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Para se Distrair

Para se Distrair

por Katia Almeida

Nessa semana tivemos a tão esperada premiação do Oscar. Alguns filmes, como A Teoria de Tudo, não foram grandes surpresas, pois já eram favoritos. Outros mostraram ao que vieram e levaram várias estatuetas para a casa, é o caso de Birdman – o filme do mexicano Iñárritu recebeu quatro premiações. Outro filme que ganhou destaque foi para a produção independente Whiplash – Em Busca da Perfeição, um filme feito para se ver e ouvir.

birdman

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Título Original: Birdman

Gênero: Comédia / Drama

Dirigido por: Alejandro González Iñárritu

Duração: 1h59min

Um filme para prestar atenção. Ele exige do espectador inserção total na história. Desde a primeira cena vemos o brilhantismo do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. Não poderíamos esperar menos de alguém com 12 anos de carreira, dirigiu nove filmes e foi roteirista e produtor da maioria deles. E Birdman não foi sua primeira indicação ao Oscar. Em 2006, o filme Babel ganhou destaque na premiação. Uma das primeiras cenas do longa já é surreal, o protagonista Riggan Thomson (Michael Keaton) flutuando no meio da sala. O trabalho de fotografia e edição são tão meticulosos que, por si só, já impressionam, mas o brilho maior está na união com a história a ser contada. Além disso, a câmera é quase mais um personagem. Ela permeia os camarins, os quartos, os corredores do teatro, a forma como mostra tudo ao espectador é simplesmente genial. O filme é impecável até mesmo na escolha dos atores. Michael interpreta o personagem principal, um ator que vê se sua vida ruir após deixar de interpretar o super herói Birdman. Ele se recusa a participar da terceira sequência cinematográfica, é quando começa a cair em esquecimento, o que revela quase todos os dramas do filme. Ele virou um ex-astro e isso mexeu com seus sentimentos e forma de ver o mundo. Curiosamente, um ator que passou por uma jornada um tanto quanto parecida: Michael Keaton, ex-Batman, há anos sem um papel relevante nas telonas, foi escolhido para dar vida a Riggan. A vida imita a arte ou a arte imita a vida? As duas coisas. O foco é na busca dele a se reerguer, tanto que ele tenta a vida em uma peça teatral. Mas há outras sub-tramas que trazem outras reflexões. Personagens que acabam se voltando apenas para si mesmo, mostrando como o ser humano consegue ser egocêntrico. Mas nem tudo está perdido, afinal, eles mesmos acabam se descobrindo e conhecendo as pessoas ao seu redor. São vários dramas que se encaixam, batem e se chocam durante as duas horas de produção. É o ator do momento que surta de vez em quando (Edward Norton), a atriz que pena devido a relacionamentos antigos (Naomi Watts), o agente preocupado que a todo momento busca a melhor maneira de lucrar em cima do que está acontecendo (Zach Galifianakis), a filha meio deslocada que sente a falta de afeto vindo do pai (Emma Stone) e tantos outros que compõem esta fauna em busca da vitória prometida pelo sonho americano. Uma sensação que por vezes mistura realidade e ilusão, onde o desejado se manifesta através da voz e da figura de Birdman, como se este fosse um fantasma a perseguir seu alter-ego. Eles são um só, indissociáveis, e a contínua aparição nada mais é do que a voz da consciência questionando seus atos, dia após dia. E, de quebra, trazendo um retrato objetivo sobre aquele mundo ao seu redor.

 

whiplash

Whiplash – Em Busca da Perfeição

Título Original: Whiplash

Gênero: Drama / Musical

Dirigido por: Damien Chazelle

Duração: 1h47

Vencedor de três categorias, o filme ganhou destaque na noite de premiação. A história gira em torno de Andrew Neyman, interpretado por Miles Teller, um jovem estudante de um consagrado conservatório que sonha em ser uma lenda da música. Após ensaiar muito, ele consegue o posto de baterista substituto na banda principal da escola, comandada pelo impetuoso Terence Fletcher (J.K. Simmons). Simmons ganhou a estatueta de melhor ator coadjuvante por essa interpretação. O que foi bastante merecido, pois a entrega dele ao personagem é nítida. O jovem Teller não fica atrás, ele tem mostrado seu valor como ator e a cada produção deixa mais claro que consegue dar o melhor de si. Ele foi destaque em filmes como Projeto X, Namoro ou Liberdade e Divergente. Talvez um dos atores jovens mais interessantes do momento. Ajuda a ele o fato de não ser um galãzinho comum e também não ser completamente estranho, conquistando a simpatia do público masculino e feminino. O jeito de “gente boa” do ator é tão marcante, que tendemos a suavizar mesmo algumas atitudes babacas de seus personagens. Obviamente a trilha sonora é maravilhosa, para os amantes de jazz as cenas em que há apresentações ou ensaios são um deleite. Com tudo isso, o filme levanta uma discussão interessante neste mundo do século XXI. Vale a pena submeter alunos a uma condição degradante se for para criar um talento musical, um Charlie Parker? A fala de Fletcher em que afirma que a pior expressão que existe é “bom trabalho” é bem interessante. Andrew quer ser o melhor, pretende ser um dos grandes músicos, tendo como ídolo Buddy Rich. Mas qual é o limite para essa busca? A convivência com Fletcher o faz transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental.