"Então fique do meu lado, vá para frente esqueça o passado Para trás só ficam os fracos, meu destino eu mesmo faço" | 2M Notícias

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“Então fique do meu lado, vá para frente esqueça o passado Para trás só ficam os fracos, meu destino eu mesmo faço”

Por Carol Candido – redação@2mnoticias.com.br10298791_4705566773631_3696698856993598688_n foto 1 foto 2

A frase deste hip hop não é dela, mas se enquadra perfeitamente em sua vida que desde sempre, não foi fácil.

 

“Tive a sorte de ser encontrada e escolhida pela minha mãe de criação”, relata Micheline Freitas de 39 anos, mãe, cantora  e compositora Hip Hop, artesã, maquiadora, estudante e ativista comunitária. Ela é a personagem da série Protagonistas da Vida, na edição desta semana do Jornal Correio de Cachoeirinha.
Logo que nasceu foi abandonada pela mãe biológica na chamada ‘roda da adoção’, no hospital Santa Casa em Porto Alegre. Com um mês, foi escolhida para ser a segunda filha adotada pela ex-metalúrgica Maria Eronita de Freitas.
“Minha mãe é uma heroína, passou por muitas coisas na vida, adotou 4 filhos, o mais novo tem 16 anos, e continua na luta”, orgulhou-se Micheline.

 

O instinto ativista veio muito cedo, logo nos primeiros anos de vida Micheline interessou-se pelo meio artístico e iniciou no cântico da igreja. Desde os 12 anos dedica-se às danças, formando-se professora de artes folclóricas. Atuou também na cultura tradicionalista, organizando palestras, seminários e concursos sobre o movimento.

 

Aos 12 anos, Micheline fez seus primeiros trabalhos voluntários, na LBV, atividade à qual se dedica até hoje por meio de projetos sociais voltados às crianças e jovens carentes. Estudou e representou a cultura africana, sendo uma das poucas prendas negras do Estado, aprendendo também capoeira e outras técnicas de dança.

NOVA CONDIÇÃO

Em 2006, aos 29 anos, Micheline foi agredida ao sair de uma festa. “Um rapaz tentou se aproximar, eu recusei e ele me agrediu com um chute que acertou minha perna”, contou. Depois de receber atendimento inadequado em 4 hospitais, contraiu uma bactéria hospitalar que levou a amputação da perna esquerda.

Ela reconhece que o recomeço não foi fácil. ‘É muito difícil se acostumar com sua nova condição física. Imagine o que é pra uma professora de dança, perder a perna’ contou. Depois de passar por uma difícil adaptação, Micheline recebeu duas possibilidades de qualificação.  ‘Eu recebi duas bolsas de estudos que não pude usufruir por esbarrar na falta de acessibilidade do município’, contou.

‘Nesta época, não existia ônibus adaptado e mais uma vez, meu mundo caiu, pois não havia a menor possibilidade do meu deslocamento até o curso’, lamentou.

Uma lição de vida

A dificuldade foi o maior motivador da protagonista, que arregaçou as mangas e saiu em busca de acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. Além de lutar por transporte público adequado, Micheline busca mais rampas, acessos a calçadas e qualidade na saúde pública.

GRADUAÇÃO

Hoje, Micheline estuda administração em Sistema e Serviços de Saúde na Uergs – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul -, unidade de Porto Alegre. Em sua graduação pesquisa sobre qualidade do serviço de saúde oferecido pelo Estado e pelas cidades da região.

A estudante explica que a mobilidade urbana faz parte do sistema de saúde, pois cidadão tem o direito de ir e vir e isso influência diretamente na sua qualidade de vida.

Movimento Hip Hop

“7 jovens morrem a cada 2 horas no Brasil. São 82 a cada 24 horas e deste montante 77% são negros. São jovens de 15 a 29 anos. Isso é um genocídio da juventude negra.”, explicou.

Nos últimos anos Micheline tem se dedicado ao  voluntariado nos movimentos Hip Hop, desenvolvendo oficinas de tambores, movimentos culturais, literatura, poesia e rimas. O objetivo da atuação é contribuir e apresentar políticas públicas integradas de segurança pública, educação, cultura, trabalho entre outras.
“Queremos que as autoridades assegurem aos jovens negros seu direito a uma vida livre de preconceito e de violência”, finalizou.

 




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