Chico Mendes: A solução que virou problema | 2M Notícias

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Chico Mendes: A solução que virou problema

Chico Mendes: A solução que virou problema

Com as enchentes que castigaram as 114 famílias do Bairro Olaria, deixando os moradores alojados em abrigos nas duas últimas semanas, além dos prejuízos, o loteamento Chico Mendes entrou na pauta da política de Cachoeirinha. Afinal, o Chico Mendes foi esquecido? A solução para o déficit habitacional que atualmente gira em torno de 5000 mil famílias vivendo em áreas consideradas de risco passou a ser um problema de difícil solução.

O jornal Correio de Cachoeirinha inicia uma série de cinco edições simultâneas que pretende esclarecer qual o entrave que impede o loteamento de ter suas obras concluídas.

A convite do vereador Irani Teixeira (PCdoB), nossa reportagem foi até o Loteamento Chico Mendes, em Cachoeirinha, para ver como estava o andamento das obras. O cenário é desolador. Além de estar parada a construção, as casas estão depredadas, paredes caindo, telhas quebradas, aberturas já não há. Um “caminhão” de dinheiro público desperdiçado, a solução virou um problema. No local encontramos seguranças de uma empresa privada, que faz a vigilância para que não haja mais depredações ou ocupações. Foi dado inicio ontem as obras da estação de tratamento e esgoto. Segundo um profissional que atuava no local, o trabalho deve durar cerca de 5 meses.

O Loteamento Chico Mendes foi criado para as famílias que vivem em situação de risco. Vários moradores de diversos bairros de Cachoeirinha, foram cadastradas desde 2005 para ganharem as moradias. Segundo o site do PAC 2 o loteamento deveria ter investimentos desde 2007.

As obras só tiveram início em 2010, de forma lenta a estrutura das casas foi erguida. A previsão era que o loteamento fosse entregue em 18 meses, mas por entraves burocráticos, questões de repasse de verba da Caixa Econômica Federal a obra parou.

Ocupação

Após um forte temporal em novembro de 2011, moradores do Bairro Vila Canarinho, vizinho do loteamento, tiveram suas casas destruídas pela força das chuvas e do vento. Moradores precisavam de um local para morar, sem condições financeiras de reconstruir o que haviam perdido, os mesmos viram o Chico Mendes como a solução como nova moradia, mesmo que para isso precisassem passar por algumas necessidades devido ao inacabamento da construção.

A notícia se espalhou pela região, pessoas de diversas locais começaram a partir rumo ao novo bairro, mesmo com as casas inacabadas. Em pouco tempo, as 284 casas inacabadas das 423 previstas no projeto inicial estavam ocupadas.

Aos poucos o Chico Mendes foi ganhando forma de bairro, mesmo com pouca estrutura, os moradores tinham um teto para morar e abrigar os filhos. Até o comércio começou a se expandir no vilarejo, apesar das irregularidades do loteamento.

Desocupação 

Sete meses depois da ocupação, a Prefeitura de Cachoeirinha ganhou na justiça o Direito a reintegração de posse. A Brigada Militar foi acionada para realizar a operação. Era a hora de desocupar, mais uma vez as famílias estavam perdendo seus lares, desta vez não pela força da natureza, mas sim pela força do Poder Público. Na ocasião quase 500 policiais trabalharam nos dois dias de desocupação. Para a Prefeitura, pouco importava para onde iam aquelas famílias, ou dormiriam aquelas crianças. O poder público queria o que entedia ser seu de volta. Nos dias 25 e 26 de Junho lá estava a polícia cumprindo as ordens. Em dois dias todas as 284 casas estavam desocupadas pelos moradores. Na época, as assistentes sociais da prefeitura estavam cadastrando famílias para receberem o aluguel social, um valor de R$ 250,00, prorrogáveis para um ano. Os moradores tinham que cumprir alguns pré-requisitos, um deles era não terem pagado aluguel ante de irem para o Chico Mendes.

Promessa não cumprida

A Prefeitura de Cachoeirinha prometeu, além da conclusão do Loteamento Chico Mendes, ainda em 2012, fazer apartamentos para 500 pessoas e regularização fundiária em outras áreas. As 284 casas no Chico Mendes, seriam para pessoas da Vila Olaria, às margens da BR-290, que sofre com alagamentos, Vila Navegantes, também em área de risco, além das pessoas “das antenas”. Inicialmente, o Chico Mendes teria mais de 400 casas, contemplando mais as pessoas das redondezas, da Vila Canarinho. Para esta área, o secretário de Habitação da época, André Lima, prometeu regularização fundiária, com obras de infraestrutura, o que acabou não sendo cumprido.

Minha casa minha vida

Segundo um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, conseguiu reduzir cerca de 8% do déficit habitacional em todo o Brasil. Em 2009, a carência de moradias era de 5,7 milhões, baixando para 5,2 milhões em 2014. Os dados da pesquisa foram baseados em números fornecidos pela Caixa Econômica Federal e pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Ainda segundo o levantamento, até 2024 o Brasil ganhará mais 16,8 milhões de famílias. Para atender o déficit já existente, e ainda suprir o que será gerado nos próximos nove anos, o MCMV teria que entregar 1,1 milhão de habitações por ano.