dos estabelecimentos que prestam serviços, bem como a redução na produção industrial (pela exigência de se diminuir o número de empregados), torna tudo muito difícil a gestão municipal. Manter-se na bandeira vermelha era tudo o que os prefeitos do litoral e da região metropolitana não queriam. Os 11 indicadores de controle, da metodologia implantada pelo Governo do Estado, foram duros, tendo como origem o grande número de pessoas infectadas pelo vírus, muitas hospitalizadas em UTIs e outras entraram em óbitos. A manutenção da bandeira vermelha nos leva a um castigo terrível, porém, acredito que o Governador deva alterar as medidas do “gatilho”, pois o desemprego será maior e causará mais desempregos e dificuldades à economia gaúcha.
Não é fácil para os prefeitos esta busca incansável pelo equilíbrio da vida com a economia neste momento de guerra. O sofrimento vem de todos os lados e não queremos a perda da saúde, nem dos empregos. Mas a equação é muito difícil e o esforço deve ser de todos. Por isso, criamos o Gabinete da Crise, cuja função principal é discutir com a sociedade civil (sindicatos de trabalhadores e patronais, OAB, ACISAP, Associação Moenda), Bancos seriados no município e o Governo Municipal, saídas para encontrar uma forma de equilíbrio entre o desemprego e vidas, na relação do trabalho e a desaceleração do setor produtivo.
FOLHA: O que vai representar a entrada em funcionamento da Unidade Sentinela?
DAIÇON: Representa a disponibilidade para nossa população de um local específico para o atendimento a pacientes com síndromes gripais e possíveis casos de COVID-19, estruturado e com equipe qualificada para tal. Além disso, possibilita também, que as demais Unidades básicas de saúde possam atender com segurança, as demais comorbidades. Resumindo, seria mais uma forma de evitar a propagação do vírus, além da qualificação de equipe e estrutura, para o enfrentamento à pandemia.
A Unidade Sentinela vai estar ali como o primeiro atendimento para pacientes exclusivos com sintomas da COVID-19, que se necessário serão encaminhados ao hospital. Uma ambulância de prontidão estará no local, fazendo esta integração com a Santa Casa, que está equipada com leitos, setor de isolamento e 10 respiradores. Contávamos com 8 e nesta semana recebemos mais dois do governo do Estado.
A unidade conta com cinco quartos de isolamento, cinco consultórios para atendimento, triagem, farmácia, observação, sala de emergência, sala de nebulização e copa.
Destaco também a importância de o investimento em um prédio próprio da prefeitura, onde futuramente poderemos implantar uma nova Estratégia de Saúde da Família, a do bairro Madre Tereza ou abrigar outros setores da saúde, como a Vigilância em Saúde ou o CAPS, que hoje funcionam em prédios locados. O Município investiu aproximadamente 380 mil na Unidade Sentinela. Os recursos são provenientes do poder Legislativo e de reserva de contingência do Executivo.
Agradeço as equipes das Secretarias Municipais do Planejamento, responsável pelo projeto e da Saúde que está coordenando todo o processo, bem como todos que estão contribuindo, como a Câmara de Vereadores que destinou 50% de emendas impositivas e abriu mão de parte do duodécimo (recurso mensal) repassado pela prefeitura à Câmara, somando aí R$ 780 mil. Nossos agradecimentos também ao Comitê Municipal de Prevenção e Enfrentamento à COVID-19 e a nossa população que tem sido solidária, com doações de roupas de cama e banho para a Unidade Sentinela.
FOLHA: recolhimento de resíduos hospitalares dessa Unidade, como se processará? Será depositado em lixeiras comuns, ou será recolhido diretamente na unidade?
DAIÇON: O recolhimento de lixo contaminado já é terceirizado no município e, acontecerá da mesma forma que nas demais unidades. A empresa passa coletando, dando o destino adequado.
FOLHA: Outro assunto importante, prefeito: o novo acesso à Freeway no acesso a Chicolomã, teve interferência sua?
DAIÇON: O acesso da Freeway ao Chicolomã foi uma iniciativa do DNIT no edital de concorrência pública e acredito que o mesmo foi projetado a partir da necessidade em permitir o acesso das empresas de mineração existentes no local de forma direta na via, pois eram impedidas ou tinham severas limitações de acesso. Fomos consultados e não titubiamos, autorizando a execução das obras e o uso das áreas adjacentes para apoio de serviços complementares e hospedagem de máquinas. Assim, se elimina o perigo de acidentes no km 31 da Freeway, onde operava a Triunfo/Concepa, permitindo que o km 32, local do viaduto de acesso ao Chicolomã, possa dar passagens aos veículos da mineradora Pavicon e outras.
FOLHA: E por fim, o reconhecimento da situação de emergência decretado pelo município em razão da estiagem sofrida no período de verão, o que deverá representar para o município?
DAIÇON: Este reconhecimento é muito importante para nosso município. Encaminhei o decreto ainda no mês de março em função de prejuízos que a agricultura, a pecuária e também comunidades patrulhenses vêm sofrendo com a falta de chuvas. Os dados que serviram de base para o documento partiram de um diagnóstico da situação, apresentado pela Defesa Civil patrulhense, juntamente com a Emater e com o Conselho Municipal da Agricultura (COMAGRI).
Com este reconhecimento, o Município poderá receber recursos, para compra de cestas básicas, perfuração de poços e contratação de caminhões pipas, bem como auxiliar, agricultores com trabalho nas propriedades com máquinas da prefeitura. Outra demanda de agricultores que também poderá ser atendida é a prorrogação de financiamentos em bancos.
O decreto prevê ainda que os órgãos municipais atuem sob a orientação da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil nas ações de resposta ao desastre e reabilitação do cenário e reconstrução, entre outras providências.
Agradeço também como o fez o secretário Joy Silva, ao nosso ex-secretário Charlis Santos, por ter sido quem plantou a semente e lutou muito para que tivéssemos este espaço.