Entrevista com o comandante do 17° BPM | "O melhor investimento que existe para a segurança é a educação" | 2M Notícias

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Entrevista com o comandante do 17° BPM | “O melhor investimento que existe para a segurança é a educação”

Entrevista com o comandante do 17° BPM | “O melhor investimento que existe para a segurança é a educação”

Major Luis Felipe Neves Moreira recebeu a reportagem do Jornal de Gravataí nesta quarta-feira e falou, entre outros assuntos, sobre a violência que assustou os gravataienses no ano passado. | Foto: Rodrigo Cassol/ JG

Comandar o policiamento de uma das cidades mais violentas do Estado não é uma tarefa fácil – no ano passado, conforme a Secretaria de Segurança Pública do RS, 165 pessoas morreram vítimas de homicídios em Gravataí.

Prestes a completar dois meses no comando do 17° Batalhão de Polícia Militar (BPM), o major Luis Felipe Neves Moreira, de 45 anos, recebeu a reportagem do Jornal de Gravataí nesta quarta-feira e falou sobre a violência que assustou os gravataienses no ano passado e, também, sobre as medidas que a Brigada Militar de Gravataí já está tomando em 2018. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista.

JG: Quais as condições que encontrou quando assumiu o comando do 17° BPM?

Major: Vim para cá em fevereiro de 2017, mas assumi o Batalhão apenas no dia 28 de novembro. Já tive uma passagem pela cidade entre 1994 e 1996, como aspirante oficial e como tenente – na época, comandei o Pelotão da Morada do Vale. Depois disso, saí e retornei no início do ano passado.

O cenário que encontrei é um cenário tranquilo, mas com bastante enfrentamento e ocorrências policiais. A partir de março de 2017, a violência começou a aumentar um pouco mais. Então, a partir disso, se executou algumas ações para tentar coibir esse tipo de situação.

JG: Por que acredita que Gravataí enfrentou tanta violência no ano passado?

Major: Acredito que houve algumas questões. Uma delas é a disputa de territórios por traficantes de facções criminosas antagônicas. Elas acabaram disputando espaço, e isso fez com que acontecessem todas essas mortes. O que confirma isso é que uma grande parte das vítimas de homicídios do ano passado estava envolvida com o crime organizado.

JG: Acredita que a situação está mais tranquila nos últimos meses?

Major: Nós vamos sempre avaliando as situações. A cada 15 dias, fizemos uma análise do que está acontecendo. O número de homicídios, por exemplo, está se mantendo abaixo, na comparação com o mesmo período do ano passado. Eu não gosto de jogar confete e dizer que a situação está melhor. A situação pode ser melhor. Eu trabalho assim.

É claro que, em relação ao que estava acontecendo na cidade, a situação está muito boa. Mas podemos diminuir mais esses índices que ainda nos preocupam.

JG: Quais ações o 17° BPM vai tomar para frear a violência e garantir a segurança dos gravataienses?

Major: Certa vez, tive um comandante que dizia assim: temos que ter um plano de metas e dar continuidade a ele. Quando tu assumes o comando de uma unidade, tu tens que manter aquilo de bom que vem sendo feito e ter os teus planos, os teus objetivos. Um dos meus objetivos desse ano é manter o que já vinha sendo feito pelo antigo comandante do 17° BPM, o tenente-coronel Vanderlei Padilha. No ano passado, eu era o subcomandante dele. Nós temos uma postura parecida em termos profissionais.

A segunda tarefa é analisar nosso retrospecto e fazer uma reflexão – a partir disso, decidimos o que vai ser feito. Eu não posso ficar preso às ações do ano passado porque o momento já é outro. As ações que estão sendo desencadeadas agora, por exemplo, já estão prevendo o início do ano letivo e o retorno dos gravataienses do litoral.

De um modo geral, nossos objetivos são a redução e o controle desses índices negativos que nós temos de homicídios, roubos e furtos. Esses números vêm caindo consideravelmente de outubro do ano passado pra cá.

JG: De um modo geral, qual a solução para a diminuição do número de criminosos?

Major: O melhor investimento que existe para a área da segurança é a educação. Tu só reduzes o numero de criminosos com a educação. Um povo que tem cultura, que aprende valores morais e éticos, que aprende a respeitar o próximo, é um povo que não comete delitos.

Falando especificamente na área de segurança, são necessários alguns investimentos. Por exemplo: o governo do Estado vai formar cerca de 4,6 mil novos policiais militares. Se conseguíssemos trazer alguns deles para Gravataí, seria muito bom. Eu já me candidatei para receber esses profissionais no 17° BPM – e para que boa parte deles permaneça aqui após a conclusão do curso. Estamos aguardando a resposta do Estado, mas é bem possível que seja tomada uma decisão favorável a Gravataí. Esses novos policiais chegariam no município ao longo deste ano.