Para se Distrair | 2M Notícias

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Para se Distrair

Para se Distrair

Sem preconceitos

Nessa época de discussões sobre sexualidade, dicas que abordam essa temática. Um filme que tem como protagonistas duas mulheres e uma série com Drag Queens.

 

Azul é a cor mais quente

Azul é a cor mais quente chega aos cinemas

Título Original: La vie d’Adèle

Gênero: Drama/Romance

Duração: 3h07

Dirigido por Abdellatif Kechiche

 

O filme não é recomendado para menores, as cenas de sexo nele são realmente quentes – como sugere o nome. A história conta a descoberta de Adèle (Adèle Exarchopoulos) sobre a sua homossexualidade, as dificuldades com o preconceito e sua própria aceitação em relação a isso. A forma como isso é abordado é bem interessante – e dá nome ao filme. Ele pode ser classificado como complexo, óbvio que o natural romance e cenas de sexo são muito comuns. Mas ele vai muito além disso, ele conta de forma ímpar como é o crescimento de Adele, sua transição da fase de adolescente para a fase adulta, um tema delicado e difícil de tratar. Poucos filmes realmente se aventuram a mergulhar de forma séria nessa temática. O filme gira mais em torno de Adele do que Emma (Léa Seydoux). Sem saber o que quer, ela faz aquilo que se espera de uma garota de 15 anos. Conversa com as amigas, flerta com garotos – inclusive um deles será essencial para o encontro entre as duas protagonistas. Até o dia em que conhece o novo. Numa tarde Adèle sai com um colega de escola que está interessado nela para dar um passeio no parque, ao ir ao encontro ela passa por uma garota de cabelos azuis que chama sua atenção. Sabe a cena de passar uma mulher bonita e homem quase virar a guria do exorcista para olhá-la? Foi isso que Adèle fez ao ver a garota de cabelos azuis. O azul não está só no título brasileiro ou nos cabelos de Emma. A cor está presente durante toda a produção, seja nos figurinos (principalmente de Adèle), seja nos próprios ambientes, que parecem debaixo de um filtro azul. Adèle não é o padrão de guria que se arruma muito, só em duas cenas do filme ela penteia o cabelo, na maior parte do tempo ele é um emaranhado preso de qualquer jeito no alto da cabeça. Ela não fica falando sobre sexo aberta e sem vergonhas como suas colegas, que falam até as posições que fazem durante a transa. Depois do dia que viu a menina de cabelos azuis passou a sonhar com ela, mesmo estando com o garoto e transando com ele – o que não parece satisfazê-la muito. Ao mesmo tempo em que a protagonista vai se descobrindo, ela vai conhecendo o mundo. E ainda assim, no sentido geral, parece um pouco perdida. O fato do diretor Abdellatif Kechiche dar à sua personagem o nome de sua protagonista ainda colabora para dar ao longa um ar quase documental. Obviamente, Exarchopoulos não é a Adèle do filme, mas se entrega de forma tão impressionante que o resultado é fenomenal. Outro ponto interessante do filme é a relação de Adele com seus pais, eles não sabem de suas dúvidas e angústias, apesar de aparentemente terem uma boa relação. Ela divide sua rotina entre completar o ensino médio e dar aulas de francês para crianças. Mas não tem paixão pela profissão, ela a exerce por ser um emprego estável e bem quisto socialmente. O filme é longo, mas vale cada segundo e termina com gostinho de quero mais.

RuPaul’s Drag Race

RuPaul

7 temporadas

Criado por Ru Paul

Duração:45 minutos

 

Esse é um seriado estilo American Idol só que com, e somente com, drag queens. Doze homens, que se vestem de mulheres com roupas e maquiagem extravagantes, disputam o título de nova estrela drag americana. Como Ru Paul gosta de repetir, programa procura o carisma, singularidade, coragem e talento de uma drag queen, para suceder ao título de America’s Next Drag Superstar“. O apresentador é Ru Paul, também conhecido como Andre Charles. Ele é um ator, drag queen, modelo, autor, e cantor, que ficou conhecido nos anos 90 quando apareceu em uma grande variedade de programas televisivos, filmes e álbuns musicais. Um ícone no mundo drag queen, com videos no youtube, várias músicas gravadas e uma legião de fãs. E ele traz charme a produção com seu jeito engraçado e cheio de frases de efeito. O programa voltou a ser transmitido no mês passado pelo canal a cabo Multishow e já está na sétima temporada. Em todos os episódios os participantes têm, em média, dois desafios. O inicial é feito com eles vestidos casualmente, como homens. Quem vence o mini desafio tem vantagem no desafio principal. Eles exigem um limite de tempo para que se realizem. Alguns viraram tradição como o ensaio fotográfico (geralmente no primeiro episódio) realizado pelo fotografo Mike Ruiz. O desafio principal é uma ou mais provas, na qual é realizado individualmente ou em grupo. Aquele que vence o desafio principal além de permanecer no jogo, ganha geralmente um prêmio especial como vestidos, acessórios, cruzeiros, Joias ou linhas de maquiagens, e nos primeiros episódios ganha a imunidade para a próxima semana. Esse sim tem grande produção, os garotos colocam seus enchimentos, cílios postiços e perucas para ir para frente dos jurados tentar sua permanência. As gincanas e provas testam suas habilidades em canto, dança, costura, talento, humor e personalidade. Depois de avaliação, as duas drags com as performances consideradas mais fracas vão para berlinda, tendo que dublar uma música escolhida pela produção, e a partir daí, RuPaul decide quem continua na competição e quem é eliminada. O interessante do programa é a interação entre elas, conhecer suas histórias. Perceber que nem toda drag queen é gay, alguns apenas gostam de se vestir assim, se sentem melhores, poderosos, usam como forma de encarar a vida difícil que levam. Olhar para elas prontas e “montadas” e notar que algumas têm até jeitos femininos, que facilmente – e com menos maquiagem – se passariam por mulheres autênticas. Ouvir os relatos de alguns nos bastidores sobre as dificuldades não só de ser drag, mas também de ser gay, ter que conviver com o preconceito e não aceitação até da família. Muitos acabam sendo expulsos de casa e passam a viver com sua Mãe Drag – espécie de mentora e mãe mesmo, afinal os acolhem. Em um dos episódios da segunda temporada a mais engraçada das drags assume que já tentou se matar por não entender a sua orientação sexual. Isso acabou gerando milhares de e-mails para o programa com outros jovens contando experiências parecidas e afirmando que o relato da drag em rede nacional – e internacional – deu coragem a eles. É muito bonito ver que o programa não é hi-lá-rio, ele também ajuda pessoas a passarem por situações difíceis de preconceito.